<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635</id><updated>2010-03-07T23:36:22.967Z</updated><title type='text'>Fazer Acontecer</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.loghound.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http:///www.fazeracontecer.net/./files/blogRSS.php'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./'/><link rel='hub' href='http://www.fazeracontecer.net/./'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6505947886170807635/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;orderby=published'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>172</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-1652263293445098574</id><published>2010-03-07T23:34:00.003Z</published><updated>2010-03-07T23:36:22.976Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>Lágrima (Portugueses no mundo)</title><content type='html'>Tendo em conta que no seu programa se integrava o Fórum Ibérico de Barcelona sobre o tema do Mercado Ibérico da Energia, tive a oportunidade de acompanhar a recente visita do Presidente da República Portuguesa à Comunidade Autónoma da Catalunha e a Andorra. A visita foi focada no aprofundamento das relações económicas e políticas com aqueles territórios, mas nela foi dada uma particular atenção às comunidades portuguesas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as Comunidades Portuguesas que fazem de Portugal uma nação rede e global são comunidades especiais e as que o Presidente da República agora visitou não fogem á regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em Barcelona encontrámos uma comunidade vibrante, jovem, empreendedora, inovadora e criativa. Em Andorra os portugueses são hoje uma parte estruturante da economia local, actuando em todos os sectores e liderando alguns deles. É difícil percorrer estes trajectos de Portugal no mundo sem uma lágrima sempre pronta a soltar-se de orgulho e de emoção.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil é também a vida dos portugueses da diáspora. Também às suas vidas e às suas comunidades chegou a crise que assola o mundo. Para as autoridades e os povos que os acolhem, os portugueses são contudo vistos como parte da solução para a crise, pela sua fibra e pelo seu empenho. Afinal foi para vencer a adversidade que deixaram a sua terra e largaram a aventura e é esse sentido de missão e de determinação que perpassa da sua vontade e do reviver forte da tradição e da defesa dos valores, da cultura e da identidade nacional que vão fazendo por todo o globo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos muitos momentos desta viagem marcante, pelo tempo e pelo destino, sublinho três que me impressionaram particularmente. O brilho no olhar dos jovens que se juntaram numa recepção de fim de tarde em Barcelona para contar os seus projectos e a forma como a grande cidade os desafiava, o coro de centenas de crianças portuguesas cantando o hino nacional no Auditório do Centro de Congressos de Andorra e a voz una da comunidade portuguesa juntando-se no mesmo espaço aos fados sentidos de Joana Amendoeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram momentos em que a lágrima de que vos falei esteve mais perto de rolar, lembrando-me que por estar ali não podia partilhar outros momentos de identidade e querer como o Congresso das Açordas de Portel ou o Concerto de Duarte em Évora (outra revelação do fado de nova geração que irrompe por todo o País). Mas foram sobretudo momentos em que ficou mais forte que nunca o contraste entre a nossa grandeza passada e presente como povo cosmopolita e de cidadãos do mundo, da mudança e da descoberta e a mesquinha vozearia que por estes dias vai entorpecendo as vontades e minando a vitalidade da sociedade portuguesa. E foi a revolta deste contraste que soltando a lágrima em tempo a conteve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, os povos e os Homens não devem ter medo de chorar. Mas este é um tempo em que chorar pode limpar a Alma mas não chega para vencer o desafio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Este é um tempo de agir. Um tempo de saltar fronteiras com a coragem de partir ou de ficar. De ser mundo e de o ousar mudar. Como os portugueses de Barcelona e de Andorra. Como cada um de nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-1652263293445098574?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1652263293445098574' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=1652263293445098574' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1652263293445098574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1652263293445098574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1652263293445098574' title='Lágrima (Portugueses no mundo)'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-7142390856064274156</id><published>2010-03-01T23:31:00.002Z</published><updated>2010-03-01T23:32:03.597Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>"Actores Políticos"</title><content type='html'>Desde há muito usada na linguagem sociológica e de comunicação e alinhada com outras expressões similares como actores sociais, económicos ou outros, a expressão “actores políticos” tem vindo a ganhar nos últimos tempos, por todo o mundo democrático e também em Portugal, um significado cada vez mais literal e menos figurativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A competição dos órgãos de comunicação social generalistas de televisão ou imprensa escrita pela conquista do grande público que lhe garante viabilidade económica é hoje desesperada. Num tempo em que cada vez mais gente se torna autónoma da comunicação de massas e assume a escolha da informação por medida e de acordo com as suas necessidades e gostos, prender a atenção das grandes audiências é um desafio em que parece valer tudo, até mesmo “tirar olhos”, ou seja, manchar reputações por dá cá aquela capa ou aquela caixa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma primeira etapa deste combate travou-se no plano das chamadas novelas da vida real, de que o “Big Brother” terá sido o mais marcante exemplo. A questão é sempre a mesma. Quando se quebra uma barreira torna-se difícil resistir à pressão para ir cada vez mais longe e para além da linha de fronteira do que parecia razoável e aceitável no ponto de partida. Cada passo dado é primeiro uma novidade badalada e popular e depois, rapidamente, um “dejá vu” desinteressante e descartável clamando por alternativa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que escrevo esta crónica muitos dos “actores políticos” em Portugal estão expostos perante a opinião pública em inquéritos e inquirições infindas e por vezes burlescas, mais focadas no espectáculo do que na prova ou na obtenção da verdade. O Canal Parlamento é um sucesso de audiências e quem sabe, se assegurar alguns direitos de “exclusividade”, um dos maiores activos mediáticos sob gestão pública, suscitando em breve vorazes apetites de privatização.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A promoção exaustiva da exposição dos actores políticos é uma alternativa barata à investigação séria, à encenação ficcional e ao entretenimento distanciado da casa do poder, fundamental para deixar espaço ao exercício focado desse poder e permitir o seu escrutínio fundamentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este súbito convocar dos políticos para serem actores de tempos mortos e dos “prime time” das televisões generalistas e dos jornais de grande circulação não é uma particularidade portuguesa. Um pouco por todo o mundo este fenómeno está a acontecer. Desde as fúrias de Gordon Brown às intimidades de Berlusconi e às patacoadas de Nicolas Fréche, passando pelos negócios do casal presidencial argentino ou aos problemas conjugais do Primeiro-ministro irlandês, tudo está nos guiões da actualidade, animando um jornalismo “voyeur” que por enquanto é barato, eficaz e cola milhões aos televisores ou às capas que fazem notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como tudo o que vive no território mediático esta moda vai passar depressa, deixando destroços fundos na credibilidade da democracia e seguindo para outros palcos. Na próxima ronda outros serão os actores. Não tenho dotes de adivinhação mas a história faz-me suspeitar que quem toca agora à porta dos actores de circunstância, verá mais cedo ou mais tarde a sua porta ser tocada para receber convocatória. Espero que esta suspeita não se confirme. O espectáculo deve ser trabalho de actores profissionais, que os temos, bons e desaproveitados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-7142390856064274156?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=7142390856064274156' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=7142390856064274156' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=7142390856064274156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=7142390856064274156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=7142390856064274156' title='&quot;Actores Políticos&quot;'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-8413790616959172576</id><published>2010-02-21T17:52:00.001Z</published><updated>2010-02-21T17:55:04.064Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>Mística</title><content type='html'>Temos vindo a sobreviver a um dos invernos mais cinzentos de que tenho memória. Os dias andam tristes e as vidas amolecidas. É nestes tempos que mais falta nos faz o aconchego da mística, do sentido das coisas, da linha do tempo e da espiritualidade saudável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos interregnos da caminhada, quando mesmo entre a multidão me sinto mais só, gosto de me refugiar entre um amontoado de livros um por uma razão ou outra ficaram guardados na minha memória, para sentir o pulsar das inquietações múltiplas, dos sentimentos cruzados, das dialécticas e dos debates que vão tecendo a malha dos tempos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nesse exercício que reencontrei um interessante livro de Jean Vernette publicado em 2002 (ano de falecimento do autor) numa obra que no seu título original em francês afirmava “o Século XXI ou será místico ou não será” e que a Editorial Notícias publicou em 2003, na colecção Sinal dos Tempos, com o título “Só a Religião salvará o século XXI”. Se a memória não me atraiçoa, inspirado por este livro já publiquei no DS uma crónica há alguns anos, versando o “regresso do sagrado” que nele se antevia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Agora que o século começa a desenhar de forma mais clara os seus contornos, clivagens, conflitos e consensos, as ideias do teólogo francês parecem ganhar ainda mais actualidade e mesmo algum sentido premonitório, levando-me de novo a discorrer sobre o seu livro ainda que agora sob um ângulo diverso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prova da acuidade previsional do texto (publicado em 2002 e eventualmente escrito no final do século passado ou no alvor do século actual) de Vernette é este extracto extraordinário – “ A falência dos grandes sistemas ideológicos, a insatisfação ligada ao materialismo do quotidiano, um certo vazio político incapaz de fornecer razões para agir e esperar, a ausência de consenso sobre as grandes questões éticas, cavaram uma abertura no coração do homem do século XXI”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta “abertura” é um desafio e uma oportunidade. Convoca cada um de nós para uma mais profunda procura interior e para uma busca permanente do sentido filosófico para a vida, ao mesmo tempo que exige das comunidades respostas capazes de garantia a sua solidez económica, social e ambiental, mas também de saciar as interrogações sobre a existência e promover a felicidade entre os que as integram.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem descurar a vida académica e mantendo sempre viva a curiosidade científica e a participação nas redes e nas expedições que buscam o saber, estou hoje motivado e mobilizado para uma missão política estimulante e muito exigente. Uma missão em se pode ser feliz, mas em que resta pouco tempo para estudar a felicidade (ou qualquer outro tema que não esse estimulante mundo da energia e da inovação).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A economia da felicidade é no entanto o tema de largo espectro com que procuro balizar as minhas actividades científicas e académicas e também sempre que possível as acções de cidadania e de partilha com os outros. Decidi escolher esse caminho e deixá-lo bem claro ao dedicar a lição de sapiência que tive a honra de proferir na sessão solene de abertura do ano lectivo de 2008/2009 na minha universidade (Universidade de Évora) ao tema da “Gestão da Felicidade”. É essa a mística que me conduz. É com ela que quero dar sentido à vida e sobreviver ao século e ao cinzentismo que o vai tolhendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-8413790616959172576?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=8413790616959172576' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=8413790616959172576' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=8413790616959172576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=8413790616959172576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=8413790616959172576' title='Mística'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-366814653538377859</id><published>2010-02-14T18:04:00.004Z</published><updated>2010-02-14T18:08:42.078Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>A Europa em Jogo</title><content type='html'>São difíceis os tempos para a União Europeia, atordoada com as mudanças institucionais decorrentes da adopção do Tratado de Lisboa ainda em assimilação, emergindo com dificuldade duma crise económica que não provocou mas em que tem sido o principal alvo, fragilizada pelas contingências de Copenhaga, atacada desalmadamente na credibilidade da sua moeda e vendo o flanco de Países mais expostos sujeitos à especulação internacional, seja no preconceituoso ataque aos PIGS (Portugal, Italy, Greece and Spain), seja na mais alargada ofensiva contra os STUPID (Spain, Turquey, UK, Portugal, Italy and Dubai) que os abutres da finança consideram contaminados pela febre helénica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em simultâneo com este ataque económico, a Europa tem visto também o seu poder esvair-se por omissão de coragem política, como o demonstra o resultado das eleições presidenciais na Ucrânia ou os sinais de reorientação estratégica da Turquia. Em contraponto a esta situação difícil, culminada com a humilhação da eventual ausência de Obama na cimeira UE/EUA de Madrid, ressurge com toda a sua pujança o eixo Franco-Alemão, já bem notório nos resultados do recente Conselho da Competitividade sobre mobilidade sustentável e no Conselho Europeu que respondeu à crise Grega e lançou a nova estratégia 2020.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motor Franco-Alemão não traz más recordações ao processo de construção europeia. Sem ele não teria sido possível concretizar a moeda única ou o alargamento. No entanto, a actual orientação política dos dois Países, sem a influência temperada de grandes Homens de Estado como foram Mitterrand e Helmut Koln, com liderança efectiva das duas maiores famílias políticas europeias, exige mais atenção de todos aos movimentos do novo Eixo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O salve-se quem puder que parece ter tomado conta de algumas chancelarias europeias significa a curto prazo o naufrágio colectivo. Agora mais do que nunca a solidariedade europeia é um jogo de ganho múltiplo. Estão a ser desenhadas as regras da pós-globalização e da sua adequação á economia sustentável e aos valores humanistas do modelo social e económico dominante na Europa vai resultar a sorte da UE no novo quadro geoestratégico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou grande adepto das teorias das conspirações dos mercados, mas a verdade é que as pressões económicas têm vindo a fragilizar sobretudo lideranças de países governados por Partidos da Internacional Socialista como a Grécia, a Espanha, Portugal ou a Inglaterra. Para a direita Neoliberal esta situação pode parecer uma retumbante vitória. Será contudo uma vitória de Pirro. No neo liberalismo selvático a UE será sempre uma fotocópia de má qualidade. Só num contexto de economia social de mercado, sustentável e com valores humanistas a Europa poderá competir e ambicionar liderar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isto que se joga hoje na definição em curso da UE2020, cuja dimensão estratégica forte e mobilizadora parece ensombrada e secundarizada pelos debates financeiros de curtíssimo prazo. As nuvens de fumo não escurecem a Europa por acaso. São mecanismos para nos inebriar enquanto as regras do futuro se desenham.  Temos que resistir. Temos que lutar. Temos que vencer. A Europa está em jogo e com ela o nosso futuro comum.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-366814653538377859?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=366814653538377859' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=366814653538377859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=366814653538377859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=366814653538377859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=366814653538377859' title='A Europa em Jogo'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-3692209147837599056</id><published>2010-02-13T00:15:00.003Z</published><updated>2010-02-13T00:24:02.149Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>A "Carta para a Russia"</title><content type='html'>A ideia desta crónica nasceu em mais uma espera de aeroporto, quando de repente no meio dum tempo de vazio surgiu entre a equipa que me acompanhava a dúvida sobre uma carta de mera formalidade mas que deveria dar seguimento a uma negociação em curso. Já teria seguido a "carta para a Rússia"? A verdade é que sobre o tema já muitas palavras directas, mensagens e telefonemas tinham sido trocados. Tudo estava combinado, mas faltava a carta, ou pelo menos podia faltar. E sem a carta …! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última década a forma como comunicamos mudou de forma assombrosa. Os telefonemas e as mensagens por telefone ou por computador são a única forma de sincronizar quem decide ou quem executa com as dinâmicas de mudança e de gerar interacções criativas que levam a que as coisas aconteçam. E se isto é assim na esfera profissional, mais é ainda na esfera pessoal. Vivemos um tempo de conexões em que a oportunidade tende a transcender e a sobrepor tudo o resto. Continua a ser importante levar a “Carta a Garcia” embora sejam cada vez mais virtuais as cartas que se jogam e enviam e seja também cada vez mais difícil saber quem é Garcia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta fluidez de processos transforma todos os modelos de avaliação e verificação. Os arquivos da história do presente e do futuro são miríades de ocorrências que se poderão correlacionar das mais diversas e múltiplas formas. A história e a forma como ela se foi consolidando nunca foi linear, mas agora mais do que múltipla tornou-se mutável, despegada da lógica ou da evidência, fruto de sucessões de casos e de acasos, de bolas e de carambolas, de sortes e de sortilégios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A "carta para a Rússia" era uma formalidade não necessáriamente dirigida aquele País e uso-a neste texto como uma mera alegoria. Nas relações internacionais, nas relações comerciais ou nas relações pessoais as cartas que hoje se escrevem são cada vez mais miolos de pão deixados no caminho, para um dia se poder regressar ao passado, se entretanto como no conto infantil os pássaros não se saciarem com eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No fundo são miolos de pão deixados a pensar que o trigo ainda é trigo e que os pássaros ainda se alimentam do fruto das sementes e que vão continuar a pejar os caminhos, mesmo quando sabemos que pouco valem face ao banquete da comunicação instantânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminado em Bruxelas, enquanto se escrevem as cartas do futuro da economia europeia, enviarei este texto para o DS por “mail” como sempre o faço. Claro que o podia mandar por carta, mas não sabendo se a carta já seguiu para a Rússia, temo que alguém se lembre, por vontade ou descuido, de desencaminhar esta para a terra dos “Czars”, e que indo ela parar ao Pravda, sendo em português, ficasse para sempre perdida no arquivo morto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria uma carta que não encontraria Garcia e que deixaria os meus leitores à espera da crónica sem saber que foi á espera dum avião que surgiu a ideia de a escrever. Uma carta algo surpreendente acredito, escrita para fazer pensar … ou talvez não, que isto das cartas está fora de moda. Ainda se fosse uma escuta!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-3692209147837599056?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3692209147837599056' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=3692209147837599056' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3692209147837599056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3692209147837599056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3692209147837599056' title='A &quot;Carta para a Russia&quot;'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-4172995892319722016</id><published>2010-02-05T22:11:00.001Z</published><updated>2010-02-05T22:13:42.697Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>"Esquerda de Jardim"</title><content type='html'>As inoportunas alterações à lei das Finanças Regionais impostas por Alberto João Jardim à República em contexto de grande exposição global da economia portuguesa tiveram a estranha cobertura da velha esquerda traduzida nos votos favoráveis do PCP, dos Verdes e do Bloco, que se somaram aos mais expectáveis votos do PSD e do PP. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as suas opções de voto na matéria em apreciação, PCP, Verdes e BE tornaram-se em termo práticos a “Esquerda de Jardim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se dúvidas existissem sobre a teoria do inimigo principal que tolhe o raciocínio do PCP, dos Verdes e do Bloco de Esquerda, o seu incompreensível voto nesta matéria esclareceu mais uma vez que a sua prioridade é competir entre eles no esforço de dificultar a governação da esquerda moderna, preferindo ver o poder acolhido à direita, do que vê-lo entregue a protagonistas com sensibilidade social e valores progressistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos alegam que face ao elevado deficit orçamental, o acréscimo provocado por esta lei é irrisório. No entanto, mais do que o valor, há dois sinais implícitos na legislação aprovada que são preocupantes e para os quais o apoio da velha esquerda é incompreensível. O primeiro sinal reside na injustiça relativa nela implícita. O segundo sinal radica na descredibilização internacional das instituições portuguesas num momento crítico nos mercados financeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Face a um orçamento de grande contenção, que implica o congelamento dos salários na função pública e cortes inevitáveis em programas impulsionadores da economia real, que justificação tem a Esquerda de Jardim para embarcar na lei aprovada, em vez de propor por exemplo a imputação dum valor igual ao reforço de politicas sociais com impacto em todo o território nacional? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E estando Portugal sobre um feroz ataque dos especuladores internacionais, que interesse tem a Esquerda de Jardim em fragilizar as instituições e disseminar a mensagem de que o governo português pode não ter suporte político para assumir os compromissos de convergência necessários para afastar a pressão, com consequências que em última análise prejudicam sobretudo as famílias endividadas e as empresas financeiramente mais vulneráveis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o momento em que escrevo este texto, muito em cima do acontecimento, e o momento em que daqui a uma semana ele será publicado no Diário do Sul mediará um tempo em que se poderá aquilatar melhor as consequências políticas e económicas deste episódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por agora, a intransigência do governo perante a irresponsabilidade da maioria de circunstância parece ter acalmado os mercados e controlado parcialmente o dano. Governo, Conselho de Estado e Presidência alinharam num sentido comum de defesa do interesse geral e de preservação da nossa economia. Será que esse relevante alinhamento será suficiente para contrapor as dinâmicas de luta pela liderança dentro do PSD e entre este e o PP no quadro da direita, curiosamente desenvolvidas sob uma banda sonora animada pela Esquerda de Jardim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que uma certeza ou uma convicção, tenho o profundo desejo que assim seja, porque como diz o povo quando a onda furiosa bate na rocha quem se lixa é o mexilhão. Sobretudo o mexilhão mais pequeno e que supostamente a Esquerda de Jardim representa. Ou deveria representar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-4172995892319722016?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=4172995892319722016' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=4172995892319722016' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=4172995892319722016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=4172995892319722016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=4172995892319722016' title='&quot;Esquerda de Jardim&quot;'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-9003768866685177475</id><published>2010-01-29T23:24:00.001Z</published><updated>2010-01-29T23:25:53.966Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>O Regresso Neoliberal (será que não aprendemos nada?)</title><content type='html'>A humanidade já diversas vezes deu mostras de pouca memória e de incapacidade para aprender com os seus próprios erros. São muito preocupantes os sinais de debilidade de convicções que têm permitido o regresso das lógicas e das dinâmicas que conduziram ao colapso económico em de que ainda não nos conseguimos verdadeiramente libertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Depois de ter sido conduzido à beira do abismo pelas análises nominais e estritamente financeiras das agências de notação (as famosas agências de “rating”) o sistema económico mundial está de novo sob o seu escrutínio e ao que tudo indica sujeito às mesmas ferramentas e mecanismos de análise que não anteciparam o risco sistémico nem o souberam minimizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pressão feita pelas agências de notação sobre o orçamento português, subitamente colocado no centro do ringue pelas contingências do calendário, é um excelente exemplo deste regresso descarado da agenda neoliberal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente uma economia aberta como a portuguesa não pode ignorar a opinião de instituições que condicionam as taxas de juro cobradas á República e em consequência a todos os agentes económicos e às famílias, mas custa muito aceitar que o mundo tenha aprendido tão pouco com o que lhe sucedeu no final da primeira década do século XXI.            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A avaliação da solidez das contas das diversas economias por parte de agências independentes é uma componente necessária para o funcionamento global dos mercados. O que a crise recente mostrou é que essa solidez não pode ser medida apenas pelos indicadores financeiros tradicionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A robustez social e a estrutura da economia real são as alavancas essenciais da credibilidade e da confiança a médio prazo. No entanto as agências de notação insistem em olhar para as décimas independentemente do que elas significam. Exigem de forma reiterada reduções na despesa sem olhar à qualidade ou à selectividade com que são feitas essas reduções. Só assim se explica que tenham lançado os seus veredictos sobre o orçamento português alguns minutos depois da sua apresentação. Só lhes interessa a contabilidade mesmo que isso prejudique gravemente a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O regresso do paradigma Neoliberal é uma ameaça e uma oportunidade. Aproximam-se tempos de combate político desafiante no plano das ideias e dos modelos de futuro. Será a Europa capaz de resistir aos cantos de sereia dos velhos oráculos e aproveitar a sua vantagem competitiva na promoção duma economia sustentável, focada nas pessoas, nas comunidades e na criação de condições de bem-estar e respeito pelo meio ambiente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A resposta está a chegar. O Conselho Europeu informal de 11 de Fevereiro que traçará as orientações para a Estratégia de Lisboa 2010-2020, agora designada EU 2020 dará sinais determinantes sobre a ambição ou a submissão da UE aos ditames do pensamento único recauchutado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nenhum combate, por mais difícil que seja, está perdido antes de ser travado. Em nome da memória e da inteligência, não podemos cair de novo na mesma armadilha! Quem vence o Adamastor só por loucura volta a trás para o desafiar de novo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-9003768866685177475?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=9003768866685177475' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=9003768866685177475' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=9003768866685177475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=9003768866685177475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=9003768866685177475' title='O Regresso Neoliberal (será que não aprendemos nada?)'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-9201654110370761024</id><published>2010-01-23T22:55:00.003Z</published><updated>2010-01-23T22:58:28.416Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>Mediação (Sobre a narrativa em Política)</title><content type='html'>Uma sociedade relacional e interdependente como aquela em que vivemos é naturalmente uma sociedade de mediação. Os mediadores são fundamentais em muitos sectores económicos e sociais e os “media” garantem a acesso à informação, recurso e motor central da sociedade emergente. Em simultâneo os “médiuns” das mais diversas inspirações exploram o nicho de ligação do divino à emoção e ganham espaço no mercado da felicidade ou do combate à ausência de sentido para a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta sociedade de mediação, qual deve ser o papel dos lideres políticos, espécie que muitos consideram em extinção ou rápida perda de influência. Do meu ponto de vista a erosão da liderança, em particular das grandes lideranças políticas com impacto global, resulta dos protagonistas desvalorizarem o papel da narrativa como mediação entre o divino e a razão, dando ao divino e á razão uma interpretação de largo espectro onde cabem diversas crenças ou racionalidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho um sonho … eu tenho um plano … este binómio tem sido sempre a chave da mobilização liderante ao longo da história. Mas hoje quem é o político que se atreve a proclamar um “sonho”, uma narrativa disruptiva e mobilizadora? Muito poucos de facto. Obama é a mais visível excepção e por isso vale a pena reflectir um pouco mais sobre o trajecto extraordinário desse homem, hoje o líder mais poderoso do mundo enredado na esquizofrenia que constitui a atribuição merecida do Prémio Nobel da Paz a alguém que por omissões diversas também tem que ser o polícia do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando uma das minhas recentes viagens intercontinentais (que constituem um dos raros momentos em que hoje é possível desconectar da pressão do imediato e reflectir numa espécie de vácuo criador) e após ler um interessante ensaio sobre a solidão de Obama publicado na revista “Time”, dei comigo a pensar sobre se o medo da solidão não é o vírus que trava tantos líderes e tantas lideranças no mundo actual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De facto o líder tem que ser um visionário e indicar um caminho ou uma narrativa que liga o divino á razão e a razão ao divino. Ora essa narrativa é uma mediação e não interpretação das forças, dos poderes ou das relações de proximidade. Muitas vezes a narrativa necessária fica na terra de ninguém e gera desconfiança de amigos e inimigos. O líder tem assim que ter uma força moral e anímica superior. Nem todos têm a força de Obama mas muitos mais “Obamas” eram precisos nos tempos turbulentos em que vivemos.       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menos “espirituais” que Obama na sua forma de estar e liderar, alguns outros líderes por todo o globo têm resistido a múltiplos ataques desmesurados no plano pessoal e político e posto em prática uma arrojada narrativa de modernização, baseada numa forte convicção, numa estratégia coerente e numa força anímica extraordinária. O primeiro ministro de Portugal é disso um excelente exemplo. Ser capaz de resistir e por em prática uma visão forte, é a marca indelével dos líderes que ficam na história, por boas ou por más razões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendo na minha vida pública a desconfiar de quem quer conduzir ou mobilizar o que quer que seja e não assume ter um sonho transformador e uma narrativa de mudança. Ou de quem sonha sem plano. Ou de quem planeia sem sonhar. Precisamos de mediadores fortes e competentes. São eles que fazem a diferença. É assim em tudo o que conta em sociedade e na política também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-9201654110370761024?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=9201654110370761024' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=9201654110370761024' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=9201654110370761024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=9201654110370761024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=9201654110370761024' title='Mediação (Sobre a narrativa em Política)'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-6227184623517864216</id><published>2010-01-22T16:30:00.001Z</published><updated>2010-01-22T16:33:19.924Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>Energia Inteligente</title><content type='html'>Alguns dos leitores habituais desta crónica têm-me feito notar a minha tendência recente para aqui escrever sobre temas de energia e alterações climáticas com muito maior alguma regularidade do que o costumava fazer no passado. A esta evidência não são alheias duas circunstâncias. Em primeiro lugar, a crise global e a necessidade de encontrar novas respostas baseadas numa visão de economia sustentável, colocaram estes temas na primeira linha do debate e do pensamento político e económico. Em segundo lugar, as minhas recentes responsabilidades directas nestas matérias permitem-se sentir com mais intensidade o pulsar da mudança e estimula a minha vontade de a partilhar convosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A consciência do carácter finito dos recursos fosseis e do impacto na qualidade de vida da humanidade que resulta do seu uso abusivo, conduziu a uma procura intensa de alternativas, com particular incidência no aproveitamento dos recursos naturais e renováveis como o sol, a água, o vento e a biomassa como fontes de energia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito se evoluiu já nestes domínios embora ainda sem a sofisticação tecnológica que permita atingir o objectivo crítico de produzir energias renováveis a um preço bruto competitivo com as energias de origem fóssil (hoje essa competitividade já está assegurada se somarmos aos custos dos combustíveis fosseis os custos associados às emissões de C02, mas esses cálculos sendo fundamentais para o futuro do planeta ainda são dificilmente perceptíveis pelos consumidores finais de energia, no momento do pagamento das suas facturas energéticas). Esse momento contudo não tardará, quer porque a curva de experiência fará baixar os preços das novas energias, quer porque as energias tradicionais se vão tornar mais raras e caras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal tem vindo a fazer no domínio das energias renováveis um trabalho excepcional e reconhecido mundialmente. Entre 14 e 19 de Janeiro pude testemunhar, primeiro no Conselho Informal de Energia de Sevilha e depois na reunião anual da Agência Internacional das Energias Renováveis em Abu Dabbi, como os resultados que atingimos são conhecidos e apreciados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo precisa duma abordagem dos temas da energia que seja ao mesmo tempo sustentável e inteligente. Sustentável na produção e distribuição e inteligente na utilização. A energia inteligente será o grande motor económico das próximas décadas, e a base central das velhas e novas indústrias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos houve em que foi preciso desenvolver conceitos e sistemas para os transportes com motores de explosão, paras as cidades e o seu planeamento, arquitectura e construção, para os grandes sistemas como a banca, os seguros, a saúde ou o turismo. Hoje há todo um caminho novo e um enorme mercado para desenvolver e aplicar soluções que tornem mais eficiente e sustentável a forma como vivemos e usufruímos do nosso planeta.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os carros eléctricos como sistemas inteligentes de armazenamento e uso de energia, os edifícios eficientes energeticamente, as redes inteligentes e as novas tecnologias de iluminação são apenas exemplos ilustrativos de novas realidades, que tornam viáveis os sistemas descentralizados e renováveis de energia e ao mesmo tempo criarão milhões de empregos na investigação, na concepção e na realização. A energia inteligente está aí para mudar a nossa vida! Évora está na primeira linha das cidades inteligentes (Smart Cities). Outras cidades alentejanas estão envolvidas neste movimento. O futuro desafia-nos para grandes aventuras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-6227184623517864216?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=6227184623517864216' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=6227184623517864216' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=6227184623517864216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=6227184623517864216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=6227184623517864216' title='Energia Inteligente'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-152013917789979580</id><published>2010-01-20T00:39:00.000Z</published><updated>2010-01-20T00:41:19.327Z</updated><title type='text'>Olhar de Novo</title><content type='html'>Os tempos não estão fáceis para ninguém. O mundo está a mudar e nessa mudança são arrastados muitos sonhos e frustradas muitas expectativas. É por isso normal um certo acabrunhamento que se nota por esse País fora. Ele não é muito diferente da apatia que contamina o continente europeu e contrasta com relatos de confiança que nos chegam de Países emergentes como a China ou o Brasil.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora profundamente embrenhado em tarefas da governação, agora ainda mais exigentes, procuro não perder o pulsar das gentes do meu País, rejubilando com as suas alegrias e sofrendo com as suas tristezas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que o governo está a fazer o melhor que pode e sabe para responder às dificuldades e para colocar Portugal na primeira linha da saída da crise. Esse esforço que acompanho e partilho dá-me a serenidade necessária para olhar o que se passa sem complexos nem preconceitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Confronto-me diariamente com gente entusiasmada com o que está a investigar, com a conquista de novos mercados ou com a afirmação internacional de novos produtos, mas encontro também muitos jovens desiludidos por não encontrarem emprego, gente na força da vida confrontada subitamente com a inutilidade do seu trabalho e múltiplas famílias preocupadas com o seu futuro ou com o futuro dos seus filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O testemunho que quero partilhar convosco nesta crónica não é no entanto um testemunho interno, mas sim o relato de algo que já só não me surpreende por ser reiterado e frequente. Portugal visto por quem vem de fora e conhece mais do que os indicadores e estatísticas, é um país acolhedor, estimulante e fortemente atractivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este facto faz – me reflectir se por vezes, em momentos menos fáceis, não será útil ganhar alguma distância, limpar a cabeça de ideias feitas e olhar de novo para a realidade a enfrentar, com disposição, força e atitude.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo que vale a pena olhar de novo, sem preconceitos, para o nosso País, para conseguirmos ver nós todos aquilo de bom que os que vêem de fora ou regressam da diáspora são capazes de ver e em conjunto aproveitarmos a renovada perspectiva e o ânimo ganho, para sermos agentes activos da recuperação económica e social que está ao nosso alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário Soares, um optimista e um grande político, sublinhou recentemente com tristeza o derrotismo com que muitos portugueses encaram as dificuldades. Derrotar o derrotismo é uma prioridade. Experimentemos a olhar de novo para o nosso País e para o potencial que ele tem, para sermos capazes de o conseguir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Morreu António Rodrigues Fernandes, o exemplo mais impar de cidadania militante, esforçada, desinteressada e disponível que pude conhecer na minha já longa experiência de vida política. O PS e Évora ficaram mais pobres, mas o Fernandes por tudo o que foi, continua a ser e a “viver” entre nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-152013917789979580?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=152013917789979580' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=152013917789979580' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=152013917789979580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=152013917789979580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=152013917789979580' title='Olhar de Novo'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-5522497487384017930</id><published>2010-01-10T02:04:00.002Z</published><updated>2010-01-10T02:07:10.980Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Malha Larga'/><title type='text'>AECI 2009 - Valeu a Pena?</title><content type='html'>O ano de 2009 foi o Ano Europeu da Criatividade e Inovação, dando origem á realização de múltiplas iniciativas no plano europeu e em cada um dos 27 Estados Membros e à criação de dinâmicas e de movimentos que perdurarão para além dele. Ao mesmo tempo, 2009 foi também um ano de enorme turbulência económica à escala global e de mudança institucional no plano europeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A avaliação do impacto e dos resultados do AECI 2009 não pode ser dissociado do contexto económico e político em que ele decorreu. Aquilo que poderia ter sido sobretudo um exercício de mobilização e de dinamização de boas práticas acabou por estar no cerne das políticas europeias e nacionais durante todo o ano. Quer as respostas operacionais, quer as respostas estratégicas à crise confrontaram-se com uma mudança de pressupostos e de quadros de referência que exigiram um forte recurso à criatividade e á inovação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num quadro de forte incerteza e de grande pressão das sociedades sobre os governos e as instituições, a comunicação conceptual foi naturalmente superada por uma mais forte ênfase na realização pragmática. A minha convicção é que se falou menos do AECI 2009 do que se falaria em outras circunstâncias de maior normalidade, mas em contrapartida praticou-se mais e introduziu-se mais criatividade e inovação na acção dos governos, das instituições, das empresas e da sociedade civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chamada dos princípios e dos valores estruturantes do AECI para o terreno das soluções directas expôs também de forma mais clara algumas das suas fragilidades. De facto a abordagem da criatividade e da inovação, embora tenha um importante fundamento nas qualificações e nas percepções e atitudes de base cultural, tem que ir para além desse ponto de partida e contaminar transversalmente toda a sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O modelo institucional de coordenação e promoção do AECI 2009 no quadro europeu, muito focado na educação, nas qualificações e na cultura, poderia ter limitado essa possibilidade, mas a pressão da realidade acabou por quebrar barreiras e fazer disseminar a prioridade à criatividade e à inovação por todas as áreas e domínios, tornando-as também componentes centrais nas linhas de prioridade que vão dar origem às novas estratégias europeias e em particular á nova Estratégia de Lisboa 2010 – 2020, agora designada EU- 2020.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal o AECI 2009 foi desde o primeiro momento encarado como uma oportunidade para dar um impulso ainda mais forte ao movimento de modernização gerado pela agenda do Plano Tecnológico, e que permitiu desenvolver uma forte parceria para a acção entre o governo, as instituições, as empresas e a sociedade civil.&lt;br /&gt; Foi com esse sentido que a Coordenação Nacional do AECI foi atribuída ao Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, tendo como suporte a mesma rede interministerial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prioridade do AECI 2009 em Portugal não foi, porque não fazia sentido, criar uma nova agenda de acção, mas antes abrir e potenciar ainda mais a agenda de promoção do conhecimento, das tecnologia e da inovação já no terreno e reconhecida pela generalidade dos portugueses e dos observadores externos como adequada e eficaz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um programa construído pelos próprios agentes, o objectivo central foi acrescer ao triângulo conhecimento, tecnologia, inovação, um outro triângulo mais focado na atitude e no comportamento, conjugando identidade, mobilidade e criatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As dinâmicas criadas com esta abordagem são exaustivamente abordadas noutros textos desta revista, por quem desempenhou também um papel determinante para que elas se tornassem possíveis. Como Coordenador Nacional do AECI 2009 proponho-me apenas dar um contributo para responder á questão essencial que se coloca sempre que se pretende fazer um balanço ou uma avaliação duma iniciativa como esta. Será que o AECI 2009 valeu a pena?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do meu ponto de vista valeu, quer na Europa quer em Portugal. Valeu pelo que aconteceu no próprio ano, mas valeu sobretudo pelas sementes deixadas para o futuro, pelas aprendizagens que se fizeram e pelas novas formas de agir que se desenvolveram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recuperação económica e social porque todos ansiamos será já uma recuperação no quadro do novo paradigma da criatividade e da inovação, da identidade e do conhecimento, da mobilidade da tecnologia, da cidadania participativa e do reforço do papel das comunidades e das políticas sustentáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São essas as ferramentas que ao estarem disponíveis e testadas, nos auguram que será possível atingir os objectivos europeus e nacionais de combate à pobreza e à exclusão social, tema do ano europeu 2010. Também aí o AECI 2009 estará em avaliação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos aliás todos em avaliação. A dimensão dos desafios com o mundo se confronta convoca-nos a todos. Convoca a nossa capacidade criativa e de inovação. Convoca em última análise a nossa capacidade de fazer acontecer o que é necessário que aconteça para que Portugal, a Europa e o Mundo progridam de forma justa, harmoniosa e sustentável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-5522497487384017930?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=5522497487384017930' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=5522497487384017930' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=5522497487384017930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=5522497487384017930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=5522497487384017930' title='AECI 2009 - Valeu a Pena?'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-4143306186260767134</id><published>2010-01-07T23:02:00.001Z</published><updated>2010-01-07T23:04:03.980Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>A nossa década</title><content type='html'>O Alentejo foi palco nas últimas semanas de 2009 de dois eventos de elevado significado; a adjudicação dum troço do Comboio de alta Velocidade Lisboa – Madrid incluindo a construção da nova estação Ferroviária de Évora e a assinatura do contrato de viabilização e arranque do Parque Alqueva, um dos mais emblemáticos empreendimentos turísticos associados ao empreendimento de fins múltiplos de Alqueva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram dois passos de grande significado na concretização duma estratégia global definida entre 1995 e 1999 pelo governo liderado por António Guterres. Uma estratégia que arranca agora de forma determinada no contexto do segundo Governo de José Sócrates dando concretização ao programa eleitoral maioritariamente sufragado pelos portugueses em geral e pelos alentejanos em particular nas últimas eleições legislativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho entre o lançamento da Estratégia e o seu lançamento em força não foi um trajecto fácil, intercalado que foi por uma década de dificuldades, com avanço lento entre 2000 e 2002, recuo forte em 2003/2004, retoma rápida entre 2005 e 2007 e novo abrandamento em 2008 e 2009 devido ao impacto da crise global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já aqui afirmei diversas vezes e volto a fazê-lo nesta crónica que a estratégia de desenvolvimento integrado do Alentejo, definida no final dos anos noventa do século passado e que hoje permanece actual, tem que ser concretizada e avaliada como um todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É fácil, por exemplo, criticar a reduzida procura do novo Aeroporto de Beja, quando se sabe que o seu sucesso depende da interligação com o interface ferroviário Sines – Europa, com o desenvolvimento dos múltiplos projectos turísticos aprovados para o Regolfo do Alqueva e para a costa alentejana e com o fluxo de pessoas e mercadorias que resultará desse novo patamar de desenvolvimento da região. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vistas as coisas de outra forma, o novo Aeroporto de Beja, ultrapassadas as dificuldades técnicas que ainda o limitam será um fortíssimo factor de atracção para novos investimentos na Região, que complementem alguns de enorme peso já previstos na fileira turística, energética ou aeronáutica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um projecto integrado de desenvolvimento só pode ser bem sucedido se for concretizado, explorado e avaliado de forma global e com uma boa sincronização entre os seus eixos e vectores. As duas últimas décadas permitiram um enorme salto qualitativo na estrutura de apoio social da nossa região. Dispomos hoje de uma rede de cuidados e de respostas sociais com elevada taxa de cobertura.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A progressiva sofisticação da base económica e social do Alentejo vai fazer da próxima década a nossa década. A década do Alentejo e dos alentejanos. A década em que a região estancará a hemorragia demográfica e voltará a crescer e em que os bons indicadores sociais e económicos se traduzirão em mais emprego e em mais oportunidades para os que aqui vivem e para os que aqui querem viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor não acredita? Experimente a fazer parte da solução e verá que tudo isto acontecerá, não por conjunção astral, mas pela cooperação franca e confiante entre os homens e as instituições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-4143306186260767134?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=4143306186260767134' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=4143306186260767134' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=4143306186260767134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=4143306186260767134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=4143306186260767134' title='A nossa década'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-1898429524060174684</id><published>2009-12-30T19:36:00.002Z</published><updated>2009-12-30T19:39:20.403Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>2012 - Crónica de Fim (de ano)</title><content type='html'>Além de um filme com grande orçamento e relativo sucesso, o facto da Civilização Maia ter terminado em 2012 as projecções da sua roda do tempo tem sido objecto nos últimos tempos de livros, artigos e interessantes debates em múltiplos tons e perspectivas. A histeria colectiva sobre a data e o seu significado promete adensar-se à medida que 2012 se for aproximando, como aconteceu com os fenómenos milenaristas e outros episódios proféticos ao longo da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe ao que parece nenhuma evidência científica de que o mundo termine em 2012 ou que os Maias já soubessem do protocolo de Quioto e das dificuldades em renová-lo e generalizá-lo depois dessa data. O mais que um leigo no tema consegue vislumbrar é que em 2012 haverá uma conjunção astral particular em torno da nossa estrela mãe, embora isso não ocorra pela primeira vez nem o mundo tenha acabado das outras vezes em que ocorreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto e deixando claro que não espero que o mundo acabe em 2012, não posso deixar de sublinhar que nesse ano, numerologicamente um ano de transição, confluem várias dinâmicas que indiciam uma nova era para a economia global e para a humanidade. Vejo isso não como uma ameaça mas como uma oportunidade. O mundo em que vivemos caminha rapidamente para um desequilíbrio insustentável e injusto que importa conter e modificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistimos hoje a uma lenta recuperação do equilíbrio económico e social à escala planetária. Anualmente milhões de chineses, brasileiros ou indianos, apenas para citar os países mais populosos, vão chegando a patamares de disponibilidade de recursos que os fazem ambicionar legitimamente a possuir bens de consumo que há muito são generalizados nos países mais desenvolvidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O impacto ambiental dessas dinâmicas será brutal se a tecnologia não se alterar e se uma nova era de produção descentralizada de energia sustentável e de fluxos optimizados de bens e serviços não estiver para emergir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo impressivo daquilo que acabei de dizer é o dilema da mobilidade na China? Se os ocidentais podem ter mais do que um carro em média por família, porque é que os chineses não podem ambicionar o mesmo, sobretudo quando as novas tecnologias de comunicação disseminam por todo o globo os padrões e as referências de consumo dos países mais ricos. No entanto, essa vontade legítima exerce uma pressão potencial sobre os recursos e sobre o ambiente que é estruturalmente insustentável. Neste caso a resposta está na mobilidade eléctrica baseada em formas limpas e descentralizadas de produzir essa electricidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Raciocínio idêntico se pode fazer sobre o direito a aceder à electricidade ou à água potável por milhões de cidadãos que em África ou na Ásia sobretudo, ainda não acedem a esses recursos básicos e universais. Também aqui só as novas tecnologias e os novos modelos de organização comunitária podem dar uma resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos um tempo em que não existem soluções justas e globais sem uma profunda mudança dos nossos modelos de organização social e das tecnologias que os suportam. O mundo tal como o temos vivido tenderá a acabar em breve. O ano de 2012 parece-me um momento interessante como ponto de viragem. Oxalá seja esse o sentido da profecia Maia. E oxalá também que sendo assim, ela se cumpra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-1898429524060174684?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1898429524060174684' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=1898429524060174684' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1898429524060174684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1898429524060174684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1898429524060174684' title='2012 - Crónica de Fim (de ano)'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-1276166565340304062</id><published>2009-12-23T12:22:00.001Z</published><updated>2009-12-23T12:25:16.948Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>Pós - Copenhaga (2)</title><content type='html'>Na crónica anterior escrevi sobre as consequências da Cimeira de Copenhaga antes de ter tido a oportunidade de participar activamente nos seus momentos conclusivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manifestei na altura o entusiasmo e o estímulo que sentia por poder assistir a um evento com os maiores líderes mundiais na mesma sala. Manifestei ainda a minha esperança de que a Cimeira proporcionasse avanços significativos rumo a uma economia mais sustentável. Finalmente evidenciei a convicção de que neste encontro com a História Portugal tem uma vantagem comparativa devida ao trabalho que tem vindo a ser feito desde 2005, com a forte aposta nas energias renováveis e em todos os sectores industriais e de investigação científica que lhe estão associados.  &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Escrevo hoje já após essa experiência, ainda em ressaca das longas noites negociais, consciente de que não se foi tão longe quanto era ambição dos que acreditam na necessidade duma nova ordem económica e política à escala global com maior justiça na distribuição dos recursos escassos, mas satisfeito por mesmo assim ter sido evitado um fracasso absoluto, que significaria um recuo brutal no multilateralismo, que é nos tempos actuais o maior garante da paz e da regulação à escala global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No “Bella Center” de Copenhaga, com “todo o mundo” numa sala que significava uma alegoria da realidade global, ficou claro que já nada é como era na formação das decisões com impacto mundial. Já ninguém por si só é suficiente para impor a sua vontade. Mesmo as parcerias entre duas potências são insuficientes. O Ocidente todo unido já não impõe a sua vontade. Os emergentes contam cada vez mais. Nada pode já ser feito contra a vontade da China, da Índia ou do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, importa sublinhar que mesmo assim foi possível validar um acordo cujas duas maiores fragilidades são o carácter não vinculativo das metas e o não ter sido possível estabelecer mecanismos claros de verificação do seu cumprimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Muitos defenderam, em particular entre os países da União Europeia que mais valia um não acordo do que este acordo. Não é a minha opinião. Como escrevi antes, um desacordo não teria significado ficar no mesmo sítio. Pelo contrário, daria origem a um processo de retaliações comerciais e desconfiança entre os blocos, com forte impacto recessivo numa economia que só agora dá os primeiros sinais ténues de recuperação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acordo conseguido é um pequeno passo. Sócrates chamou-lhe um passo tímido. Mas é um passo na direcção certa à espera de melhores dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os combustíveis fósseis serão cada vez mais raros e de difícil extracção. A qualidade do ar e da paisagem serão cada vez mais valorizados nas sociedades modernas. A chave é fazer destas realidades uma oportunidade de mudança do modelo económico, de inovação tecnológica e de criação de emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa a aposta estratégica que Portugal está a fazer no domínio da energia sustentável. Uma aposta que o pequeno passo consolidado pelo mundo em Copenhaga ratificou e reforçou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-1276166565340304062?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1276166565340304062' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=1276166565340304062' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1276166565340304062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1276166565340304062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1276166565340304062' title='Pós - Copenhaga (2)'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-3998580444363306873</id><published>2009-12-19T13:38:00.000Z</published><updated>2009-12-19T13:39:58.931Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>Pós - Copenhaga</title><content type='html'>Escrevo este texto ainda antes de ter a estimulante oportunidade de participar, integrado na delegação governamental portuguesa, nos últimos dois dias da cimeira de Copenhaga. Sei que quando esta crónica for publicada no Diário do Sul já serão conhecidos os resultados da Cimeira. Penso que mesmo assim vale a pena arriscar uma reflexão antecipada. Cimeiras como esta valem muito mais pelos seus impactos no futuro do que por aquilo que se obtém de imediato. Independentemente do que na Cimeira ficar adquirido, ela ficará para sempre registada como uma marca de viragem na ordem política e económica mundial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sobrevivência e a imagem de um País, depende da forma como chega, bem ou mal preparado, aos seus encontros com a História. Portugal chegou bem preparado à oportunidade histórica de conceber durante a sua Presidência um novo Tratado para a União Europeia (Tratado de Lisboa) e embora com menos impacto e significado relativo, chega também bem preparado para ser um dos países de referência no desenho da ordem económica e política Pós-Copenhaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto em Copenhaga discute-se antes de mais a forma de combater o aquecimento global e as alterações climáticas, mas subjacente a esse debate está o desenho de novos modelos sustentáveis de organização económica que permitam dar resposta aos anseios de crescimento e emprego que todos os povos partilham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal está em Copenhaga apoiado em resultados e metas de grande ambição, quer na inclusão de energias limpas no seu pacote de consumo energético, quer na criação de oportunidades de emprego e desenvolvimento industrial associados a essa perspectiva. No horizonte de 2015 as energias renováveis mobilizarão um investimento global superior a 15 000 milhões de Euros em Portugal e criarão mais de 23 000 oportunidades de emprego. Somos já hoje um dos países com maior incorporação de energias renováveis na electricidade que consome (mais de 40%) e em 2020, 31% de toda a energia e 60% da electricidade consumida terão essa origem. Por outro lado, as fortes políticas de eficiência energética em curso, como o Programa Solar Térmico ou os Programas de colocação de lâmpadas eficientes permitirão que continuemos a crescer economicamente aumentando 20% até 2020 a eficiência no consumo de energia. Acresce que Portugal é pioneiro em domínios de grande futuro como as redes de mobilidade eléctrica, permitindo reduzir substancialmente os consumos de combustíveis fósseis e as emissões daí decorrentes no sector dos transportes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas estas apostas mobilizam a investigação dos centros de conhecimento nacionais e a sua cooperação à escala global, fomentando em simultâneo as parcerias entre as universidades e a indústria, atraindo novas fábricas e sectores produtivos e criando emprego qualificado e sustentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser pioneiro implica um risco. Portugal chega a Copenhaga alinhado com os mais ambiciosos no combate às alterações climáticas e incorporada na rede líder para o desenho duma nova economia global mais justa e viável. Sendo assim o sucesso de Copenhaga é fundamental para o mundo mas é ainda pouco mais importante para nós. Lá se jogam, a nossa qualidade vida mas também a consagração das nossas apostas de desenvolvimento. Desejo que o Pós Copenhaga seja um terreiro fértil para o Portugal que arrisca e inova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Feliz Natal para todos. Que o primeiro natal Pós Copenhaga seja de aquecimento das emoções e dos sentimentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-3998580444363306873?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3998580444363306873' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=3998580444363306873' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3998580444363306873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3998580444363306873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3998580444363306873' title='Pós - Copenhaga'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-919682751291113742</id><published>2009-12-19T13:26:00.002Z</published><updated>2009-12-19T13:31:35.817Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Malha Larga'/><title type='text'>Copenhaga - O Nosso Contributo</title><content type='html'>Portugal vai contribuir com 12 milhões de Euros anuais para ajudar os países em vias de desenvolvimento a adaptar as suas economias à luta contra as alterações climáticas. O compromisso inicial é por 3 anos e totaliza 36 milhões de euros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A participação de Portugal no fundo de apoio aos países em vias de desenvolvimento, sendo importante, não é o único e está longe de ser o maior e o mais significativo contributo de Portugal para a luta contra as alterações climáticas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior contributo de Portugal é o forte compromisso nacional com a energia sustentável e os passos pioneiros que estamos a percorrer na transformação da nossa economia numa economia inovadora e sustentável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cimeira de Copenhaga está centrada na forma de combater o aquecimento global e as alterações climáticas e na definição de compromissos ambiciosos de redução das emissões de gases com efeitos de estufa num horizonte de curto e médio prazo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Subjacente a esse debate está o desenho de novos modelos sustentáveis de organização económica e social que sendo amigos do clima e da qualidade ambiental, permitam continuar a dar resposta positiva aos anseios de crescimento e emprego que todos os povos partilham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal está em Copenhaga apoiado em resultados e metas de grande ambição, quer na inclusão de energias renováveis no seu pacote de consumo energético, quer na criação de oportunidades de emprego e desenvolvimento industrial associados a essa perspectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No horizonte de 2015 as energias renováveis mobilizarão um investimento global superior a 15 000 milhões de Euros em Portugal e criarão mais de 23 000 oportunidades de emprego. Somos já hoje um dos países com maior incorporação de energias renováveis na electricidade que consome (mais de 40%) e em 2020, 31% de toda a energia e 60% da electricidade consumida terão essa origem. Anualmente emitiremos em média para a atmosfera menos 12 milhões de toneladas de CO2.  &lt;br /&gt;Por outro lado, as fortes políticas de eficiência energética em curso, como o Programa Solar Térmico ou os Programas de promoção duma iluminação eficiente nos edifícios e nos espaços públicos permitirão que continuemos a crescer economicamente aumentando em 20% até 2020 a eficiência no uso da energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acresce que Portugal é pioneiro em domínios de grande futuro como as redes inteligentes de telecontagem e de suporte à mobilidade eléctrica, permitindo reduzir substancialmente os consumos de combustíveis fósseis e as emissões daí decorrentes, em sectores como os transportes, os serviços ou os parques residenciais. &lt;br /&gt;Estas apostas estão a mobilizar parcerias de excelência entre os centros de conhecimento nacionais e os melhores centros internacionais de investigação. Novas parcerias entre as universidades e a indústria têm permitido desenvolver clusters industriais bem posicionados na cadeia de valor, criando emprego e promovendo as exportações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novos clusters industriais estão em embrião para dar resposta às necessidades da rede de apoio ao carro eléctrico, para a disseminação da telecontagem ou para a modernização da iluminação pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os novos projectos em desenvolvimento nos domínios da energia solar, hídrica e eólica catalisam para Portugal as tecnologias de fronteira no domínio das economias renováveis. Outras fontes emergentes como a energia das ondas ou os biocombustíveis de nova geração estão imbricados na agenda de investigação e teste e estão a percorrer o caminho necessário à sua entrada na fase comercial.&lt;br /&gt;Ser pioneiro implica sempre riscos. Mas o risco da aposta numa economia moderna e sustentável é um risco que vale a pena neste alvor do milénio. Portugal chega a Copenhaga alinhado com os mais ambiciosos no combate às alterações climáticas e incorporado na rede líder para o desenho duma nova economia global mais justa e viável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A afirmação global de um País, depende da forma como chega, bem ou mal preparado, aos seus encontros com a História. Portugal chegou bem preparado à oportunidade histórica de conceber durante a sua Presidência um novo Tratado para a União Europeia (Tratado de Lisboa) e embora com menos impacto e significado relativo, chega também bem preparado para ser um dos países de referência no desenho da ordem económica e política Pós-Copenhaga. Esse será, neste tempo concreto, o nosso maior e mais impressivo contributo para um mundo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Artigo publicado em versão compacta no Jornal de Noticias - Edição de 18 de Dezembro de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-919682751291113742?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=919682751291113742' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=919682751291113742' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=919682751291113742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=919682751291113742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=919682751291113742' title='Copenhaga - O Nosso Contributo'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-5519185258370848863</id><published>2009-12-12T13:35:00.000Z</published><updated>2009-12-12T13:37:04.914Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>Sortilégio</title><content type='html'>Sendo optimista por natureza e pelas razões que aqui explanei na crónica anterior, sou no entanto mais comedido no que diz respeito ao futebol. De facto, ser optimista e “sportinguista” é uma mistura explosiva e não completamente recomendável para quem quer manter algum equilíbrio emocional no seu quotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, quero expressar o meu contentamento e optimismo com o Sorteio para o Mundial de Futebol da África do Sul. Tornou-se comum dizer que Portugal teve azar e que calhou num grupo difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas há algum grupo fácil neste mundial? Não era aparentemente fácil o grupo em que na Coreia do Sul fomos eliminados sem glória em 2002. E não foi com os mais “fáceis” que perdemos no Europeu de 2004 e na fase de grupos do Europeu de 2008?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se entra num Mundial tem que ser para ganhar, embora sabendo a baixa probabilidade de isso acontecer quando competem as 32 melhores selecções do mundo. Sendo assim, teremos sempre que enfrentar selecções difíceis. Quanto mais cedo e menos entrosadas as encontrarmos melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida trepidante dos nossos dias não reserva memória para as prestações medianas no que quer que seja. Na história só ficam as actuações gloriosas e os desempenhos desastrosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste mundial, enquadrado num grupo de boas equipas Portugal fica menos exposto ao desastre. O apuramento para os oitavos de final será um feito notável. Uma eventual eliminação dando luta e jogando bom futebol será algo normal e que depressa se esquecerá na volúpia dos grandes embates que se seguirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sorteio foi bom para Portugal. Entre uma eliminação precoce e uma empolgante final Portugal – Brasil em plena África tudo poderá acontecer e muitas emoções fortes serão vividas. Só desejo que não triunfe o discurso miserabilista que a partir de agora muitos ensaiarão enumerando antecipadamente milhentas desculpas para justificar um possível insucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sendo um fã de Carlos Queiroz e dos seus métodos frios e calculistas, gostei da forma como recebeu as novas do sorteio. Lembrou a saga dos magriços de 1966 e colocou assim a fasquia na possibilidade duma nova aventura de sucesso. Uma possibilidade tão normal como o seu contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um sorteio é isso mesmo! Um mapa para que o sortilégio do futebol aconteça. E para que aconteça a alegria ou a desilusão. A vitória ou a derrota. A vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o Grupo de Portugal é um grupo forte! Ora aí está. É um grupo forte também porque além do Brasil, da Costa do Marfim e da Coreia do Norte, Portugal faz parte dele. Estejamos pois á altura (já que não nos calhou jogar em “altura”) do desafio que nos espera quando a bola começar a rolar nas planuras africanas. À altura do Sortilégio que constitui um dos mais emocionantes espectáculos dos tempos modernos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-5519185258370848863?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=5519185258370848863' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=5519185258370848863' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=5519185258370848863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=5519185258370848863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=5519185258370848863' title='Sortilégio'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-1940744928752669266</id><published>2009-12-05T14:29:00.001Z</published><updated>2009-12-05T14:32:33.782Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>Pessimismo Vicioso</title><content type='html'>A liberdade de opinião é uma das mais extraordinárias conquistas da nossa democracia. Como todos os sistemas abertos e interligados com as dinâmicas sociais e económicas, a liberdade de opinião gerou um “mercado” para a opinião publicada. Um mercado complexo e com múltiplos nichos e formas de remuneração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mercado da opinião tem em Portugal uma característica muito marcada e que reflecte hiperbolicamente algumas das linhas fortes da nossa matriz cultural. É um mercado que valoriza desmesuradamente o pessimismo e desvaloriza o discurso positivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A verdade é que pessimismo na opinião publicada vende mais que o realismo mobilizador. Esse facto gera uma espiral viciosa. Mais pessimismo na oferta gera mais pessimismo na procura, a qual estimula a oferta que puxa a procura, estabelecendo-se assim um movimento de erosão da confiança e da auto-estima dos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em resultado desta espiral, o “fim da nação”, o seu esmorecimento, irrelevância ou submersão têm vindo a ser sucessivamente anunciados sem se concretizarem, mas também sem que esses sucessivos erros de análise e previsão belisquem o viço e o capital de credibilidade aparente dos seus profetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os anúncios recalcitrantes de catástrofes financeiras, sociais ou políticas têm sido manifestamente exagerados ao longo destas décadas de democracia, mas o dano por eles provocado tem sido forte e difícil de medir.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha convicção é que sendo o pessimismo encartado e informado, uma prática livre e legítima, tem no entanto um forte impacto negativo na sociedade portuguesa, porque se alimenta da tendência nela prevalecente para arranjar boas desculpas para não arriscar e não ousar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Com o “reforço” da mensagem pessimista perdem-se muitas oportunidades e desvanecem-se muitos projectos, acabando por dar ganho parcial de causa na apreciação dos resultados aos que com o seu discurso inquinam à partida a dinâmica que permitiria ter resultados melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou optimista e positivo por natureza, mas neste domínio não tenho grande esperança. A geração mais madura de pessimistas tem já atrás de si uma plêiade de novos pessimistas prontos a engrossar o coro e a substituir qualquer voz que desfaleça ou se atreva a mudar o tom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso é que os que sobrevivem escrevendo com ambição e coragem de acreditar têm que ser cada vez mais perseverantes. É um combate difícil e com pouco mercado, mas que toca na franja mais rica da sociedade. Na franja que quer mudar e quer vencer. Na que quer quebrar o ciclo vicioso do pessimismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-1940744928752669266?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1940744928752669266' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=1940744928752669266' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1940744928752669266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1940744928752669266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=1940744928752669266' title='Pessimismo Vicioso'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-8741584532602154704</id><published>2009-12-05T12:55:00.002Z</published><updated>2009-12-05T12:59:39.668Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Malha Larga'/><title type='text'>Mobi-E - Energia e Inovação</title><content type='html'>A crise financeira global e os cenários de aquecimento do planeta e do seu forte impacto na sociedade moderna tornaram obsoletos os modelos de desenvolvimento prevalecentes na velha ordem económica internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A inovação nos modelos de produção e distribuição da energia e nas tecnologias que lhe estão associadas, constituem agora os mais poderosos e promissores motores de recuperação das economias e de definição duma nova ordem económica global sustentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal antecipou uma escolha adequada. As apostas na concorrência e na transparência dos mercados, nas energias renováveis e na eficiência energética colocaram Portugal na primeira linha da fronteira tecnológica e abriram importantes oportunidades para a investigação e para o desenvolvimento dum forte cluster industrial, criador de emprego, gerador de riqueza, promotor das exportações e redutor indirecto das emissões de CO2 e dos desequilíbrios da balança comercial e do consequente endividamento externo do País.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal é hoje reconhecido como um País pioneiro nas energias renováveis. Ao mesmo tempo os progressos na eficiência energética têm sido notáveis, como resultado da sua inclusão como um dos pilares do programa de investimento e emprego com que Portugal mitigou o impacto da crise. Estão assim criadas as condições para avançar com um projecto pioneiro e integrador de mobilidade eléctrica, que cruza eficiência dos mercados, consumo de energias passíveis de obter em fontes renováveis, eficiência energética e combater ao aquecimento global; o Mobi-E.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o Mobi-E Portugal será o primeiro País a dispor duma plataforma integrada para a mobilidade eléctrica com disseminação por todo o território. A opção pela mobilidade eléctrica tem um fundamento claro. A mobilidade e os transportes dependem sobretudo de combustíveis fósseis e são responsáveis em média por 30% das emissões anuais de CO2 e por uma elevada percentagem da factura anual de importação de energia.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Apostar na mobilidade eléctrica significa apostar num modelo inovador e pioneiro, que permite um aproveitamento das energias renováveis e induz o desenvolvimento de tecnologias novas de carregamento dos veículos e de novos modelos e sistemas de gestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Haverá assim uma poupança directa de importações de energia e uma redução de emissões mas também uma melhoria da qualidade ambiental global e a criação de milhares de postos de trabalho na produção de baterias, postos de abastecimento e sistemas de gestão, bem como na manutenção e segurança de toda a plataforma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todos estes produtos e sistemas terão em Portugal um mercado teste, mas são pela sua natureza exportáveis para o mercado global, multiplicando o impacto económico e social do projecto.         &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mobi-E é um projecto pioneiro e desenvolvido de forma faseada, mas ambiciosa. A sua primeira fase, a concluir até ao final de 2011, levará à instalação de 1300 postos de carregamento em 25 cidades disseminadas por todo o País e de 50 postos de abastecimentos nas principais vias de ligação entre elas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será ainda promovida a instalação de pontos de carregamento em edifícios e parques de estacionamento. Para incorporar o máximo de tecnologia nacional no projecto continuará a ser promovida uma plataforma de investigação para a mobilidade eléctrica e serão apoiados programas de desenvolvimento de produtos e componentes do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sucesso do Mobi-E contribuirá para a modernização e o reforço da economia portuguesa e para a afirmação de Portugal como líder tecnológico nas energias renováveis e na eficiência energética, nas será sobretudo um projecto que beneficiará os utilizadores portugueses e que conta com a sua adesão significativa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso o Governo aprovou um sistema forte de incentivos. Para além da isenção fiscal já prevista para os veículos eléctricos, será atribuído aos primeiros 5000 particulares que adquirirem um carro eléctrico um subsídio à aquisição de 5000 Euros acumulável com o prémio de 1500 Euros ao abate de veículos de combustão interna, mantendo os incentivos fiscais já definidos para este tipo de veículos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os custos com aquisições de frotas de veículos eléctricos por empresas serão majorados em 50% em sede de IRC em 2010. A Administração Central procederá à aquisição de veículos de demonstração e utilizará pelo menos 20% de veículos eléctricos na renovação anual da sua frota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas medidas, associadas à inovação no modelo de gestão de operações, evidencia a ambição desta aposta. Uma aposta de energia e inovação focada num futuro melhor para todos nós.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Este artigo foi originalmente publicado no Caderno de Economia do Expresso de 5 de Dezembro de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-8741584532602154704?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=8741584532602154704' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=8741584532602154704' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=8741584532602154704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=8741584532602154704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=8741584532602154704' title='Mobi-E - Energia e Inovação'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-3826188881079284063</id><published>2009-11-28T18:38:00.002Z</published><updated>2009-11-28T18:42:07.040Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>Melancolia (Coisas do Alentejo)</title><content type='html'>Realizou-se dia 20 de Novembro no Convento do Espinheiro a já tradicional Gala Anual da Revista Mais Alentejo. António Sancho e a sua equipa têm vindo a conseguir fazer da Gala um grande momento de demonstração da pujança do Alentejo, da diversidade dos seus valores, da força dos seus protagonistas e da excelência das suas ofertas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, a qualidade da Gala não fugiu à regra e de novo se reuniu na iniciativa uma riquíssima selecção regional de artistas, empreendedores, dirigentes, políticos, técnicos e profissionais da comunicação, que mostraram num relance a riqueza duma terra de lonjuras e de distâncias, mas também de fraternidade e de identidade forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos foram os premiados e os laureados, em categorias elegíveis e em escolhas editoriais (prémios carreira). Não vou aqui listar os escolhidos nem destacar pessoas, projectos ou empreendimentos. Os editores certamente agradecerão que os curiosos adquiram a próxima revista, onde tudo será certamente exaustivamente reportado. Foco por isso este texto num momento que me marcou particularmente e me convocou a esta reflexão partilhada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos eleitos, na categoria de música, foi um jovem fadista que não conheço pessoalmente mas que já me impressionou nalgumas oportunidades pela qualidade e a expressividade da sua voz e da sua mensagem musical e poética. O seu nome artístico é Duarte e presenteou os convivas com a interpretação de dois temas, um dos quais muito marcante, versando a melancolia que cruza o carácter alentejano e a nossa forma de estar e de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ouvir e sentir aquele poema cantado sobre a forma de fado, ocorreu-me o profundo contraste entre a força daquele evento e a afirmação do abandono melancólico a que as gentes do Alentejo tanto gostam de se acostar! Pensei na altura nas imagens que Carmen Almeida nos legou no seu impressivo álbum de “Objectos Melancólicos de Évora” (Caleidoscópio 2005) e interroguei-me sobre as faces diversas dessa melancolia, que por um lado nos dá densidade e por outro desliga tantos de nós das forças da mudança e da modernidade que nos convocam para um tempo novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melancolia é parte de nós e da nossa maneira de ser. Faz parte do património psico-sociológico da nossa terra. É uma riqueza única e ao mesmo tempo um travão enorme ao compromisso com a acção, ao impulso para a mudança e à ambição de estar entre os vencedores, que contaminando muitos alentejanos, é no entanto escassa na plenitude da sua sociedade e da sua economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melancolia é um fado! Resta saber se cantá-la enquanto fado é um exorcismo ou um acto de acomodação! Duarte solta a voz com força e ambição. Mas a nossa voz colectiva é também ela forte e ambiciosa? Será capaz de vencer a melancolia sem destruir a força telúrica do carácter?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma pergunta retórica. Cada leitor que responda por si na sua atitude quotidiana. O futuro será o fruto dessas respostas. Da minha certamente, mas da sua também. Têm a mesma importância para o fado moenga que junto “cantamos”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os alentejanos não cantam sozinhos, nem moengas nem auroras! Cantam juntos a alegria e a melancolia. E vão saindo e vão entrando e vão aonde?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-3826188881079284063?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3826188881079284063' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=3826188881079284063' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3826188881079284063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3826188881079284063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3826188881079284063' title='Melancolia (Coisas do Alentejo)'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-3848330906852728847</id><published>2009-11-21T22:27:00.002Z</published><updated>2009-11-21T22:32:01.904Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>Economia de Proximidade</title><content type='html'>Nos últimos quatro anos a sociedade portuguesa gerou um ambicioso movimento de modernização impulsionado pelo Plano Tecnológico. Em 2008, num momento crítico, em que as medidas mais emblemáticas estavam a atingir a fase de consolidação operacional, o País viu-se compelido a enfrentar uma crise internacional profunda com fortes impactos na sua economia aberta e em mudança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento muitas foram as vozes que aconselharam que se esperasse para ver. A voltar ao porto de abrigo para partir de novo mais tarde. Venceu felizmente outra visão. A visão dos que entenderam que a aposta continuada e persistente na modernização e na mobilização da sociedade portuguesa para a mudança era a melhor forma de mitigar a crise e a única que nos permitiria chegar ao momento de viragem  da economia global, fosse qual fosse o seu quadro,  melhor posicionados para competir de forma sustentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há cada vez mais sinais de que a escolha feita foi acertada. Os recentes dados do IPCTN ou do comportamento do PIB são positivos. A nossa economia foi a terceira que mais cresceu no último trimestre na Zona Euro (0,9%). O PIB dedicado à investigação e ao desenvolvimento em 2008 atingiu 1,51% e o número de doutorados por mil activos foi já nesse ano superior a 7.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes sinais não convidam à auto-contemplação satisfeita mas sim ao redobrar do esforço e da motivação. A persistência numa agenda de modernização determinada ajudou a combater a crise. Ao mesmo tempo as escolhas inteligentes e as apostas feitas no combate à crise constituíram e têm que continuar a constituir potentes motores para a recuperação e o reforço competitivo da economia portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicia-se agora um novo ciclo político. Os portugueses sufragaram um programa económico ambicioso que contêm uma visão global para o crescimento económico baseado na modernização e na internacionalização da economia portuguesa. Uma modernização e uma internacionalização que tendo como pilares as muitas empresas e consórcios que já hoje competem na fronteira tecnológica e nos mercados mais sofisticados e exigentes, será também uma via para criar oportunidades de recuperação e reorganização de empresas e sectores com mais dificuldades.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As políticas públicas terão, na sequência do que já foi feito no combate à crise, um elevado grau de proximidade. Apostarão em levar o oxigénio dos recursos onde houver tecido económico e empresarial vivo, esteja ele onde estiver e tenha a dimensão que tiver, não para se substituir aos agentes económicos, mas para os fortalecer e para que eles possam promover redes competitivas sustentáveis.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os novos tempos são tempos para uma economia de proximidade. De proximidade entre as políticas públicas e os actores económicos, destes entre si e da nossa capacidade produtiva com os mercados globais. É um desafio para todos e que precisamos de vencer tão proximamente quanto possível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-3848330906852728847?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3848330906852728847' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=3848330906852728847' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3848330906852728847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3848330906852728847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3848330906852728847' title='Economia de Proximidade'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-9114900716995987101</id><published>2009-11-15T10:07:00.002Z</published><updated>2009-11-15T10:14:46.509Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>As duas faces</title><content type='html'>O País tem seguido com intensidade a operação “face oculta”, na qual a polícia judiciária está a investigar os meandros duma eventual rede de manipulação de contratos de remoção de resíduos envolvendo grandes empresas públicas e privadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é minha intenção comentar processos judiciais. A operação revela o uso de meios e competências policiais eficazes e assertivas, o que eleva a confiança em que se faça justiça com celeridade, para que o mais depressa possível os culpados sejam acusados e os inocentes ilibados. Abre também um inadiável debate sobre os limites ao uso desses recursos, que parecem ter sido ultrapassados com alguma ligeireza neste caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inevitável mediatização destes processos faz com que eles tenham duas faces. Por um lado têm a face da defesa da legalidade, do garante da ética económica e da punição dos prevaricadores. Por outros têm também a face dos julgamentos na praça pública, com todos os riscos que deles decorrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por muito que se explique à exaustão o contrário, a verdade é que na opinião pública as diferenças entre arguido e acusado vão sendo cada vez mais ténues. Os processos começam a ter uma grande previsibilidade. Os arguidos clamam legitimamente inocência até prova em contrário e a opinião pública exige dos ditos suspeitos que abandonem tudo o que estão a fazer para se entregarem em exclusivo à sua defesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos aqui num domínio ético de enorme complexidade. A verdade é que se o afastamento de funções dos arguidos se tornar regra, abre-se uma caixa de Pandora para quem quiser destruir carreiras e reputações de inocentes. Por outro lado se a regra for o não afastamento, algumas suspeitas podem tornar-se contaminantes e prejudiciais para as instituições. Todos conhecemos bons exemplos ilustrativos desta dupla face do problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comportamento ético do arguido é algo que ao próprio diz respeito. Temos que ser profundamente cuidadosos e frios nas generalizações ou nas reacções emocionais em domínios em que se joga a verdade, a solidez das instituições e o bom nome das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho fórmulas mágicas a propor. Por alguma razão este é um tema polémico e cada vez mais actual. Nesta crónica quero sobretudo alertar para os perigos das perspectivas maniqueístas. Não há apenas uma face oculta em tudo isto e nem sempre a face oculta é a que parece ser. Tudo na vida tem duas faces. Escolher a boa face e denunciar a má é uma tarefa ciclópica mas fundamental para o bom funcionamento das sociedades complexas do nosso tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-9114900716995987101?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=9114900716995987101' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=9114900716995987101' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=9114900716995987101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=9114900716995987101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=9114900716995987101' title='As duas faces'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-5945204454106231858</id><published>2009-11-08T17:32:00.001Z</published><updated>2009-11-08T17:38:13.108Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>Governantes em Rede (Estar ou não estar nas redes sociais)</title><content type='html'>O semanário Expresso de 31 de Outubro chamou à sua primeira página uma notícia sobre o facto de antes de aceder à pasta, o novel Ministro da Agricultura ter participado activamente nas redes sociais e em particular no “Twitter”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um sinal dos tempos. Há uns anos dir-se-ia o mesmo de quem fizesse despachos sem ser em papel ou dum governante que usasse a Internet para comunicar. Hoje, no entanto, grande parte dos governantes usa a assinatura electrónica para despachar em base desmaterializada e não dispensa a Internet para trocar informação com os seus serviços ou fontes de conhecimento. A minha previsão é que dentro de alguns anos um governante será notícia não por estar nas redes sociais mas por lá não estar.          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da minha parte participo regularmente no Twitter e mantenho activo um Blog (www.fazeracontecer.net). Não penso deixar de o fazer por ser Membro do Governo. A filosofia é a mesma que me leva a manter esta crónica semanal no DS. Não usarei estes meios para comunicações institucionais em nome pessoal, mas enquanto cidadão considero que é salutar manter canais de comunicação directa com a sociedade civil e com aqueles que de livre vontade entendem ser interessante seguir-me nas redes sociais ou neste órgão de comunicação.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É comum dizer-se que é importante aumentar a ligação entre os políticos e a sociedade, dando-lhe melhor conhecimento da realidade e dos sentimentos e aspirações da opinião pública. A participação transparente nas redes sociais não é o único nem o mais importante veículo para que isso aconteça, nem substitui o contacto directo entre eleitores e eleitos, mas dá um contributo positivo que não deve ser menosprezado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste domínio é sempre relevante citar a experiência da candidatura vitoriosa de Barak Obama. Nela, o uso da comunicação directa através das redes sociais foi decisiva para a vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Certamente com recurso a muitos assessores de comunicação, a verdade é que Obama permanece activo na rede e permite que em todo o mundo milhões de pessoas o possam seguir. Não é o único. Só para dar um exemplo marcante Bento XVI está nas redes sociais e é uma das mais de 1500 pessoas e entidades de todo o mundo cujos pensamentos eu posso seguir no “Twitter”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não penso que estar nas redes sociais seja uma condição necessária para garantir uma governação moderna. No entanto, não sendo necessária, não é também negativa nem negligenciável. Como em tudo na vida tem que haver pioneiros que arriscam e assumem os benefícios e os riscos. Decidi estar entre esses pioneiros, consciente dos riscos da decisão. Será parte do meu processo de aprendizagem política permanente. Um passo no futuro. Afinal inovar é arriscar e como diz o povo “quem não arrisca não petisca”. Espero que seja um “petisco” partilhado e útil aos que me seguem e lêem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-5945204454106231858?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=5945204454106231858' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=5945204454106231858' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=5945204454106231858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=5945204454106231858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=5945204454106231858' title='Governantes em Rede (Estar ou não estar nas redes sociais)'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-2400616978431048457</id><published>2009-11-06T19:41:00.001Z</published><updated>2009-11-06T19:43:41.095Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Correio da Manhã'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fazer Acontecer'/><title type='text'>Volto Já! (crónica de despedida no CM)</title><content type='html'>Foi muito gratificante poder partilhar com os leitores do Correio da Manhã esta crónica semanal durante mais de um ano. Neste jornal fui acolhido com grande simpatia e profissionalismo. Senti sempre um forte apoio e incentivo de toda a equipa editorial, que publicamente agradeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num quadro de confiança, foi também muito fácil para mim encontrar os temas e as palavras que semana após semana, tinham como objectivo dar um pequeno contributo para mobilizar quem me lia para “fazer acontecer” um Portugal mais moderno e competitivo. Uma mobilização que teve em conta que neste caderno se cruzam inovadores, empreendedores e gente em busca de oportunidades e sentido para a sua vida profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Agora que o quadro institucional das funções que passei a exercer recomenda que suspenda esta colaboração, já me é mais difícil encontrar as palavras adequadas à despedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Escolhi para isso um título que vagueia entre o efémero e o definitivo. Volto já, representa a atitude com que procuro estar nas coisas em que me envolvo. Comprometido para sempre e livre para partir em cada momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto já, significa também que não diminuiu a minha determinação e a minha convicção de que vivemos um tempo decisivo para o nosso País e que a atitude de cada um de nós é e chave para transformar as políticas e os investimentos em crescimento e emprego. Significa ainda que enquanto aqui não estou, ando por aí a semear ideias, desafios, propostas, politicas. A fazer acontecer ou fazer com que seja mais fácil fazer acontecer. A dar sentido e a traduzir na prática aquilo que aqui fui defendendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegámos pois à última crónica deste ciclo. Mais cedo ou mais tarde nos voltaremos a encontrar num “jornal perto de si” ou quem sabe neste mesmo, que é exemplo de sucesso dum projecto de largo espectro em constante adaptação e modernização para responder ao que o seu público ambiciona e deseja. Gostei de estar por aqui! Volto já.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-2400616978431048457?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=2400616978431048457' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=2400616978431048457' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=2400616978431048457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=2400616978431048457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=2400616978431048457' title='Volto Já! (crónica de despedida no CM)'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6505947886170807635.post-3592525657743438597</id><published>2009-11-06T19:19:00.004Z</published><updated>2009-11-06T19:40:40.544Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário do Sul'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Visto do Alentejo'/><title type='text'>Rendimentos e Produtividade</title><content type='html'>Todos os anos por esta altura se assiste a um saudável debate entre os sindicatos e as confederações patronais sobre os referenciais de actualização salarial para o ano seguinte. O debate este ano é mais rico porque tem factores novos a considerar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto de há alguns anos a esta parte a discussão tem-se centrado na reposição do valor real dos salários, depreciados pela inflação. Acontece que em 2009 a inflação será inexpressiva. Justificam-se ainda assim aumentos salariais?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha opinião as actualizações salariais devem ser pensadas em nome da sustentabilidade económica e social nos salários mais baixos e em particular no salário mínimo e com base na contratualização de ganhos de produtividade, nos salários médios e elevados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar os salários mais baixos e em particular o salário mínimo têm uma função social e uma função de alavanca da procura interna. Em segundo lugar os restantes salários devem constituir desafios para que a nossa economia se modernize e atinja ganhos de produtividade significativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A massa salarial tem um papel importante na competitividade da economia. Sabemos no entanto que muitas das economias mais competitivas do mundo têm níveis salariais elevados. A questão chave não é o custo dos factores, mas a capacidade de criar valor com esses factores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quer Portugal posicionar-se como um competidor de baixos custos de mão-de-obra, concorrendo com Países como a China, a Índia, o Vietname ou as Filipinas? Não quer e mesmo que quisesse dificilmente conseguiria! Temos então que apontar para outros patamares de concorrência, como os países do Sul da Europa ou alguns Países do centro e norte com dimensões similares às nossas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fazer esse caminho temos que convergir em produtividade e em músculo na procura interna, resultantes de melhores salários, mais valor acrescentado, mais exportações e maior capacidade de crescer e aproveitar os nossos recursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa de governo aposta num Plano Tecnológico ainda com mais ambição e num pacto para a internacionalização. A melhoria notável das competências, estruturas tecnológicas e parcerias que se verificou nos últimos anos cria condições únicas para que este movimento se reforce cada vez mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É importante que os debates sobre politicas de rendimentos se inspirem nestas dinâmicas sociais alargadas de mudança  e não em braços de ferro entre parceiros sociais ou discussões académicas sobre inflação verificada e inflação esperada.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os sinais de recuperação económica à vista convêm chocar os ovos com cuidado para que cresçam saudáveis os pilares do novo ciclo económico. Matar a galinha dos ovos de oiro sempre foi uma tentação trágica e sem futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6505947886170807635-3592525657743438597?l=carloszorrinho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3592525657743438597' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=6505947886170807635&amp;postID=3592525657743438597' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3592525657743438597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3592525657743438597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.fazeracontecer.net/./?id=3592525657743438597' title='Rendimentos e Produtividade'/><author><name>Carlos Zorrinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05203857335318280772</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.loghound.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07792238905868755918'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry></feed>