Viva a UÉ (Universidade de Évora)

A União Europeia (UE) deu mais um passo na consolidação do novo ciclo institucional com a nomeação do novo colégio de Comissários.   Não será, contudo, sobre essa UE que me debruçarei neste texto, mas sobre a Universidade de Évora (UÉ), a instituição em que me licenciei, desenvolvi a carreira universitária, cresci como professor e investigador e onde sou, desde 1999, professor catedrático do Departamento de Gestão (embora muitas vezes destacado em missões de representação democrática ou outras funções de interesse público).

Na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso (CNA) 2019/2020 a Universidade de Évora acolheu mais cerca de 1000 novos alunos, tendo 88% das colocações correspondido a primeiras escolhas dos candidatos. Segundo as previsões da universidade, uma vez terminado o processo de acesso, incluindo a formação pós-graduada, os mestrados integrados e os doutoramentos, a UÉ deve receber este ano letivo, mais cerca de 1700 alunos. 

Vale a pena sublinhar a diversidade dos cursos que conseguiram preencher a totalidade das vagas na primeira fase, que vão desde a engenharia informática, à geografia, às ciências do desporto, à medicina veterinária, ao design, teatro, história e arqueologia, ciências da educação, psicologia, sociologia, relações internacionais, turismo, enfermagem e gestão, mostrando bem, ainda que por amostra, a robustez e a transversalidade da oferta da UÉ.

Com uma identidade histórica muito forte, a Universidade de Évora tem nas últimas décadas conseguido um desenvolvimento sustentado das suas ofertas de formação e das suas capacidades de investigação e desenvolveu parcerias locais, regionais, nacionais e internacionais que reforçaram o seu posicionamento e a sua capacidade de resposta.

Este esforço foi feito num contexto difícil, tendo em conta que os modelos de financiamento nem sempre contemplam as especificidades do património histórico que a Universidade utiliza e conserva, nem consideram a fragilidade demográfica do seu campo de recrutamento de proximidade, ou seja, do Alentejo.

Num ano em que o numero de estudantes colocados na primeira fase, e nas suas escolhas preferenciais, voltou a subir em todo o País e em que a procura do sistema de ensino superior público português por estudantes de outras nacionalidades também voltou a crescer, saúdo a “minha” Universidade e todos os que a integram, pelos resultados obtidos neste concurso, que certamente lhe darão fôlego para aprofundar a sua relação com o território em que se insere e para contribuir de forma acrescida para o seu desenvolvimento. 

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Paz e Felicidade

Escrevo este texto num dia em que o borbulhar da geopolítica global não difere muito dos dias anteriores e em que as perspetivas de que algo de substancial mude no futuro próximo são mínimas. 

A evolução da relação entre a União Europeia e o Reino Unido, a formação de um governo democrático e não populista em Itália, a procura de uma solução viável e progressista em Espanha, a luta dos habitantes de Hong Kong pela liberdade de expressão, os apelos ao fim da desflorestação na Amazónia, na Indonésia, em Africa e em tantos outros pontos do globo em que o imediatismo dos mercados rasteira diariamente o valor maior da conservação da biodiversidade e das condições de vida decentes para a humanidade, a tragedia dos tiroteios mortais nos Estados Unidos, tudo isto noticiado até a exaustão, gera uma clima de catástrofe global

Em contraste, muitos estudos e apreciações sérias e quantificadas, embora não escondendo as preocupações com o futuro, demonstram que em média nunca a humanidade teve acesso a tão boas condições de vida e segurança como nestes tempos que estamos vivendo. 

Usar as médias como indicadores provoca sempre entorses na análise, sobretudo   numtempo de grandes desigualdades.  A consciência que muito pode ser melhorado e alterado na governação global e territorial nunca nos deve abandonar. Nem a consciência nem a ambição de contribuirmos para essa mudança. Não devemos seguir a avestruz e enterrar a cabeça na areia face aos problemas.

O caminho dos que não se conformam, é procurarem uma outra perspetiva e uma outra forma de olhar e de avaliar a realidade e os seus desafios, para com isso darem maissentido à vida e contribuírem para transformar para melhor o mundo que os rodeia.

Na velha, mas sempre atual dicotomia entre o ser e o ter, quanto mais valorizarmos e defendermos o que conquistámos coletivamente, designadamente o espaço de paz, liberdade de expressão e oportunidade em que ainda se vai vivendo na União Europeia em geral e na nossa terra em particular, melhor nos poderemos mobilizar para sermos protagonistas dos grandes combates pelo futuro da nossa casa comum e da humanidade.

Não podemos ser insensíveis às notícias preocupantes que nos abalroam diariamente, mas também não desvalorizemos esse bem supremo que é vivermos em paz há mais de sessenta anos e termos, com os naturais constrangimentos de uma sociedade aberta, liberdade de escolha. Com paz e liberdade podemos, na medida de cada um, procurar ser felizes e partir d para irmos mais além na concretização dos valores e dos princípios que nos animam. 


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Nas Asas de um KC-390

António Costa assinou em Évora dia 22 de agosto os contratos de aquisição de cinco aviões de transporte tático e logístico KC – 390 que serão produzidos pela Embraer e que visam substituir os Hércules C-130 que cumpriam essa missão na Força Aérea portuguesa desde 1977. A encomenda agora formalizada ascende a 827 milhões de Euros e o seu fornecimento vai envolver as duas fábricas da empresa sediadas em ÉvoraEstas duas unidades de produção são um dos pilares estruturantes da fileira aeronáutica em Portugal, que já representa mais de 1% da criação de riqueza e 3,3% das exportações nacionais
A instalação das duas unidades fabris da Embraer em Évora, uma especializada em estruturas metálicas e outra em materiais compósitos resultou de um complexo processo de captação e validação de investimento com o envolvimento de múltiplas entidades nacionais, regionais e locais e envolveu um investimento global de 148 milhões de Euros.
Na cerimónia de lançamento dos projetos, que ocorreu em julho de 2009 foram estabelecidas metas de concretização, que com as necessárias adaptações e algumas mudanças de estruturas acionistas pelo meio, têm vindo a ser paulatinamente cumpridas, criando emprego, atraindo novos negócios para a região e para o País, disseminando competências e colocando Évora e o Alentejo na fronteira tecnológica no domínio das indústrias aeronáutica e aeroespacial.
Acompanhei o investimento da Embraer em Portugal e em particular o investimento nas duas fábricas antes referidas desde o momento em que foi preciso conquistá-lo para Portugal, em competição com muitos outros países interessados, até à fase em que os atores regionais e locais tiveram a capacidade de fazer de Évora a localização mais competitiva no território nacional
A partir dessa altura, pelas funções de representação política que me foram confiadas e por interesse académico e científico, fui continuando a acompanharas etapas de construção, de criação de competências e de desenvolvimento de produtos. 
Como em todos os grandes projetos nem tudo têm sido facilidades e conheço as críticas que muitos fazem a algumas das políticas e opções da empresa. No entanto,cada vez que pelos ares do planeta, em missões de logística, transporte ou salvamento, realizando missões operacionais, táticas ou estratégicas de âmbito civil ou militar, voar um KC-390 ou outra aeronave com componentes produzidos no nosso Alentejo, será um pouco também do conhecimento, do esforço e do saber das gentes da nossa terra que estará a voar na rota de um futuro melhor.  

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Eleitoralismo ou normalidade democrática?

Aproximando-se a passos largos as eleições legislativas em Portugal e estando um governo em plenitude de funções é inevitável que por cada medida tomada ou por cada omissão verificada surjam acusações de eleitoralismo. Importa por isso distinguir bem a governação em curso da escolha democrática agendada para 6 de outubro, fazendo uma correta diferenciaçãoentre o papel do Governo e o papel dos numerosospartidos e movimentos políticos, desde o partido que assume a governaçãoaos membros da plataforma parlamentar que a tem viabilizado ou os partidos que protagonizam a oposição.
Na apreciação deve também ser tida em conta a flexibilidade, a maleabilidade e a diversidade introduzidas pela extensão do arco da governação a todo o hemiciclo parlamentar, com naturais reflexos nas dinâmicas da sociedade civil. 
Em período pré-eleitoral (a campanha oficial é curta e tem regras próprias) compete aos partidos políticos legalmente habilitados fazer a apreciação da legislatura, valorizar ou criticar o que nela foi feito e apresentar alternativas específicas ou globais para o próximo ciclo. Quanto mais concretas e fundamentadas forem as apreciações e as propostas feitas mais rico poderá ser o debate e mais profundo o envolvimento dos cidadãos na escolha coletiva que serão chamados a realizar.
A ação do Governo define-se num outro patamar. O seu papel é conduzir até ao fim o mandato que lhe foi outorgado, considerando que qualquer que seja o resultado das eleições de 6 de outubro, o XXI governo constitucional em funções se extinguirá e será sucedido em condições de normalidade por um novo governo, no caso o XXII do atual ciclo aberto pela aprovação em 1976 da Constituição da Republica em vigor.
Muitos dirão que é mais fácil fazer esta distinção entre partidos e Governo no plano teórico do que no plano prático, sobretudo no que se refere ao partido que assume a governação e que tem como candidatos a deputados em lugares de destaque muitos dos governantes em plenitude de funções. Esta observação merece reflexão, mas encerra em si mesma um sinalpolítico de enorme significado.
Ao longo da nossa história democrática, por vicissitudes várias, muitos governos se procuraram esconder no momento do julgamento eleitoral para não prejudicar o resultado dos partidos associados. Se o atual Governo continua a governar e a fazer, na sua perspetiva, o tem que ser feito, é porque se sente confiante e legitimado para levar até ao fim o mandato que lhe foi outorgadoDeve fazê-lo sem hesitações. A sua avaliação livre e transparente será feita em breve.

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Hospital Central do Alentejo - O Futuro Agora

No dia 9 de agosto de 2019 foi publicada em Diário da República a resolução do Conselho de Ministros que autoriza a Administração Regional de Saúde do Alentejo a realizar uma despesa de 150 milhões de euros mais IVA para construir o novo Hospital Central do Alentejo, habilitando aquela instituição a lançar imediatamente o concurso internacional para aexecução, tendo por objetivo a entrada em funções da nova estrutura até final de 2023.
A publicação do diploma é mais um passo histórico no esforço realizado por muitas pessoas e instituições para reforçar a qualidade da oferta dos cuidados de saúde em Évora, no Distrito e na Região.
Neste momento de júbilo e responsabilidade é justo recordar as duras batalhas para operacionalizar o Hospital do Patrocínio como estrutura essencial do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), homenageando através dessa decisão a memória de Vasco Maria Eugénio de Almeida, segundo conde de Vilalva e grande impulsionador do Patrocínio como centro oncológico regional e melhorando em muito as capacidades hospitalares de Évora e da região que o HESE serve.
É tempo também para lembrar quem com coragem abriu o concurso para a realização do projeto do novo Hospital Central, projeto esse que foi realizado pelo consagrado arquiteto Souto Moura, para lembrar também quem já mais recentemente procedeu à reprogramação do programa de financiamento Alentejo 2020 abrindo espaço para o lançamento do concurso.
Em todo o caminho de reforço das estruturas de saúde no Alentejo nas últimas décadas pode ser identificado um claro padrão de comportamento. Avanço, às vezes difícil e lento, mas avanço, sempre que o governo central foi assegurado pelo PS e estagnação ou recuo sempre qua essas funções foram exercidas pela direita. 
Celebrar esta conquista é olhar para o futuro com ambição. O novo Hospital Central do Alentejo não pode ser apenas mais um Hospital. Tem que ser um centro de formação de quadros e de inovação de práticas que dê resposta às necessidades de prestação de cuidados de saúde no século XXI, num contexto regional de difícil atratividade de profissionais qualificados e grande dispersão dos utentes. 
Tem por isso que combinar competências, tecnologias e modelos inovadores e ser um Hospital do Futuro a servir as pessoas do presente. É o próximo desafio que todos juntos temos que vencer.  
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Um sorriso Africano

Por razões familiares e profissionais desde muito cedo que a minha vida se tem cruzado com África. Enquanto ser humano multicultural e resultado de múltiplas experiências de vida, sou também um produto dos horizontes de África, dos seus cheiros sabores únicos, dos seus ritmos e saberes e da miríade de formas de ver e de estar dos seus povos.
Voltei lá recentemente, desta vez a S. Tomé e Príncipe, na transição entre um ano profissional tão gratificante como extenuante e uma enorme vontade de parar uns dias e respirar alguma tranquilidade. 
Foi bom mergulhar de novo na paisagem quente e luxuriante e nos horizontes sem fim, mas o que mais me tocou o coração, e não foi a primeira vez que isso sucedeu naquele grandioso continente, foi o luminoso sorriso das crianças, a ingenuidade feliz das suas brincadeiras, a alegria esfusiante com que aparentemente cumprem o dia a dia do seu crescimento.   
Sem querer generalizar, a perceção geral que tive foi que vivendo muitas vezes nos limiares mínimos das condições de dignidade, o sorriso das crianças africanas contrasta com os sinais de stress que por vezes encontramos nas crianças europeias e de outras zonas do globo, vítimas das vidas agitadas e do stress dos modelos de vida competitivos predominantes, sobretudo nos territórios urbanos.
Os sorrisos das crianças africanas, tantas vezes expressos em condições extremas de desconforto e insegurança, responsabilizam-nos ainda mais para trabalharmos no quadro da comunidade internacional e das parcerias para o desenvolvimento, para que essas crianças tenham acesso à educação, a uma alimentação saudável, a uma vida decente e a cumprirem os seus sonhos de vida. O sorriso não pode ser desculpa, mas antes inspiração e fonte de motivação para agir.
No meu primeiro mandato no Parlamento Europeu fui membro efetivo da Comissão Política da Assembleia Parlamentar paritária União Europeia – África, Caraíbas e Pacífico (UE/ACP) e Vice-Presidente do Grupo de Interesse do Parlamento Europeu com os Países de Língua Oficial Portuguesa. No mandato que agora se inicia sou de novo membro efetivo da Assembleia Parlamentar UE/ACP. É minha intenção reforçar ainda mais o meu trabalho pelo desenvolvimento da parceria UE/ACP e da parceria com África em particular.
Uma boa cooperação com África tem que preservar o sorriso das crianças e trazê-lo até nós, contaminando-nos com a sua alegria de viver, e partilhar em troca, as ferramentas para os que nascem em África possam continuar a sorrir pela vida fora, e a serem felizes e a viverem em prosperidade e em paz nas suas terras e como cidadãos do mundo, se for essa a sua escolha.  

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