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Autarcas



Estamos a menos de um ano de novas eleições autárquicas. Serão eleições muito diferentes daquelas que caracterizaram a nossa história democrática. Pela primeira vez, devido à lei da limitação dos mandatos, muitos autarcas não se poderão recandidatar. Este facto introduzirá uma dinâmica acrescida de mudança e de renovação.


Por outro lado, as autarquias têm sido objecto dum forte ataque do poder central, diminuindo os seus recursos, aplicando normas de redução da autonomia, baralhando a organização administrativa, extinguindo freguesias e dificultando as políticas de proximidade. Não é, por isso, um ciclo de vacas gordas aquele que se augura para o novo ciclo autárquico. Por essa razão, a qualidade dos candidatos e dos projetos tem que ser ainda melhor. Mais do que nunca os nossos Concelhos e Freguesias precisam de ser servidos pelos melhores e pelos mais experientes.


Pode haver quem pense que não havendo muita obra física possível de concretizar, o desempenho autárquico que se aproxima será menos apetecível e reconhecido pelos munícipes.
Na minha opinião ocorrerá o contrário. O próximo ciclo de autarcas (e os deste ciclo que prosseguirem a sua missão), terão um duplo papel crucial para as suas terras e para o País. Em primeiro lugar, serão os provedores das pessoas e das respostas de proximidade de que as comunidades vão necessitar cada vez mais. Em segundo lugar, serão estes autarcas que desenharão e aplicarão o quadro financeiro de nova geração e usarão os fundos comunitários 2014/2020 para consolidar dinâmicas sustentáveis nos seus Concelhos ou Freguesias.

Se o atual modelo institucional não implodir, os governos nacionais terão cada vez mais um papel de mediadores e reguladores entre os poderes supranacionais, em particular os poderes sediados nas instituições europeias e os poderes locais. Neste quadro, precisamos de interlocutores locais com forte conhecimento, experiência, afinidade com as suas gentes, determinação e se possível bons contactos e boa inserção nas redes locais, nacionais e internacionais.


Ser Autarca com qualidade nos tempos em que vivemos é desempenhar um serviço público muito relevante. Da mesma forma, ser candidato nas próximas eleições autárquicas é aceitar um enorme desafio de cidadania.


Num tempo em tanto se desvaloriza a ação política é fundamental que a desmotivação não se apodere de quem serve ou pode vir a servir o bem público através do exercício de mandatos democráticos de âmbito local. Os bons autarcas, são hoje por hoje, um dos melhores esteios da nossa democracia. Merecem reconhecimento, incentivo e homenagem.



















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