Primavera Ibérica




 

Se a democraticamente legítima mas politicamente negativa intransigência presidencial se continuar a sobrepor ao interesse do País teremos em Portugal eleições legislativas apenas em Setembro ou Outubro de 2015. A boa planificação do novo ciclo orçamental e de desenvolvimento justificava a meu ver que o Presidente da República promovesse um consenso para a sua antecipação para a Primavera. Em Espanha as eleições legislativas deverão ocorrer em Novembro de 2015.

 

Portugal e Espanha têm sido governados nos últimos anos por governos conservadores no plano social e ultra liberais na proteção dos interesses económicos mais poderosos. De alguma forma 2015 convoca-nos a sonhar com uma Primavera Ibérica como aquela que a revolução dos cravos despoletou em 1974, mesmo que nos calendários tenha que ser uma Primavera ocorrida no Outono.

 

Em 1974 e nos anos seguintes, primeiro Portugal e depois a Espanha deixaram a ditadura e tornaram-se democracias. Espero agora que ambas, e em sequência de pronunciamentos populares democráticos, saiam do regaço da direita e reganhem a autonomia do sonho e da autonomia estratégica.

 

As direitas que lideram em Portugal e Espanha têm no entanto algumas diferenças. Os conservadores espanhóis avançaram com 62 projetos de investimento para o plano Juncker. No domínio da educação propõem-se investir 3,9 biliões de euros em bolsas para estudantes em dificuldade. Do governo português, até ao momento em que escrevo este texto ainda não se conhece qualquer projeto. Tal como a Alemanha e a Holanda, Portugal é um dos países ativamente contra o plano de recuperação do crescimento europeu que está a ser concretizado pelo novo presidente da Comissão Europeia, sobre pressão dos socialistas e democratas.

 

Teremos uma Primavera ibérica no próximo Outono? O mercado das previsões não está fácil. Em Espanha o fenómeno “Podemos” parece intrometer-se na aritmética com cada vez mais pujança e em Portugal o populismo de esquerda e de direita começam a conquistar pequenas bolsas de respiração.

 

Esta constatação só aumenta a responsabilidade do Partido Socialista (PS) e do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Um bom trabalho conjunto para o recentramento estratégico da Península pode dar aos dois partidos trunfos acrescidos nos seus pleitos eleitorais.

 

No passado Soares abriu as portas a Gonzalez e Zapatero a Sócrates. Chegou agora o tempo de Costa marcar um ritmo de vitória que possa ser acompanhado por Pedro Sanchez. A Primavera Ibérica pode ser no Outono desde que seja um tempo de renascimento das ideias e da esperança.   

 

 

 
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