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choque de sustentabilidade

Nas eleições de 2005 o PS propôs aos eleitores um choque tecnológico como forma de impulsionar o País para uma nova plataforma competitiva. Traduzido numa agenda de mobilização e num compromisso de acção, designada como Plano Tecnológico, a ideia política do choque tecnológico multiplicou-se em políticas, medidas e iniciativas e melhorou os indicadores de suporte à competitividade em Portugal, com reflexo numa forte convergência com os indicadores de inovação da União Europeia.

Com o Plano Tecnológico e com a sua apropriação pelas políticas públicas, pelas iniciativas particulares e pelos cidadãos, Portugal está hoje melhor preparado do que há quatro anos para enfrentar a crise sistémica que assola o mundo. Torna-se por isso relevante reflectir, num contexto de renovação da legitimidade democrática, sobre a relevância e a oportunidade de prosseguir a agenda de modernização iniciada em 2005.

A agenda do Plano Tecnológico é hoje uma agenda consolidada na sociedade portuguesa. A irreversibilidade das suas principais dinâmicas é um dado adquirido e uma boa notícia para Portugal. Prosseguir essa agenda não deve ser um mero acto de continuidade e de inércia. Face à crise global, Portugal precisa agora dum choque tecnológico de nova geração. Precisa dum choque de sustentabilidade.

Um choque de sustentabilidade significa antes de mais um refinamento das escolhas e das opções tendo por base as condições de vida das pessoas. Criar as condições para que um número cada vez maior de portugueses possam viver melhor é a ambição legítima dum compromisso político progressista que tenha em contas os constrangimentos de crescimento e de criação de emprego gerados pela crise.

O choque de sustentabilidade é uma ponte para um novo patamar de avaliação económica mais centrado na qualidade de vida percepcionada do que nos indicadores quantitativos de criação de valor. Os seus pilares são diversos e parte da descoberta está ainda em curso. No entanto, vectores como as energias renováveis e a qualidade ambiental, a mobilidade sustentável, a eficiência e a promoção da inteligência a conectividade física e digital do território ou a disponibilização de serviços de proximidade altamente qualificados no domínio da saúde, da educação e do apoio aos negócios, são indispensáveis para garantir o impulso dum choque de sustentabilidade efectivo e credível.

Em larga medida as políticas de recuperação e resposta á crise implementadas pelo Governo são já uma transição entre o choque tecnológico e o choque de sustentabilidade, ou entre o Plano Tecnológico e o Plano Tecnológico de Nova Geração.

Melhores escolas, mais energias renováveis e melhores redes de banda larga, são o exemplo de medidas que têm um impacto imediato na criação de riqueza e de emprego, mas cujo impacto se projecta no tempo e cria condições para a evolução para uma sociedade mais equilibrada, equitativa no acesso às oportunidades e positiva na criação de contextos favoráveis á afirmação dos indivíduos e das comunidades.

No tempo em que vivemos a estabilidade política é um dado fundamental para enfrentar com sucesso os desafios. Estabilidade política implica mandatos claros e visão estratégica. Quem implementou com sucesso um choque tecnológico é quem está mais qualificado para prosseguir na senda da modernidade, concretizando o choque de sustentabilidade de que Portugal precisa.
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