Europa em Jogo (Para alêm do EURO 2016)




Embora estejamos em plena época de Campeonato Europeu de Futebol não é a esse jogo que me quero referir nesta crónica. De facto, neste Verão de 2016 não é apenas futebol de seleções que se joga. De alguma forma e continuando a usar uma imagem desportiva, o futuro do projeto europeu também vai ao desempate por pontapés da marca de grande penalidade.

Existe uma perceção generalizada de que a Europa está em crise. Essa perceção entranhou-se nos povos europeus não obstante a União Europeia continuar a ser o maior e mais promissor mercado do mundo, o território que mais valoriza as práticas de defesa do ambiente e preservação do planeta, a região que mais coopera e ajuda financeiramente os países em desenvolvimento e o espaço onde os direitos sociais são mais respeitados e onde a democracia é mais consistente e sólida.

A questão é simples. Tudo isto é verdade mas a tendência não é para se reforçar, mas para se diluir e daí o sentimento de perda e frustração da maioria dos cidadãos europeus. O desafio que daqui resulta é claro. Não é dividindo-se que a Europa ultrapassa a crise que atravessa. É reforçando-se e consolidando-se.

São muitos os fatores que contribuem para o “mal-estar” europeu, mas o mais estrutural tem a ver com a contradição entre as regras da globalização desregulada e os fatores positivos de diferenciação que antes enumerei. Esses fatores são intrinsecamente positivos mas criam limitações de competitividade global a muitos setores da economia europeia.

O que fazer. Ajustar as nossas regras às regras prevalecentes é destruir a nossa identidade e aquilo que temos de melhor. Deixar tudo como está é ir morrendo devagarinho. Temos que chutar com força e ao ângulo! Temos que trabalhar juntos para através das múltiplas negociações internacionais, designadamente dos tratados comerciais, impormos as nossas regras de humanidade e sustentabilidade como referências para as relações económicas globais.

Como escrevi recentemente neste espaço, cada País europeu individualmente, mesmo a Alemanha, são pouco mais do que irrelevantes no plano das negociações económicas internacionais. Esta crise não é uma crise como as outras. Não fazer nada é derrota certa. Tal como o será, se os diversos países começam a marcar golos na própria baliza. Vejamos o que acontece já dia 23 no Reino Unido. O meu desejo é claro. Espero que no fim de mais este campeonato a União Europeia esteja em condições de levantar mais uma vez as taças da paz e do desenvolvimento sustentável.

 

 

 

 

 

 
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