Chuva de Euros




 

Com a decisão de Mario Draghi e do Banco Central Europeu de apagarem a fogueira destruidora da estagnação e mesmo da deflação provocada pela austeridade obsessiva, comprando mensalmente 60 mil milhões de euros de dívida pública dos Países do Eurogrupo, ocorrerá nos próximos meses um fenómeno curioso. Choverão Euros no Terreiro Paço.

 

Mas caro leitor, antes de se preparar para ir até à bela praça lisboeta, é bom que saiba que será uma chuva que todos poderão ver (mesmo a centenas de quilómetros de distância) mas só Maria Luis Albuquerque poderá colher, dado que a liquidez se destina a comprar dívida pública. É assim a vida. Tantas empresas e famílias sequiosas de liquidez e a “taluda” vai diretamente para o regaço de quem nunca a quis.

 

Durante anos António José Seguro e depois António Costa, conceituados economistas e até o Presidente da República pediram esta intervenção corretiva do Banco Central Europeu. A Alemanha com o apoio dos governos submissos, em particular do Governo português de Passos Coelho, Portas e Gaspar / Luis, sempre se opôs. Mas a corda esticou. A teoria da austeridade foi um fracasso que deixou nos seus escombros milhões de pobres e desempregados. Por isso um novo ciclo se abrirá a partir de agora.

 

A questão chave é saber o que fará com o novo fôlego, um governo que se especializou em cortar e não em desenvolver, em secar e não em regar, em arrancar em vez de cuidar?

 

 Mais do que nunca Portugal precisa de um novo governo com uma nova atitude e os recentes desenvolvimentos só vêm dar razão aos que defenderam que no interesse nacional as eleições deveriam realizar-se no primeiro semestre deste ano e não no Outono.   

 

Não é nada confortável ter uma economia profundamente endividada e estagnada e saber que a grande ferramenta de desempanagem está nas mãos de quem provocou o descalabro a que chegámos. Valer-nos-á neste caso a oportunidade de mudar de rumo nas legislativas do final do ano e a barreira que os ideólogos da austeridade encontrarão cada vez mais na Europa.

 

O papel determinante da Presidência do Socialista do Italiano Matteo Renzi na mudança da estratégia europeia para combater a crise, deita por terra todos os que alegam que face aos Tratados, a matriz ideológica de quem os interpreta e aplica não faz a diferença. Faz e faz muito. Até faz choverem Euros no Terreiro do Paço, que esperamos possam dar força à economia real e não serem acomodados a suprir buracos financeiros feitos à revelia das portuguesas e dos portugueses.

 

 

 
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