Em nome dos nossos filhos

Com a aproximação das eleições europeias que em Portugal decorrerão no domingo, 26 de maio, vamos ter cada vez mais acesso a estudos e projeções que procuram antever os resultados eleitorais e os níveis de participação. 

Dos estudos até agora disponíveis, e sem entrar neste espaço em considerações de caráter partidário, podemos concluir que as gerações mais idosas e que viveram diretamente ou indiretamente o flagelo das guerras e dos conflitos que ocorreram na Europa na primeira metade do século XX, estão mais motivadas para votar e defender o projeto europeu do que a geração dos seus filhos, em que me incluo, e que viveu a plenitude da sua vida num quadro de paz no território da União Europeia. 

O mesmo acontece com as gerações mais jovens, que embora declarem ir votar nos estudos, numa percentagem superior àquela com que depois votam efetivamente, têm feito escolhas maioritárias a favor do projeto europeu, ou, como no caso do BREXIT, a favor da permanência do Reino Unido na União. 

Dirijo-me, pois, neste texto à minha geração. Os nossos pais e os nossos filhos são muito mais pró-europeus do que nós. Existem razões múltiplas para que isto tenha acontecido. 
A União Europeia não foi suficientemente forte na defesa dos seus valores fundadores de justiça e solidariedade. As desigualdades aumentaram. Muitos dos nossos sonhos de juventude foram totalmente ou parcialmente frustrados.

Tudo isto marca-nos, e por vezes entristece-nos, mas a nossa resposta não deve ser a indiferença, o alheamento e a abstenção. Antes pelo contrário, na nossa idade o comboio da participação ativa e da cidadania está a parar pelas últimas vezes na estação da nossa vida. Este é o momento de subirmos para a carruagem e sermos parte da definição do trajeto.

Se não nos sentirmos motivados a fazer isso por nós, façamo-lo em memória ou homenagem aos nossos pais e em nome dos nossos filhos e dos nossos netos. Eu já estou em jogo e gostava do vos ver por aqui também a lutar por aquilo que acreditam, a ganhar ou a perder, mas a lutar pela paz, pela democracia e pela liberdade.

Ficar na bancada, aplaudindo, assobiando ou simplesmente ignorando o que se passa no recinto das decisões, pode ser confortável, mas em política significa ter um peso insignificante no resultado. Ter um peso insignificante no mundo que vamos deixar aos nossos filhos e aos nossos netos. Eles merecem mais e melhor.
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