EM Nome da Felicidade




A crise veio para ficar. As receitas da direita neoliberal falharam e já ninguém acredita que sejam solução. Sobrevivem apenas pela inércia dos poderes instalados e pela acomodação de muitos que os deveriam combater.



Sobrevivem também porque as receitas da esquerda democrática não têm sido suficientemente apelativas. A adaptação para os nossos dias dos ideais da revolução francesa, da liberdade, da igualdade e da fraternidade, parece demasiado panfletária e pouco pragmática. Os populismos vencem sem apelo nem agravo os programas populares. Os cidadãos preferem entregar a “alma ao diabo” do que assumirem o protagonismo das suas vidas e serem parte ativa da mudança e do progresso que todos ambicionamos.



Foi sobre este diagnóstico desafiante que decidi refletir na minha participação na obra coletiva editada recentemente pela Vega e intitulada “À Esquerda da Crise”. Nela Luis Amado escreve sobre “ a crise, a esquerda e a globalização”, João de Almeida Santos discorre sobre “ A crise ou o fim de um paradigma”, Conde Rodrigues reflete sobre o “Estado de Exceção”, João Cardoso Rosas sobre “(In) justiça na Crise”, Rui Pereira sobre “a segurança num mundo inseguro”, Guilherme de Oliveira Martins sobre “ A Europa como Vontade e Representação” e finalmente eu aventurei-me pelo tema da “Política e Felicidade”.



A sociedade da afluência deixou-nos amarrados a padrões de consumo e de afirmação que levam ao extremo o nosso medo, Uma sociedade tolhida de medo agacha-se e agachados não vamos a lado nenhum. Por isso defendo o primado da felicidade como ausência de medos. Só uma sociedade feliz (sem medo) pode dar sentido aos valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Por isso precisamos proclamar a felicidade como o quarto pilar dos valores da revolução global.



Mas como se promove a felicidade nos tempos de hoje? Como se combatem os medos da implosão social, da exclusão individual ou da irrelevância? Eis um novo desafio para as políticas públicas e para as dinâmicas sociais. Uma nova matriz para os programas políticos da esquerda moderna. Uma fresta de oportunidade para enfrentar e destronar a supremacia das narrativas da direita neoliberal.



Em nome da felicidade escrevi o ano passado um ensaio (Ensaio sobre a Felicidade – Bnomics 2012) e participo agora nesta obra coletiva (À Esquerda da Crise – Vega 2013). Em nome da felicidade continuarei a minha luta de cidadania por um mundo melhor.

Comentários
Ver artigos anteriores...