Muros

No dia 9 de novembro assinalou-se o trigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim. O evento foi evocado por todo o mundo democrático e em particular pela União Europeia. O Parlamento Europeu dedicou-lhe uma sessão especial no plenário de dia 13 de novembro.

Quando o mundo caiu tinha eu trinta anos. Tudo aquilo que esse acontecimento significou para mim acelerou e reforçou o meu envolvimento político, o que viria a ter como consequência a minha eleição em 1990 como Secretário Coordenador da Federação de Évora do Partido Socialista e a eleição em 1995 como Deputado à Assembleia da República, tornando-me desde então, além de académico, um representante político com múltiplos e estimulantes desafios.    

Os tempos de implosão da política de blocos, simbolizada de forma marcante pela queda do Muro de Berlim, foram tempos de grande excitação democrática e em que muitos acreditaram que as nuvens do totalitarismo e da liberdade cerceada jamais voltariam a pairar sobre a Europa.

A História, ao contrário do que alguns auguraram já mostrou, no entanto que não se deixa domar nem antecipar.  É uma construção permanente e que resulta da vontade e da ação cívica dos cidadãos, de quem os representa democraticamente ou de quem, de forma consentida ou imposta, os tutelam.

Quem defende com convicção e consistência os valores da igualdade, da liberdade, da tolerância e da justiça tem que cuidar deles permanentementepara que dessa forma se consigam sobrepor às tentações dos interesses, dos radicalismos e da fragmentação das sociedades, com o objetivo de melhor as dominar e controlar.

A fragmentação da representação parlamentar e a ascensão de forças radicais, fenómeno que ainda recentemente se verificou nas eleições em Espanha, constitui um enorme desafio para os defensores de uma democracia moderada, inclusiva e dialogante.

Importa por isso refletir, ainda que de forma breve, sobre o que deve ser hoje a moderação em política. Acredito que deva ser a norma na metodologia de ação política, mas isso não pode significar ambiguidade nas propostas, ausência de escolhas claras e impasses na decisão.

Adiar escolhas, no financiamento, na arquitetura do euro, na estratégia de defesa e noutros temas estratégicos não resolve nada. A União Europeia tem que ganhar músculo e capacidade de decisão forte, clara e transparente. Esta será a melhor forma de celebrar os 30 anos da queda do muro de Berlim, criando um antídoto contra a construção dos novos muros, físicos, psicológicos ou políticos, que procuram minar o projeto europeu.


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