Democracia e Diálogo (A propósito da Venezuela)

São tantas as catástrofes humanitárias e políticas com que somos confrontados diariamente, que somos tentados e quase forçados a relativizar para sofrer menos com vai acontecendo. As notícias que nos chegam da Venezuela, outrora um dos países mais prósperos da América Latina, e onde vivem há muitas décadas quase meio milhão de portugueses e se estima haver mais de um milhão de luso descendentes, são arrepiantes.

Segundo relatos de organismos internacionais independentes, uma parte significativa da população da Venezuela sobrevive com extremas dificuldades de acesso aos bens de primeira necessidade e aos medicamentos. A insegurança aumenta todos os dias. Centenas de milhares de pessoas já tiveram que se refugiar em países vizinhos para procurar encontrar condições mínimas de sobrevivência, provocando situações de tensão e de crises humanitárias nos países de acolhimento.

Em vários debates sobre a situação na Venezuela, no Parlamento Europeu ou promovidos por instituições da sociedade civil, tenho defendido que a questão venezuelana precisa para ser resolvida de diálogo e democracia. Infelizmente o diálogo é algo que parece cada vez menos viável e a democracia está de novo posta em causa com a marcação para dia 20 de Maio de eleições presidenciais antecipadas, em relação às quais o Parlamento Europeu considerou, em resolução aprovada com 75% de votos a favor, não estarem garantidas condições de participação idênticas para todos os candidatos, nem estar assegurada a imparcialidade da Comissão de Eleições.

O Parlamento recomendou a suspensão do processo eleitoral em curso e a convocatória de eleições respeitando as normas internacionais, designadamente os critérios da Organização dos Estados Americanos (OEA) para que o Governo que os Venezuelanos escolherem de forma legítima e transparente, possa responder àcrise e promover a reconciliação nacional.

Abordo este tema pela proximidade com que acompanho os temas da América Latina no Parlamento Europeu em múltiplas delegações e como copresidente do Fórum Latino, para partilhar uma constatação cada vez mais evidente no mundo atual. Devemos respeitar as diferentes formas como no mundo se aplicam os princípios democráticos, mas não devemos prescindir de lutar por eles. Adegradação do diálogo e da democracia conduzem a mais desigualdade e mais sofrimento para a maioria da população.

Os regimes autoritários são maus para os povos. Não lutar pela democracia é abandonar à sua sorte uma grande parte da humanidade. O mundo precisa cada vez mais de diálogo e democracia.


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