Liberais (em causa própria)


 




Na minha recente intervenção no plenário do Parlamento Europeu, feita durante a sessão que antecedeu a votação do novo colégio de Comissários liderado por Juncker, afirmei que o ataque feito às economias dos Países do Sul está a ter um efeito boomerang e a fazer pagar caro agora a economia dos outros povos europeus, incluindo a economia alemã.


A estagnação da Alemanha é a prova que faltava para poder dizer sem receio e com frontalidade que a receita da austeridade falhou. Sempre me pareceu evidente aliás que iria falhar e sempre aqui o escrevi. Agora o falhanço é oficial e confirmado pelos indicadores.

 
A economia é a ciência do equilíbrio entre a oferta e a procura e entre as necessidades e os recursos. Os gurus da austeridade incentivam dois movimentos que provocam desequilíbrio e são como tal inimigos do equilíbrio. Por isso é que me custa chamar-lhes ultraliberais ou mesmo só liberais. Os liberais à séria deixam funcionar o mercado doa  a quem  doer. Estes liberais em causa própria, escolhem a dedo em quem vão bater, quem vão empobrecer e quem vão enriquecer.


Duas palavras-chave marcam a receita falhada. Mais produtividade que significa produzir mais com os mesmos recursos e mais competitividade, que na versão da receita da austeridade significa salários mais baixos e menos custos de produção. O investimento e o incremento do rendimento disponível das famílias são ideias proscritas.

 

Por isso a economia aumenta o potencial produtivo, emprega cada vez menos gente, paga cada vez menos e depois não tem procura sustentada e afunda, deixando à tona os paraísos fiscais e os grandes conglomerados atulhados de tesouros. Tão atulhados que por vezes alguns são atirados borda fora com grande estrondo.

 

O afundamento está a provocar uma janela de oportunidade para quando as águas baixarem. Mudemos a paisagem económica e política. Esta receita falhou.

 

 

 

 



 

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