Ética e Política (Sobre a polémica Mendes / Rangel na U.V. do PSD)


As intervenções de Marques Mendes e Paulo Rangel na Universidade de Verão do PSD trouxeram para a ribalta política a questão sempre actual da relação entre ética e política.

Este facto credita mérito para Carlos Coelho que vem conseguido preservar aquela Universidade como um oásis de abertura num Partido asfixiado e demérito para a direcção do Partido que com as suas estranhas escolhas na formulação das listas de candidatos à Assembleia da República trouxe para a ribalta o tema pelas piores razões.

Mas já que o tema está em cima da mesa analisemo-lo com frieza. Considero a ética a mais nobre das questões políticas. É por isso que a ética ao contrário do que disse Paulo Rangel não pode ser substituída por doses de conhecimento. O saber não ocupa lugar e muito menos o lugar da ética.

Sendo a ética a mais nobre das questões políticas, ela também não pode ser imposta ou atestada por qualquer juízo normativo ou legal. O julgamento ético é mister da política e não do tribunal.

Marques Mendes tem razão na substância em relação à importância da prevalência ética na política, mas já não a tem quando coloca a bitola ética dependente de lógicas normativas e processuais. O Estado de Direito não pode transformar-se numa “ Republica de magistrados” para citar a expressão de Rangel. Nem numa Republica de doutores como parece desejar o novel deputado europeu.

Em síntese, a relação entre ética e política chegou á ribalta do debate político em Portugal por razões políticas, ou seja, porque o PSD não valorizou politicamente a ética na escolha de alguns dos seus candidatos. Mendes e Rangel confrontam duas visões radicais na avaliação do tema. Usam-no como arma de arremesso político interno e de radicalização do fraccionamento político do maior Partido da Oposição.

Este facto é algo que deve ser eticamente sublinhado e assinalado. De resto, eles que se entendam. O importante é que a política se pratique com sentido ético, incluindo a penalização política de quem não o faz.
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