Web Summit - As escolhas de Costa

Na semana de 4 a 7 de novembro, Portugal recebeu o maior evento global sobre a internet e os seus impactos futuros dos negócios e na vida em sociedade. A escolha de Portugal para a realização do evento teve obviamente a ver com a reputação positiva do Pais, como destino turístico, histórico, criativo e seguro. Se qualquer destas premissas não se verificassem, por maiores que fossem as contrapartidas e os incentivos comerciais ou financeiros, muitas das personalidades que aceitaram intervir na Web Summit em Portugal não o teriam feito.

Muitos questionam o custo –benefício desta realização. Não tenho duvidas que ela é altamente benéfica para o nosso País, porque o coloca no radar da inovação disruptiva, porque atrai dezenas de milhares de visitantes com elevado poder de compra e grandes possibilidades de aqui quererem voltar para outros eventos ou simples turismo, porque permite um contacto dos empreendedores portugueses com uma amostra de grandes decisores mundiais, porque transmite uma imagem sólida de confiança e segurança do nosso País e porque faz com que muitos que apenas acedem ao evento pelas redes fiquem com a vontade de, mais cedo ou mais tarde, conhecerem o País onde tudo isto acontece.  

Saliento um ponto que me parece essencial. Um grande evento internacional na fronteira tecnológica é aquilo que é. Não o devemos menosprezar nem sobrevalorizar. Fez por isso muito bem António Costa em ter acorrido a uma reunião do grupo dos países da coesão, em Praga, para lutar pela salvaguarda dos fundos estruturais de proximidade para promover a coesão e a convergência, em vez de ter cedido ao palco fácil e de alta visibilidade da abertura do Web Summit, muito bem entregue ao anfitrião Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e ao Ministro de Estado para a Economia e a Transição Digital.

O Primeiro-ministro português foi, no entanto, profundamente consequente nas suas escolhas. Se na sessão de abertura da Web Summit estava em Praga a defender os recursos para o desenvolvimento de proximidade, na oportunidade que teve, posteriormente, de visitar o evento, não hesitou em defender a aplicação de impostos sobre a criação de valor das grandes empresas tecnológicas, que beneficiando direta ou indiretamente de uma panóplia de bens públicos têm que ser também solidárias no seu financiamento.  

Muito se fala da falta de coragem e visão estratégica dos políticos democráticos dos nossos dias. A escolhas de António Costa em relação à Web Summit demonstraram estratégia e coragem. Nem tudo, na Europa e no Mundo, é farinha do mesmo saco.
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