Contra o Preconceito




 

As estapafúrdias, arrogantes e preconceituosas palavras proferidas pelo Ministro das Finanças Holandês e (ainda) Presidente do Eurogrupo, Jeroem Dijsselbloem, sobre a forma como os Países do Sul supostamente gastam os seus recursos e depois pedem ajuda para pagar as contas, mereceram o repúdio de todo o País.

 

Essas palavras alertaram-nos de forma impressiva para os perigos dos preconceitos e para a necessidade de os eliminar se quisermos continuar o percurso de paz e progresso encetado há sessenta anos pelos Pais fundadores da União Europeia.  

 

O holandês, pela posição institucional que ocupa, tinha particulares obrigações de não dizer o que disse e como disse. O fosso em que colocou o seu partido nas eleições holandesas mostra que continua a haver esperança na robustez da democracia representativa para separar o trigo do joio.

 

Mas dito isto, e já tanto se disse e escreveu sobre este caso, cada um de nós deve também refletir sobre outros preconceitos que muitas vezes determinam opiniões, juízos de valor e decisões.

 

Permitam-me neste texto evidenciar dois preconceitos que todos os meus leitores identificarão como marcantes na sociedade portuguesa e que são intrinsecamente injustos.

 

Em primeiro lugar o preconceito contra os alentejanos (e algarvios, que muitos qualificam de alentejanos sem travões) e a ideia arreigada que sendo gente boa, são pouco dados ao trabalho e ao esforço. Quando se olha para os desempenhos que os alentejanos vão paulatinamente concretizando em todos os setores públicos e privados da vida nacional, rapidamente compreendemos que a ideia da sua menor disponibilidade para fazer acontecer é um preconceito. Infelizmente muitos tiveram que abandonar a sua terra para mostrar o seu valor, mas a grande maioria, esteja onde estiver, honra o Alentejo em pé de igualdade com as outras regiões do País. 

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Outro preconceito marcante da nossa sociedade é a ideia de os representantes políticos são pouco empenhados, pouco informados e tendencialmente corruptos. A  designada “classe política” em democracia representativa, é a escolha e o espelho da sociedade que representa. Como em todas as áreas da sociedade, também na representação política há gente excelente e gente que não honra os mandatos que lhe foram atribuídos.   

 

Há quem diga, e eu concordo, que os políticos deviam dar o exemplo. Uns darão e outros não. Depende dos preconceitos e das eventuais distorções de personalidade, mas tomar a “nuvem por Juno” é sempre má conselheira das boas análises e das apreciações justas.
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