Credíveis?





Uma das ideias chave da propaganda oficial do Governo é a afirmação de que Portugal é um País com pouca credibilidade interna, mas com grande credibilidade externa. O recente estudo (da auditora BDO GLOBAL) que nos coloca como o 21º País do mundo mais perigoso ara investir e ao mesmo tempo como uma hipótese de investimento para apenas 10 em cada 1000 empreendedores globais veio destruir esse mito e essa linha de comunicação.



Esta notícia deixa-me triste. Sou daqueles que dizem o que têm a dizer no plano interno mas no plano externo valoriza sempre a atratividade de Portugal e o seu importante potencial, independentemente de quem o governa ou desgoverna.



Não nos iludamos. Portugal com a sua dependência económica e a sua subserviência política não é neste momento um país atrativo nem interna nem externamente. E uma coisa não pode ser desligada da outra.



Como podemos querer atrair investidores e empreendedores vindos de fora se os nossos melhores recursos aproveitam todas as frestas e oportunidades para se deslocalizarem e emigrarem?



O núcleo de amigos dos meus filhos e a minha forte ligação ao meio universitário permitem-me contactar regularmente com muitos jovens em fase de conclusão dos seus estudos superiores. Para a maioria dos jovens portugueses com que falo a emigração já se inculcou como um desígnio. Como a saída primeira e preferencial. Como um destino escrito pelas circunstâncias do momento.



Vale a pena perguntar de novo? Como queremos convencer os estrangeiros a investirem e a viverem em Portugal se os melhores de entre nós “querem” partir na primeira oportunidade?



Enquanto o Governo em vez de incentivar e emigração dos jovens não for capaz de os mobilizar para um futuro melhor, não há propaganda, por mais competente que seja, capaz de resistir ao choque da realidade.



Se as coisas persistirem como estão (e não poderão estar assim muito mais tempo) Portugal continuará a ser um País simpático, acolhedor, com tradição histórica, mas sem qualquer atributo de modernidade que nos permita ser credíveis na economia global do século XXI.



Não somos credíveis. Temos elevado risco de investimento. Não somos atrativos. Falhou a política de internacionalização da nossa economia, não obstante o bom comportamento de alguns setores exportadores.



Credibilidade? Sem mudança de políticas e de protagonistas, parece - me cada vez mais uma batalha perdida no plano interno e no plano externo.



































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