A Luta pela Supremacia (Em defesa e uma Convenção Europeia)




 

A História da Europa, em particular no último milénio, em que se foram consolidando as nações e os impérios, é uma história de guerras, mais ou menos longas, mas sempre sangrentas e destrutivas. Os tempos de Paz foram sempre interlúdios para preparação da guerra, numa luta brutal pela supremacia, vista como um caminho de segurança e proteção.

 

Alianças de matriz diversa, criaram-se e eclodiram a um ritmo vertiginoso. As guerras devastaram a Europa e muitos territórios sobre sua influência. Já no século XX, a luta pela supremacia na Europa conduziu à eclosão de duas Guerras Mundiais.  

 

Nestes tempos conturbados porque passa a União Europeia, vale a pena aprender com a história e tentar combater a “profecia” de Mark Bloch, de que a história se repete sempre em ciclos cada vez mais acelerados.

 

Em boa verdade a profecia já foi quebrada uma vez, com a emergência do projeto europeu. O desenvolvimento da União Europeia não terminou com a conflitualidade bélica no território europeu, mas reduziu-a drasticamente. Durante os últimos sessenta anos a paz predominou sobre a guerra no continente europeu e sobretudo no território abrangido pela União.

 

No entanto, o enfraquecimento notório da União a que estamos a assistir desde o despoletar da crise financeira de 2008, ressuscitou sinais preocupantes, que indiciam que várias nações europeias se estão de novo a preparar para a luta pela supremacia. O regresso da guerra generalizada ao território europeu, sobre as múltiplas formas que uma guerra pode assumir nos tempos de hoje, ainda é um cenário longínquo, mas já é um cenário plausível.

 

No atual quadro de globalização, a divisão da Europa numa luta pela supremacia no continente, além de perigosa, significará a irrelevância do continente e em particular da sua península e território atual da UE, hoje ainda uma potência global com peso económico e político. 

 

Acredito que a luta pela supremacia que faz sentido é a luta pela disseminação global de alguns valores marcantes da União Europeia. A supremacia na adopção global de modelos de respeito pelos direitos humanos, pela liberdade política, pela aceitação da diversidade e da diferença, pela cooperação entre os povos e pela proteção do planeta.

 

Defendo por isso a convocação urgente de uma Convenção Europeia para retomar os caminhos do progresso, da tolerância, da paz e do desenvolvimento com rosto humano e sensibilidade ambiental. Será uma decisão arriscada? Não fazer nada é muito mais.

 

 

 

 
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