A era das conexões

Desfeitas as certezas e assumidas as consequências da complexidade, o mundo vai tacteando à procura de novas narrativas e novas referências. Somos ao mesmo tempo protagonistas e observadores de um “salto quântico” nas dinâmicas de mudança tornando difícil mas aliciante a tarefa de delimitação de linhas de rumo no meio da turbulência.

Vislumbram-se no entanto algumas tendências pesadas. Uma delas é a tendência para a multiplicação de interacções que vai criando uma matriz mais relacional que racional na evolução da sociedade. Vivemos numa era de conexões em que a comunicação e as comunicações são a chave para a criação de valor económico e social.

É para esta realidade que nos temos que preparar. Dotar as pessoas de ferramentas para vencerem na era das conexões é por isso uma prioridade da governação moderna.

A chave do sucesso na era das conexões é a capacidade de pensar e agir de forma global, com base em informação apropriada. Isso implica conhecimento para interpretar, tecnologia para aceder e confiança para transformar.

Dominar a língua nativa e pelo menos um outro idioma global, desenvolver mecanismos de raciocínio criativo e adquirir competências no uso das tecnologias de informação e comunicação, são os apetrechos mínimos que um modelo formativo adequado aos novos tempos tem que proporcionar.

É este o contexto em que medidas estruturantes do Plano Tecnológico como a disseminação do ensino do inglês no ensino básico, a facilitação do acesso ás redes de banda larga e a aplicação de metodologias mais abertas e interactivas de ensino nos diversos graus do processo de aprendizagem, devem ser avaliadas e valorizadas. Enunciadas desta forma parecem coisas de pouca monta. Na sua essência traduzem uma agenda política ambiciosa e inovadora.

Noutro tempo histórico fomos capazes de ser pioneiros na preparação para uma era de conexões através da descoberta de novas terras e de novos caminhos para as atingir. Estaremos hoje de novo à altura do desafio? As condições estão a ser criadas para uma resposta afirmativa, mas a resposta tem que ser dada por cada um de nós na atitude e na capacidade de se fazer à aventura.
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