Casa Comum - a propósito dos 150 anos do conceito de Ecologia




Dia 11 de Outubro, juntamente com a minha colega parlamentar italiana Elena Gentile, tive a honra de patrocinar a realização no Parlamento Europeu de uma sessão comemorativa dos 150 anos da definição do conceito científico da Ecologia, organizada pela Fundação Europeia de Ecologia, que tem como Vice-Presidente a professora da Faculdade de Ciências da Universidade Cristina Máguas.



O estudo da terra enquanto casa comum e sistema complexo traduzindo uma visão ecológica do mundo em que vivemos vem de tempos imemoriais. No entanto, foi em 1866 que o cientista alemão Ernst Haeckel definiu a ecologia como a ciência que estuda “as interações entre os organismos e entre estes e o ambiente em que vivem”, ou seja os múltiplos ecossistemas e as relações que se estabelecem neles e entre eles.



Depois de 1866 muitos outros cientistas e divulgadores fizeram da ecologia uma ferramenta central para compreender o mundo e para alertar para a necessidade de preservação das ligações vitais que o tornam perene e sustentável.



Tendo estudado na Universidade de Évora, numa altura em que a licenciatura em Gestão de Empresas tinha uma especialização em Gestão Agrícola, fiz uma disciplina curricular de Ecologia e fui aluno dos Professores Gonçalo Ribeiro Telles e Cruz de Carvalho, grandes paladinos da visão ecológica. Ao patrocinar o evento antes referido, quis também lembrá-los com respeito e admiração.



Das múltiplas intervenções que preencheram a tarde de debate e reflexão, foi particularmente marcante a abordagem de Joshtrom Isaac Kureethadam, Professor de Filosofia e Ciência e Diretor do Instituto de Ciências Politicas e Sociais da Pontifícia Universidade Salesiana de Roma, que sublinhou o papel do Papa Francisco e da sua encíclica “Laudata Si” como o renascer da ecologia, adaptada aos desafios do século XXI e aos riscos que corre a nossa casa comum.



Kureethadam é autor de um excelente livro em que destaca as dez ideias ecológicas mais importantes contidas na referida encíclica. A nossa participação enquanto cidadãos na preservação do planeta e da dignidade humana é uma forma de sermos agentes ativos da visão ecológica. O Papa Francisco, quase 150 anos depois da definição do conceito de ecologia, baseia nessa perspectiva a sua esperança num novo começo baseado na cidadania ativa.



Cada um de nós pode e deve ser um protagonista da defesa da sustentabilidade do planeta, contribuindo com a diversidade das nossas experiências e dos nossos saberes, para aumentar a massa crítica que poderá permitir que as decisões no mundo sejam mais amigas do ambiente e das pessoas. É uma forma de celebrarmos todos, os 150 anos da ecologia na nossa casa comum. 
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