Sítios de Paz



Vivi em plena cimeira Eurolat (Europa/América Latina) que decorreu em Florença, na mesma altura da visita a Roma e a Bruxelas de Donald Trumpo impacto brutal do atentado ocorrido em Manchester, a seguir a um concerto para um público jovem. A incredulidade, a raiva e o medo percorreram a espinha dorsal da nossa sociedade. Em boa verdade, embora sem qualquer guerra declarada, não me senti naqueles dias como vivendo num território de paz.

Quis a coincidência da agenda que ao voltar a Portugal, tivesse na agenda a participação no Paço dos Henriques, nas Alcáçovas, um encontro da Rede Europeia de Sítios de Paz (ENPP - European Network of Places of Peace), de que aquela linda vila alentejana e também a vila alentejana de Évora Monte fazem parte.

Nas Alcáçovas e em Évora Monte, em momentos diferentes da nossa história o entendimento sobrepôs-se à discórdia e abriram-se caminhos mais ou menos duradouros para a convivência pacífica entre os povos. Assim foi também nos outros sítios europeus que integram a Rota da Paz em certificação pela UNESCO.

Ao dirigir-me aos participantes no encontro acentuei a minha convicção que para além dos discursos e dos apelos institucionais à paz e da necessidade de manter dispositivos dissuasores dos atos de guerra convencional ou de nova geração, é hoje cada vez mais importante embeber todas as políticas concretas dos valores que conduzem à mobilização dos indivíduos para serem os primeiros garantes da convivência saudável e da segurança entre os povos e as comunidades. 

As reações extremas de pânico, abstração ou reação “olho por olho” não promovem nenhuma solução. Precisamos reforças as identidades múltiplas com que se constrói o dia-a-dia da nossa sociedade, no plano individual, familiar, local, regional, nacional ou supranacional. Em cada medida e em cada ação têm que estar presentes os valores essenciais.

Por exemplo, que sentido faz impulsionar a nova sociedade digital europeia se nela não incluirmos as condições para o acesso inclusivo, para a proteção da privacidade, para a criação de oportunidades de criação de valor, para o reforço do orgulho de ser europeu e viver num territórios livre e potencialmente próspero?

No magnífico Paço dos Henriques, oportunamente recuperado pela ação de Bengalinha Pinto e da sua equipa, a rede liderada pelo alentejano Eduardo Basso proporcionou que um encontro de sítios de paz se projetasse daquilo que foi para aquilo que terá que ser. É um movimento que nos deve inspirar a todos. O mundo precisa de nós para continuar a ser, num perímetro o maior possível, um sítio decente para se viver.








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