A Força da Bola

Num tempo de recomeço das várias competições futebolísticas, quer ao nível das equipas nacionais, quer ao nível dos clubes, um estudo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa veio confirmar cientificamente algo de que todos os que vivem com paixão este fenómeno já há muito suspeitavam.

 O referido estudo demonstra que foi o futebol e em particular a organização do Euro 2004 e a boa campanha realizada pela nossa selecção nesse Campeonato que iniciou o processo de recuperação da segunda e terceira geração da diáspora portuguesa no mundo para o orgulho de se afirmarem como portugueses ou descendentes de portugueses nas comunidades em que se inserem. Embora o Estudo não analise este vector, não custa pensar que o impacto em regiões do globo onde a presença portuguesa se fez sentir ao longo da história também tenha sido positivo.

Por outro lado, um pouco por todo o mundo, muitos jovens que nada têm a ver com Portugal procuram com curiosidade saber mais sobre o País onde nasceu Cristiano Ronaldo e no qual, dizem os seus irmãos mais velhos, também nasceram Figo e Mourinho. Ao fazê-lo, vão também descobrindo que este berço de génios da bola, teve ao longo da história, e continua a ter hoje, outras genialidades, fruto da força e da têmpera duma nação de marinheiros que sempre venceu quando zarpou e se diminuiu quando se deixou acostar.

Por muito que isso custe a alguns de nós, legitimamente avessos à magia do desporto rei, o futebol é um dos veículos determinantes através do qual a nossa identidade de nação rede se consolida e a imagem de Portugal se projecta. Ainda recentemente vi com surpresa anunciar a transmissão da Liga Portuguesa num dos mais importantes canais mundiais de desporto com impacto em diferentes Países Asiáticos. Com essas transmissões vai também uma imagem dum País moderno, multicultural, com estádios que surpreendem pela sua beleza e funcionalidade (e infelizmente pela baixa taxa de ocupação nalguns jogos).

A importância geoestratégica e económica do desporto ficaram bem evidentes nos recentes Jogos Olímpicos de Pequim. Concordo com os que acham que vale a pena investir mais nas múltiplas modalidades que compõem o calendário olímpico, pelo benefício da prática e pela projecção da imagem. Não concordo no entanto que isso tenha que ser feito retirando recursos á formação no futebol, que tem sido uma das actividades de valor acrescentado com mais sucesso no nosso País. 

O Futebol português está cheio de coisas menos positivas, processos, desconfianças, salários em atraso, abuso de contratações duvidosas. O que faz sentido não é no entanto varrer o lixo para debaixo do tapete desvalorizando a força da bola! É mais inteligente exigir rigor, qualidade e transparência e usufruir de um activo que poucos Países com a nossa dimensão podem ostentar com a força com que nós podemos.





 

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