Visto de Casa (16/04)

Há boas perspetivas em relação à tomada de posição que hoje, o plenário do Parlamento Europeu que está a decorrer, vai assumir relativamente à resposta coordenada da União Europeia em relação à pandemia e às suas consequências. Os quatro maiores grupos pró-europeus do Parlamento, incluindo os conservadores do Partido Popular Europeu PPE, os Socialistas e Democratas do S&D (em que me incluo) os liberais e centristas do Renew e os ecologistas dos Greens, chegaram a acordo para aprovar umaresolução conjunta globalmente positiva

O debate e a votação da resolução decorrem ao longo de todo o dia no plenário virtual do Parlamento Europeu, podendo prolongar-se por sexta-feiraPropostas de alteração serão certamente apresentadas, sobretudo pelos grupos que ficaram fora do compromisso, pelo que é prematuro cantar vitóriaantes de feitas todas as votações.

Dar-vos-ei conta atempada do que for proposto para recolocar a União Europeia no caminho da cooperação e da solidariedade. Um caminho de onde nunca devia ter saído.

A comunicação social livre e responsável tem um papel fundamental na promoção da cidadania e da transparência em sistemas democráticos. Isso acontece sempre e com maior acuidade em situações de crise profunda e complexa como a que estamos a viver. 

Não podendo enumerar todos os órgãos de comunicação que tem feito em termos nacionais, regionais e locais, um verdadeiro serviço público em circunstâncias muito difíceis, deixo uma palavra especial ao Diário do Sul e à Radio Campanário, órgãos nos quais mantenho uma colaboração regular. Saudando-os a eles, saúdo o esforço sério de toda acomunicação social portuguesa. O que não é sério não é para aqui chamado.

É cada vez mais difícil ler, ver e ouvir notícias, sobretudo notícias sobre a dimensão sanitária da pandemia. Sobre os impactos económicos e sociais e a forma como eles estão a ser mitigados, há naturalmente opiniões diversas, mas há uma linha editorial percetível. Já sobre a pandemia em si e às formas de a combater, num mesmo jornal ou serviço informativo podemos encontrar tudo e o seu oposto.

Anda tudo as apalpadelas, mas ninguém o reconhece. Opiniões e discrições comunicadas como definitivas num momento, são no minuto seguinte destruídas por outras opiniões e discrições também apresentadas com sendo a “ultima cereja do bolo”. Falta uma linha editorial para contextualizar a incerteza e a diversidade. A poesia é importante, mas não sozinha não chega para desempenhar esse papel.    

Este é um tempo em que todos ansiamos por sinais. Ontem, no final de uma reunião com especialistas, o Presidente da República deu um sinal contido de esperança aos portugueses. Pediu um esforço continuado e rigoroso em abril, para que maio possa ser um mês de transição para a retoma progressiva da vida social e económica. 

Não podia Marcelo ter sido mais cuidadoso na mensagem. Espreitei as ruas do meu bairro. Cumprindo as regras, eram muito mais. Mas ainda é abril. Até amanhã, com muita saúde para todos.
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