Brasil




 

O Brasil é um “continente”. Maior que a Europa e com uma população jovem e a crescer, o Brasil enfrenta hoje enormes desafios, ou dores de crescimento, em larga medida provocadas por ter deixado de ser um País emergente com benefícios vários resultantes desse estatuto, para passar a ser uma potência integrante do G20, ou seja do clube dos países líderes à escala global. 

 

Como Vice – Presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as relações com o Brasil reuni recentemente com o poder Executivo, Legislativo e Judicial daquele País, que os laços de cultura e de história, nos levam a qualificar como País irmão.

 

A crise política e económica, com reflexos sociais, que o Brasil está a viver não nos deve fazer esquecer o trajeto de grande sucesso trilhado nos últimos 25 anos. Um sucesso conseguido em democracia, respeito pelos direitos humanos e redução das desigualdades, o que o distingue de outros países emergentes que no plano estritamente económico também fizeram trajetos de êxito.

 

A União Europeia integra 28 Estados Soberanos muito diversos. No meio da diversidade e das múltiplas prioridades, a sensibilidade para a importância das relações da UE com a América Latina em geral e com o Brasil em particular exige um esforço permanente, mas que vale a pena fazer.

 

No plano comercial, depois do grande acordo Estados Unidos / Pacífico e do avanço do Acordo Estados Unidos / Europa (Parceria Transatlântica), a não concretização de um acordo entre a Europa e os Países do Atlântico Sul em especial dos países do Mercosul cujo principal integrante é o Brasil criaria uma situação grave de desequilíbrio entre o Pacífico e o Atlântico por um lado e entre o Atlântico Norte e Atlântico Sul por outro, que não seria bom para o mundo e muito menos para Países como o Brasil e Portugal.    

 

No plano económico, o papel do Brasil no sucesso duma agenda de descarbonização da economia, que permita suster o aquecimento global e ao mesmo tempo criar uma nova dinâmica de crescimento sustentável é fulcral. O Brasil lidera o designado grupo dos 77, hoje incluindo muito mais de cem países, sem os quais nenhum acordo global significativo será alcançado na Cimeira de Paris. E esse acordo sendo importante para a humanidade, é sobretudo crítico para zonas económicas em risco de estagnação como a zona do Mercosur ou a UE.

 

Finalmente no Plano Político a experiência de desenvolvimento em democracia do Brasil torna-o um importante aliado da UE na defesa de valores humanistas para a globalização económica, política e financeira.

 

Em síntese, a mensagem que quero transmitir depois de todos os debates mantidos em Belo Horizonte e Brasília é muito simples. A União Europeia precisa do Brasil e o Brasil precisa da União Europeia. Os responsáveis brasileiros têm uma consciência forte desta realidade. Os europeus estão dispersos e divididos. Em nome da Europa, mas também de Portugal reforçar a cooperação entre a EU e o Brasil é uma prioridade que merece todo o esforço bilateral.

 
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