Armadilha Orçamental



 

Os beneficiários indirectos do regime de iniquidade que o Governo está a concretizar já não têm argumentos para defender as políticas de fracasso económico e social perante o povo. Só lhes resta um argumento minimalista que eles vão repetindo até à exaustão. A ideia de que não há alternativa e de que um Governo do PS seria obrigado a fazer o mesmo.

 

Esta afirmação é gratuita e não incorpora o princípio da dinâmica democrática. Obviamente que um governo PS não terá a subserviência crédula que este governo tem a receitas falhadas. A demonstração está no programa alternativo de consolidação económica que esteve em cima da mesa em Julho e que a teimosia de Passos Coelho fez abortar.

 

Mais importante do que isso no entanto, é que um Governo do PS alargado às outras plataformas progressistas na sociedade portuguesa não se deixará enredar na armadilha do orçamento. Os nossos problemas orçamentais resolvem-se na economia real e não dentro da esfera financeira. Nessa esfera a espiral recessiva está enfunada e em roda livre. Precisa de ser travada a partir de fora.

 

Vem aí um pacote financeiro de 22 mil milhões de euros de fundos estruturais. Temos que os saber usar para desarmar a armadilha financeira.

 

Em primeiro devemos exigir um perfil de pagamento da dívida adequado à sustentabilidade da nossa economia e depois puxar por ela. Como? Apostando nas áreas em que temos evidentes potencialidades competitivas como o turismo, as florestas, a energia limpa, os serviços tecnológicos, as indústrias criativas, os clusters inovadores das indústrias tradicionais e da agro-pecuária de nova geração.

 

Mas o que é apostar? É mobilizar as pessoas, fazê-las acreditar e focalizar as políticas públicas para melhorar o contexto competitivo e capitalizar quem faz bem e tem capacidade de competir à escala global.

 

Muitos perguntarão. Será justo apostar em quem já lidera embora sem dimensão crítica sustentável? E os outros?

 

Os outros ganham de forma indirecta com o arrastamento provocado pelas cadeias de valor. E ao ganhar também eles criam dimensão, sinergia, emprego e mercados de procura cruzada que são fundamentais para a concorrência externa.

 

Habituados ao protetorado dos serviços monopolistas ou intangíveis os beneficiários da crise proclamam que não há alternativa. Em democracia as escolhas funcionam ou falham quando se cumpre a vontade popular. A escolha deste governo e desta política falhou. É tempo de dar uma oportunidade à mudança e iniciar outro caminho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

        
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