Visto de Casa (15/04)

Escrevi neste espaço que uma União Europeia cuja origem primordial foi uma resposta solidária e coordenada a uma guerra mundial que provocou dezenas de milhões de mortos e devastou o continente, não pode ter uma resposta de meias tintas à catástrofe sanitária, económica e social provocada pela pandemia, sob pena de perder o seu sentido e o seu propósito.

Em consequência, muita gente me tem perguntado se com as decisões aprovadas no Eurogrupo essas meias tintas foram ultrapassadas e a União voltou a estar ao nível que era seu dever? Ainda não.

A União Europeia começou muito mal a sua resposta conjunta à pandemia, mas foi acertando o passo. O agregado de medidas já tomadas permite cumprir os mínimos olímpicos para assegurar uma resposta imediata aceitável. 

Num ano em que a XXXII Olimpíada aprazada para Tóquio teve que ser adiada, arrisco continuar nestametáfora desportiva. Os mínimos olímpicos foram atingidos no curto prazo, mas a União tem que mostrar agora a sua força e pujança no desenho e concretização de um Plano de Recuperação económica e social robusto, coeso e vencedor. Se as meias-tintas não são aceitáveis, o mau cimento ainda o é menos.

Nos últimos dias tenho trabalhado com afinco, em articulação com os meus colegas eurodeputados do PS e do Grupo dos Socialistas e Democratas em que nos integramos, para que o Parlamento Europeu na sua reunião plenária de amanhã, aprove uma orientação forte e inequívoca no sentido do que antes expressei. Dar-vos-ei conta do que for conseguido.

Ontem foi publicada em múltiplos órgãos de comunicação social de toda a Europa, e em Portugal na plataforma digital do jornal Público, uma tomada de posição de 180 representantes políticos, dirigentes empresariais, sindicais e de organizações da sociedade civil, em que me integrei, que se constituíram como uma aliança europeia para mobilizar os decisores e os cidadãos para uma recuperação sustentável da economia.

Como afirmamos no documento, a recuperação europeia exigirá investimentos maciços, coordenados e solidários, repensando a sociedade e desenvolvendo um novo modelo de prosperidade, de forma tornar a Uniãomais resiliente, mais protetora, mais soberana e mais inclusiva 

Planos não faltam. O pacto ecológico europeu (Green Deal) é um guia de referência e um bom ponto de partida, assim haja dinheiro e vontade política para lhe dar o músculo e a celeridade de concretização que a situação exige.

Subscrevi a aliança por uma recuperação verde e convido-vos a juntarem-se a ela, nas vossas reflexões, nas vossas decisões e nas vossas escolhas. Só trabalhando em conjunto conseguiremos contrariar o desencanto. Até amanhã, com muita saúde para todos.  











Comentários
Ver artigos anteriores...