Os Filhos de Santiago (as respostas progressistas para o futuro)




 

Entre 27 e 29 de Abril tive a oportunidade de participar em Santiago do Chile numa reunião do Fórum Progressista Mundial. Além de dinamizar um debate sobre a relação entre soberania fiscal e ação política, pude também partilhar uma estimulante troca de pontos de vista sobre o futuro da política e da sociedade, com jovens líderes progressistas de diversos Países Latino – Americanos.  

 

Os “filhos de Santiago” com que debati eram mulheres e homens entre os 25 e os 30 anos que ascenderam a lugares de grande relevo e responsabilidade nos seus Partidos e muitos deles serão em breve os líderes dos seus povos e das suas nações. Constituem por isso uma amostra extraordinária da primeira geração global e digital que vai mandar no mundo. As suas perspetivas e inquietações são um assunto central a que devemos estar atentos.

 

Aproveitei o debate, que passou por quase todos os temas chave da atualidade global, para questionar o painel com dois temas que me parecem determinantes nos dias de hoje.

 

Em primeiro lugar, como pode a nova geração líder combinar uma cultura de experiências mais ou menos efémeras, levada até à exaustão pela aceleração provocada pela revolução digital, com a persistência necessária para ultrapassar os grandes bloqueios ao progresso sustentável.

 

Em segundo lugar, num contexto em que a identificação supera largamente a representação, como se pode evitar que as políticas e os programas progressistas não sejam subjugados pelo populismo, como claramente aconteceu nas designadas revoluções “bolivarianas” que se espalharam pela América Latina na primeira década deste milénio.    

 

Não eram perguntas de resposta fácil. Sublinho algumas ideias que retive das respostas e comentários que as questões suscitaram. A nova geração sabe ser persistente se as causas forem mobilizadoras. Essas causas não têm no entanto coincidido com as causas que mobilizam os partidos tradicionais, mesmo os partidos progressistas. É preciso criar uma plataforma política multigeracional em torno de três ou quatro grandes causas cuja solução implique uma transformação transversal e progressista no mundo.

 

 Por outro lado, a representação política contínua a ser fundamental, mas tem que ser acompanhada de identificação e proximidade. Se os representantes não forem populares então as pessoas refugiam-se num ícone populista, seja ele de direita ou de esquerda.

 

Com os Filhos de Santiago aprendi muito e fiquei mais otimista em relação ao futuro. A nova geração está aí para agarrar o testemunho e continuar a caminhada da humanidade rumo ao encontro com ela própria e com o sentido da existência. Os jovens progressistas não faltarão à chamada.  



  
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