Reflexo do Nada

Num momento em que o PS se prepara para debater no seu XIV Congresso matérias de grande relevância para o País, como a aposta nas qualificações, o investimento público criador de emprego e riqueza, a organização do Estado, a política fiscal ou a igualdade de direitos, grassa no maior partido da oposição uma polémica sobre a imagem ou a ausência de imagem da sua líder.

Não quero interferir nas questões internas do PSD. A opinião que aqui quero expressar é uma opinião de princípio. Não é um sinal muito gratificante para a maturidade da nossa democracia que um Partido relevante do arco da governação se centre na imagem, sem aparentemente perceber que esta é sempre o reflexo duma mensagem.

É verdade que na sociedade da comunicação em que vivemos, a imagem é fundamental para potenciar ou prejudicar uma mensagem, mas quando não há mensagem é impossível sobreviver muito tempo com base numa imagem que é o reflexo de nada.

Que imagem robusta se pode construir em cima duma mensagem negacionista. Duma mensagem que risca o investimento estratégico do mapa, considera não exequíveis políticas básicas de apoio às famílias e às empresas e corta cerce qualquer esperança ou proposta com uma lógica reducionista de avaliação estrita do “saldo de caixa”.

Nos últimos anos em todo o mundo assistiu-se a uma erosão da política compensada por doses técnica e marketing. Os resultados estão á vista. Ou pelo menos estão á vista de quase todos. No maior Partido da oposição em Portugal continua a haver muito quem não queira ver.

Os portugueses sabem que o problema da oposição em Portugal não é de imagem. É de ausência total de alternativa e de soluções para os problemas das pessoas, das empresas e do País.
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