Temos Filme (Sobre a abertura do CC em Évora)

Temos Filme
A inauguração recente em Évora de um centro comercial moderno e adaptado às novas tendências da procura tem um significado que vai para além da abertura de mais uma grande superfície.

A história do agora designado Évora Plaza está repleta de avanços e recuos e muitas outras vicissitudes. Entretanto, Évora viu-se privada de algumas ofertas que são próprias duma cidade universitária com longa tradição, capital regional de média dimensão epatrimónio mundial. A ausência de salas de cinema foi talvez o exemplo mais chocante, mas a falta de uma oferta com o perfil da que é proporcionada por exemplo pela FNAC, também não abonava a favor da qualidade de opções para o público consumidor da cidade e da região.  

Referi o cinema e a loja de conteúdos culturais e tecnológicos como mais emblemáticas, mas poderia ter referido muitas mais lojas de referência no plano nacional e internacional que integram o novo espaço, na sequência de um investimento de cerca de 40 milhões de Euros e que prevê criar 600 postos de trabalho directo e muitas centenas de outros de forma indireta.

O Centro Comercial avançou agora porque as perspectivas para Évora e a sua região envolvente são muito positivas, com o desenvolvimento de novas industrias e serviços em sectores de ponta, com a promoção das ofertas na área do conhecimento, com o aumento exponencial da procura turística e com a modernização da agro-indústria. Outros investimentos de referência na zona de proximidade do Évora Plaza demonstram que a sua abertura não foi um fenómeno isolado, mas antes o resultado de uma dinâmicaeconómica sustentada.

Decisiva agora é a estratégia de integração do novo investimento com o restante tecido económico e comercial da cidade e da região. Separado do centro histórico por uma distância que exige o uso de veículos para a deslocação, o Évora Plaza e as lojas que se situam na mesma zona criam um pólo que tem que ser complementar e não alternativo às ofertas especializadas e diferenciadas que o pequeno comércio e a restauração tradicional oferecem.

Temos filme, mas precisamos que ele tenha um final feliz. Não apenas um final feliz para aqueles que decidiram investir no Évora Plaza mas sobretudo para a dinâmica económica e comercial da cidade e da região, permitindo que todos ganhem com o novo factor de atração agora criado.

Os fenómenos de sinergia, em que a vitória de uns não tem que significar a derrota de outros, exigem esforço e ação para aproveitar a oportunidade. Ajudar o comércio e a economia tradicional de Évora a beneficiar do novo patamar em que a cidade e a região se posicionaram, deve ser a principal preocupação dos guionistas do novo “filme” em particular dos responsáveis do poder local e regional e das associações empresariais.

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