Visto de Casa 13/04

O dominó, a sueca, a malha e os dados são jogos tradicionais que entretêm o nosso povo, entre umas minis, uns petiscos, uns copitos de branco ou tintoMas não é desses dados, filhos das probabilidades, que hoje tanto se fala, nem dos dados que segundo alguns cientistas, Ele gosta de jogar, que aqui vou tratar. O que está hoje no centro da atualidade são os dados sobre nós e sobre a nossa vida. Aqueles dados que muitos designam como o petróleo da nova era do Aquário. 

Se dúvidas ainda houvessem sobre a força brutal dos dados, a pandemia já as afastou. Autoritarismo e “big data” (combinação de grandes quantidades de dados para gerar conhecimento) juntos, têm sido até agora o melhor remédio contra o vírus. Um remédio poderoso, mas que por efeito colateral suspende a democracia e mata a liberdade individual. Dessa receita toma quem quer. Eu não tomo.

Ao longo da história, milhões de seres humanos morreram em defesa daquilo em que acreditavam e das suas convicções e crenças. Estará o nosso tempo à altura desse desafio? A democracia valerá a nossa coragem e a nossa entrega? A liberdade valerá um esforço suplementar para derrotarmos o vírus, sem submetermos a outros o controlo da nossa vida e de tudo o que nela fazemos, sentimos e desejamos? Valem.

Os dados não têm ideologia. Torturados dizem o que os torturadores quiserem. Trabalhados com ética e bom senso ensinam-nos a compreender o passado e a projetar o futuro. Saúdo, entre outros, o exaustivo estudo do ICS/ISCTE Covid19 sobre o impacto social da pandemia em Portugal, divulgado há dois dias e que será, segundo os promotores, permanentemente atualizado. Contém dados muito relevantes.

Este estudo, como todas as avaliações credíveis de impacto, são instrumentos preciosos para desmontar a ideia de que o vírus ataca todos por igual. Não é verdade na saúde, em que as gerações mais velhas e os indivíduos com outros problemas de saúde ficam mais expostos e não é verdade na sociedade, em que uns estão mais resguardados do que outros. 

Ter dados fiáveis é uma condição fundamental para decidir e reagir no plano individual, nas organizações e nas instituições. É com base em dados, que se desejam fiáveis, que o Governo está a procurar otimizar a resposta de saúde com justiça e ponderação e a manter viva a economia e o tecido social, para recuperarmos quando o mau tempo passar.

Em Portugal, a PORDATA é uma das mais robustas bases de dados certificados de que dispomos, resultando de um meritório projeto da Fundação Francisco Manuel dos Santos, ligada à empresa que detêm a cadeia de distribuição “Pingo Doce”. Merece reconhecimento.

Quem segue as redes sociais acompanhou a polémica causada pela campanha desta empresa de distribuiçãodivulgando o apoio aos produtores nacionais na quadra pascal através da comercialização a preços convidativos dos seus produtos. Nas redes muitos perguntaram. Não seria mais pertinente para ajudar o País, a empresa deixar de pagar impostos na Holanda, País que disse não à solidariedade, e ajudar a enfrentara crise pagando-os em Portugal?

As duas coisas seriam bem-vindasPara o Pingo Doce e para muitas outras empresas, apoiarem os produtores nacionais é uma condição da sobrevivência futura da comunidade em que operam. Passarem a pagar impostos em Portugal sobre as receitas aqui geradas faria mais pela sua responsabilidade social, pela sua imagem institucional e por nós todos, do que mil e uma campanhas mediáticas.  Até amanhã, com muita saúde para todos.


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