Discurso de Juncker - a prova dos nove

O discurso sobre o Estado da União que Jean Claude Juncker proferiu em Estrasburgo no dia 13 de Setembro era considerado por muitos como a prova dos nove que irá determinar se o seu mandato deixaráuma marca perene ou que se esfumará na espuma do tempo.

O discurso foi estimulante e desafiador. Não será por ele que Juncker não ficará na primeira linha da história da União Europeia. A Prova dos nove contudo só poderá ser feita, na minha opinião na Primavera de 2018, quando a Comissão apresentar as perspectivas financeiras para o próximo ciclo que se inicia em 2020.

O Presidente da Comissão Europeia deixou claro na sua intervenção que percebeu que a União Europeia só poderá ser competitiva e atingir bons resultados económicos e sociais se afirmar uma agenda global. Para isso tem que reforçar e ligar a sua agenda comercial com as escolhas em termos de energia, clima e sociedade digital. É a partir desta base tripartida que pode ser lançada, como pretende Juncker, uma nova estratégia industrial inovadora e criativa, baseada emsoluções limpas, eficientes e que fomentem a criação de valor e de emprego em rede. 

Definidos os alicerces da base económica, a União tem que desenvolver os pilares que a diferenciam e respondem aos anseios e preocupações dos seus cidadãos. Os pilares da segurança e da defesaprotegendo as suas fronteiras para poder lidar de forma eficaz e humanista com a questão das migrações.O pilar económico e social para completar a União Bancária e a União Económica e Monetáriaapoiando todos os Países da UE a integrarem a Zona Euro e fazendo da moeda única um instrumento de convergência. O pilar social para combater as desigualdades e assegurar uma transição sustentável para a nova economia digital.

Toda esta agenda, que aqui apresento de forma necessariamente resumida, tem que incorporar os valores europeus, e em particular, tem que ser capaz de voltar a mobilizar os cidadãos para o trajeto comum de paz e liberdade que é a base essencial do projeto europeu. Nesta linha, Juncker formulou propostas de reconfiguração institucional para reflexão quando seaproximam novas eleições para o Parlamento Europeu, que constituem a base de renovação do edifício democrático da União.

Tendo tido a possibilidade de assistir em Estrasburgo ao discurso de Juncker e de o reler depois, considero que esteve à altura das melhores expectativas. A prova dos nove, no entanto, estará no grau de concretização e para isso é necessário um orçamento europeu com recursos próprios muito acima dos atuais 1%. 

Um orçamento com receitas europeias ao serviço do projeto europeu. Veremos se Juncker também passa essa prova. Se o fizer o seu nome ficará gravado naHistória da Europa em letras de ouro contrastando com outros Presidentes da Comissão, entre os quais Durão Barroso, que todos procuram esquecer o mais depressa possível.  


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