O Alentejo e os Comboios

Portugal fez uma aposta forte nas acessibilidades rodoviárias, mas por opções sucessivas de vários governos, o mesmo não foi feito em relação à ferrovia. Muitas regiões do País perderam o acesso a essa infraestrutura essencial e outras viram o serviço reduzido. 

A boa notícia é que um novo e importante projeto ferroviário está a nascer no contexto do desenvolvimento do “hub” portuário, energético, logístico e industrial de Sines e da necessidade de o ligar às redes transeuropeias através da construção de um itinerário de mercadorias em bitola europeia. Este eixo ligará Sines à fronteira de Elvas/Caia e daí ao resto da Europa. 
Várias intervenções incluídas no projeto já foram concluídas e no primeiro trimestre deste ano será lançado o concurso para a construção do troço entre Évora e Elvas, num investimento de 422 milhões de Euros, com um co - financiamento europeu de 158 milhões de Euros.   

O desenvolvimento da plataforma de Sines e do arco Sines - Setúbal - Lisboa é em si mesmo um processo muito positivo para Portugal e para o Alentejo, mas temos que irmais longe e explorar todas as potencialidades do projeto para o desenvolvimento do território alentejano atravessado pela nova infraestrutura, além de mitigar os potenciais impactos menos positivos. 
O caso do traçado no atravessamento de Évora é um exemplo das várias questões que devem ser resolvidas em diálogo com as comunidades e os seus representantes. Pelo que sei é esse o caminho que tem vindo a ser prosseguido.

Para tirar partido do investimento no desenvolvimento dos territórios atravessados, importa que os agentes locais, incluindo autarquias, associações empresariais, centros de conhecimento e potenciais investidores se organizem para formularem e avaliarem a viabilidade de projetos complementares, com o uso da linha para passageiros, a melhoria das ligações a Beja e outros polos de desenvolvimento regional e exploração das potencialidades logísticas que podem ser instaladas junto à fronteira e noutros pontos do trajeto, designadamente em Évora.

Os comboios modernos vão voltar ao Alentejo. Vê-los chegar e partir de Sines é um salto de gigante para a valorização daquela infraestrutura estratégica para a economia nacional e europeia. Mas não devemos deixar o resto do território alentejano apenas a vê-los passar. É este o momento de agir para que isso não aconteça.

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