Donald e outros "Patos"


 


O candidato Republicano à Presidência dos Estados Unidos Donald Trump personifica o que de menos recomendável existe na Política mundial. É um demagogo populista, inculto e xenófobo. No entanto, é ele que continua a liderar os Estudos de Opinião, sobre quem disputará, muito provavelmente a Hillary Clinton, a sucessão de Obama em nome dos Republicanos.

A adesão que a mensagem rasteira de Donald tem tido nos Estados Unidos é muito preocupante. Mais preocupante do que isso, no entanto, é a cobertura mediática que tem tido. Mesmo para criticar, desfazer ou ridicularizar as suas ideias, não há jornal, revista ou serviço noticioso no mundo, seja de direita, de centro ou de esquerda, seja conservador ou progressista, tenha uma agenda mais liberal ou social, que não exponha quase quotidianamente a imagem alucinada e as ideias disruptivas de Donald.


 

 Os adversários, sejam eles Jeb Bush, Ted Cruz ou outros, tentam sobreviver na sombra do "show off", por vezes colando-se a algumas das suas ideias para também eles merecerem atenção. Até Hillary Clinton, para mim a maior esperança  de que seja possível continuar a ter os Estados Unidos como uma referência de democracia liberal e tolerância, é não raras vezes submergida pelos relatos da extravagante campanha de Donald.

Um fenómeno semelhante vem acontecendo há muito tempo na Europa. Para a apoiar analisar ou criticar, a verdade é que Marine Le Pen passou a ser a estrela da política e dos “media”europeus.

 

 O resultado está á vista. Na primeira volta das eleições regionais a extrema-direita populista da Frente Nacional tornou-se uma força de primeira grandeza em França. A resposta das forças democráticas e republicanas minimizará os danos, mas isso não anula a minha convicção, que foram em larga medida essas forças, pela sua omissão e pela sua obsessão que criaram o fenómeno.

O mesmo se diga do populista que governa a Hungria. Victor Orban é uma caricatura de democrata. Tem no entanto uma enorme cobertura mediática. Um elevado número de europeus sabem quem ele é. Tem palco, ao contrário de outros líderes moderados e esforçados de Países com dimensões sociais e políticas similares à Hungria e cujo nome ou perfil muito poucos conhecem.

 

A competição por “notícias fora da caixa” acaba por dar dimensão a políticos e agendas também elas “fora da caixa” e sobretudo fora do que são os valores humanistas e tolerantes da modernidade. Será a política séria capaz de roubar os holofotes aos demagogos e fazer o espetáculo da democracia vencer o espetáculo da demagogia? É urgente que o consiga.

   



 
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