Um sorriso Africano

Por razões familiares e profissionais desde muito cedo que a minha vida se tem cruzado com África. Enquanto ser humano multicultural e resultado de múltiplas experiências de vida, sou também um produto dos horizontes de África, dos seus cheiros sabores únicos, dos seus ritmos e saberes e da miríade de formas de ver e de estar dos seus povos.
Voltei lá recentemente, desta vez a S. Tomé e Príncipe, na transição entre um ano profissional tão gratificante como extenuante e uma enorme vontade de parar uns dias e respirar alguma tranquilidade. 
Foi bom mergulhar de novo na paisagem quente e luxuriante e nos horizontes sem fim, mas o que mais me tocou o coração, e não foi a primeira vez que isso sucedeu naquele grandioso continente, foi o luminoso sorriso das crianças, a ingenuidade feliz das suas brincadeiras, a alegria esfusiante com que aparentemente cumprem o dia a dia do seu crescimento.   
Sem querer generalizar, a perceção geral que tive foi que vivendo muitas vezes nos limiares mínimos das condições de dignidade, o sorriso das crianças africanas contrasta com os sinais de stress que por vezes encontramos nas crianças europeias e de outras zonas do globo, vítimas das vidas agitadas e do stress dos modelos de vida competitivos predominantes, sobretudo nos territórios urbanos.
Os sorrisos das crianças africanas, tantas vezes expressos em condições extremas de desconforto e insegurança, responsabilizam-nos ainda mais para trabalharmos no quadro da comunidade internacional e das parcerias para o desenvolvimento, para que essas crianças tenham acesso à educação, a uma alimentação saudável, a uma vida decente e a cumprirem os seus sonhos de vida. O sorriso não pode ser desculpa, mas antes inspiração e fonte de motivação para agir.
No meu primeiro mandato no Parlamento Europeu fui membro efetivo da Comissão Política da Assembleia Parlamentar paritária União Europeia – África, Caraíbas e Pacífico (UE/ACP) e Vice-Presidente do Grupo de Interesse do Parlamento Europeu com os Países de Língua Oficial Portuguesa. No mandato que agora se inicia sou de novo membro efetivo da Assembleia Parlamentar UE/ACP. É minha intenção reforçar ainda mais o meu trabalho pelo desenvolvimento da parceria UE/ACP e da parceria com África em particular.
Uma boa cooperação com África tem que preservar o sorriso das crianças e trazê-lo até nós, contaminando-nos com a sua alegria de viver, e partilhar em troca, as ferramentas para os que nascem em África possam continuar a sorrir pela vida fora, e a serem felizes e a viverem em prosperidade e em paz nas suas terras e como cidadãos do mundo, se for essa a sua escolha.  

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