Vibrações

É da nossa natureza enquanto povo e nação quase milenar a volatilidade das vibrações, que pegando rastilho em pequenas variações da realidade, transforma de forma brusca o estado de espírito predominante, os sentimentos sobre as coisas, o ânimo, a atitude e a confiança em nós mesmos.

No inicio da pandemia, com um grande esforço coletivo de confinamento e um controlo muito competente da capacidade de resposta sanitária, sentiu-se por todo o País um enorme orgulho, traduzido em vibrações positivas, que conduziram a declarações moderadas de otimismo, rapidamente refletidas na imprensa internacional, que definiu a abordagem portuguesa como um caso de sucesso.

A abordagem das autoridades prosseguiu de forma integrada, com transparência e grande intensidade de testagem para tentar delimitar linhas de contaminação. Num número imenso de situações a abordagem foi bem-sucedida, mas nalguns casos não foi possível evitar a eclosão de alguns surtos. 

Não obstante esses surtos localizados, Portugal continua a ser um dos países com menos morbilidade e tem um sistema sanitário com capacidade de resposta, mas a propagação comunicacional dos casos difíceis, gerou vibrações negativas, tornou o discurso mais ríspido e de repente na imprensa internacional, que não distingue a delimitação do problema a alguns territórios e toma a nuvem por juno, passou a colocar Portugal na lista dos países problemáticos. 

Este relato, que apenas confirma milhares de outras situações em que na nossa história fomos do oito ao oitenta ou vice-versa em termos de estado de espírito ou perceção, enquanto “o diabo esfrega um olho”, seria apenas mais um contributo para a definição da nossa forma de ser enquanto povo, não se desse o caso de, ao acontecer no meio de uma luta competitiva sem quartel pela atração de turistas seguros aos diversos destinos com vocação e dependência forte desse sector., constituir um forte revês para a recuperação económica do País e para muitas portuguesas e portugueses que vêm colocado em causa de forma agravada o seu modo de subsistência.

Não advogo que como se insinua que outros países terão feito, se trabalhem os números para melhorar a imagem do País. Se apostámos e bem na transparência é com a transparência que temos que ir até ao fim e vencer o desafio.

Apelo antes á contenção das vibrações negativas. Elas propagam-se à velocidade da luz e não resolvem nada.   Já o contrário reforçará a nossa resiliência e a nossa imunidade económica e social à crise.
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