Ler Abril

A semana que medeia entre o dia da liberdade e o dia do trabalhador é deste há muitos anos uma semana em que os portugueses fazem o balanço do ciclo democrático e projectam as suas esperanças e frustrações no futuro.

Nenhuma avaliação realista da evolução do País nos últimos 35 anos pode deixar de reconhecer que ela reflecte um enorme progresso. Para além do valor incomensurável da liberdade reconquistada, o País modernizou-se de forma acelerada e integrou-se na linha da frente nos principais indicadores de desenvolvimento.

A turbulência dos dias que correm não é no entanto amiga da visão de diacrónica e de longo alcance. A tendência para tomar o presente pelo todo é muito grande e aí, acompanhando de perto as tendências internacionais, a nossa situação económica e social é difícil e desafiante. É importante conseguir um saudável distanciamento do quotidiano para ler Abril. Ver o filme e não a última imagem. Projectar um futuro que será marcado pelas medidas que estamos a concretizar e não pela simples replicação das dificuldades que estamos a viver.

É agora que temos que criar as condições para estarmos bem posicionados á saída da crise. Estamos a fazê-lo nalguns domínios críticos. Convidado pela União Internacional de Telecomunicações para se dirigir às centenas de congressistas de mais de cem nacionalidades presentes no evento, o guru da tecnologia e da educação Dan Tappscott não poupou nas palavras. Em entrevista á agência Lusa afirmou “não há nada mais importante para um País, neste momento da história, do que dar às suas crianças o seu direito de nascença que é ter acesso a um novo meio de comunicação que melhora a sua aprendizagem e experiência humana” e concluiu “O Programa Magalhães é a mais sofisticada e avançada implementação das tecnologias de informação em educação no mundo”.

Não é só com estas perspectivas optimistas que se deve ler Abril, mas na leitura séria do nosso futuro elas não podem ser ignoradas.
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