Regiões Inteligentes (atrair, formar, diferenciar)




Num tempo em que tudo é ou pretende ser “smart” (inteligente), se aproximam eleições autárquicas que terão impacto no reforço no poder coordenador das regiões e começa a entrar em velocidade de cruzeiro a execução do Portugal 2020, importa refletir como podem as regiões portuguesas serem regiões também elas mais inteligentes.



Ser inteligente, no sentido que lhe é dado neste texto, não é apenas adquirir, instalar e usar os mais sofisticados equipamentos tecnológicos disponíveis no mercado. Os equipamentos e a formação das pessoas para os utilizar ajudam ao sucesso das empresas, das instituições e dos territórios, como bem demonstrou o impacto que teve o “Alentejo Digital” na posterior atração de investimentos estruturantes para o Alentejo, mas a tecnologia deve ser apenas uma ferramenta e um instrumento para concretizar uma estratégia (como foi o caso).



Uma região inteligente é aquela que compreende o mundo em que compete, avalia com lucidez os seus pontos fortes e os seus pontos fracos, faz escolhas e usa os recursos para mobilizar e preparar as pessoas, as empresas e as instituições para porem em prática de forma bem-sucedida o caminho escolhido.



Como pode então uma região ser mais inteligente? Em primeiro lugar é preciso usar as novas tecnologias para aumentar a atratividade dos territórios garantindo a fixação de um maior número de pessoas.



Em segundo lugar é preciso apostar fortemente na qualificação das pessoas, de forma a que possam aceder aos recursos e aos serviços que lhe podem ser disponibilizados de forma mais eficiente e com maior qualidade através das novas tecnologias e também para que possam criar valor a partir dos dados e conhecimentos que passam a estar disponíveis.



Assegurada a atratividade e a qualificação e em plena articulação com elas, as regiões inteligentes têm finalmente que colocar a sua bandeira no mapa global através da diferenciação, valorizando a sua identidade e apostando em ser reconhecidas por algo em que sejam incomparáveis e únicas.



Usar os meios disponíveis para através das novas tecnologias, reposicionar as regiões e ganhar qualidade de vida e competitividade é uma oportunidade a não perder.  Contudo, as políticas têm que responder a três critérios. Atrair pessoas para o território e não dispensar ainda mais a sua presença, dar competências a essas pessoas e valorizar aquilo que elas fazem de diferente e de notável à escala global.



 A inteligência regional tem a ver com as pessoas e não com máquinas e redes, embora sem máquinas e redes e sem competências e estratégias para as usarem, as pessoas fiquem muito diminuídas na sua capacidade para fazerem acontecer um futuro melhor.              
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