A Rota do Digital

A Escola Superior de Educação de Santarém realizou um dia aberto sobre os desafios da literacia digital no qual procedeu também a um meritório lançamento de um curso especial de inclusão digital e profissional. No âmbito de desse oportuno evento desafiou-me a partilhar as minhas reflexões e sugestões sobre a rota do digital para o mercado de trabalho, que pela atualidade do tema, considero útil partilhar também em síntese com os meus leitores.

As rápidas transformações tecnológicas no domínio da gestão dos dados e da informação e no desenvolvimento de ferramentas que apoiam a realização das tarefas normalmente atribuídas aos humanos está a revolucionar o mercado de trabalho e vai exigir uma enorme lucidez para permitir que a sociedade se organize em função das pessoas e não em função do poder das minorias que controlam ou vierem a controlar os dados e as ferramentas digitais.    

A rota do Digital pressupõe um caminho par um novo lugar e alguém que o vai percorrer (Uma pessoa, uma empresa, uma instituição, um território, uma comunidade). Neste contexto, as ferramentas para fazer o caminho (as competências digitais) são essenciais. É por isso determinante promover estratégias inclusivas e ambiciosas de qualificação para que as pessoas se possam realizar profissionalmente e serem felizes na nova sociedade digital.

Nas estratégias a aplicar não nos podemos esquecer de que estamos a iniciar uma nova etapa da transformação digital. Chegou o tempo da automação e da inteligência artificial. Neste tempo precisamos de ser ainda mais assertivos na formação do maior número de pessoas possível, usando de forma eficaz todos os recursos nacionais e europeus disponíveis.

Mas se temos que garantir ferramentas para o caminho, também temos de preparar o caminhante para usar as ferramentas e não para ser usado por elas. Para isso é fundamental que cada um como indivíduo e as comunidades como um todo e saibam onde querem chegar.

Promover a literacia digital implica transpor os valores da sociedade analógica para a sociedade digital. Com as novas capacidades de captura, armazenamento e processamento de dados serão desenvolvidos algoritmos cada vez mais sofisticados. A fronteira entre a sociedade promissora homem/máquina e a servidão de uma sociedade máquina/homem decide-se na prevalência do ser sobre o ter.

O significado será a base de tudo. Os algoritmos serão o que nós formos. Na nossa cidadania se desenharão os tempos a haver.

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