Visto de Casa 27/03

Os portugueses já estão  quase duas semanas com as “barbas de molho”, confinados os que devem e podemprogressivamente mais protegidos os que têm que continuar a assegurar as funções básicas da sociedade.  Todos sabemos por experiência própria que esta não é uma situação fácil. Exige grande resistência psicológica e capacidade de adaptação. Vai exigir cada vez mais até o balão da pandemia começar a esvaziar.

Perceber a importância do esforço de cada um ajuda a resistir. O esforço que fazemos visa contribuir paramanter a dimensão do surto, nesta fase de aproximação do pico, abaixo da capacidade de resposta dos sistemas de saúde. É uma atitude de grande altruísmo. Altruísmo para com a comunidade e para com os profissionais que na frente de batalha dão tudo para vencermos.  

É reconfortante verificar que sem quebra da liberdade de crítica e denuncia do que não corre bem, se vai sentido um movimento forte de convergência e cooperação na sociedade portuguesa, para por em prática as melhores soluções possíveis, face às dificuldades múltiplas que vivenciamos e que se perspectivam.

O Conselho de Ministros avançou ontem com novas medidas de exceção no plano económico e social e clarificou outras já anunciadas. Ninguém tem uma varinha mágica para conter o vírus nem o seu impacto na saúde, na economia e no dia a dia das famílias e das pessoas em geral, mas a obrigação de todos e em particular das instituições, é saberem ouvir, saberemfazer e saberem corrigir e melhorar em movimento,porque em tempo de guerra não se limpam armas mas convêm que elas estejam oleadas e apontadas aos alvos corretos.

Ontem foi também um dia intenso no plano europeu e global. O Parlamento Europeu uniu-se votando por uma maioria que roçou a unanimidade, a autorização para aplicar medidas de exceção propostas pela Comissão Europeia. Medidas que são importantes, mas ainda insuficientes. 

O Conselho Europeu, também ontem reunido, não fechou as portas às medidas de resposta coordenada e de mutualização da dívida, que são determinantes para responder à crise e preparar o relançamento da economia europeia. É certo que as devia ter escancarado, mas acredito que com a liderança e coesão que os Países solidários têm demonstrado, acabaremos por arrastar para a rota do bom senso os mais renitentes.

Os países europeus mais robustos económica e financeiramente só o são, se integrados na parceria europeia. Individualmente são gigantes locais e anões globais. A reunião do G20 (grupo que integra a UE e as outras 19 economias mais fortes do mundo) que também ocorreu ontem, foi mais uma prova disso mesmo

A Presidente da Comissão Europeia, ciente de que a Europa é agora o epicentro da pandemia, pediu a todos uma resposta coordenada. Que credibilidade pode ter este apelo oportuno e adequado, se não formos capazes de nos articular nós mesmos de forma solidária?Vamos ter que o fazer. É um desafio de uma vida. De muitas vidas. Até amanhã. Com muita saúde. 

 

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