Europa Sedutora

As eleições para o parlamento europeu aproximam-se a passos largos. Na sequência deste acto legitimador teremos no final deste ano instituições europeias renovadas. Teremos também desejavelmente o Tratado de Lisboa em vigor. Este é por isso o tempo certo para debater com profundidade a formação das políticas europeias para o futuro próximo. Um debate que tem andado arredio da pré-campanha em Portugal e para o qual quero contribuir nesta crónica apelando a uma Europa capaz de seduzir outros territórios para uma causa comum.

A União Europeia viveu décadas demasiado fechada sobre si própria, tão preocupada com o aprofundamento necessário do mercado interno que se esqueceu de fazer o trabalho de casa na regulação do mercado global. A conta desse esquecimento chegou agora com todo o seu esplendor aos números do crescimento ou do emprego.

Acordados para uma realidade que a Estratégia de Lisboa (novo ciclo 2008 – 2010) já antecipava ao assumir-se como agenda externa da UE, os 27 esforçam-se agora para coordenar esforços e participar de forma mais efectiva na regulação global. A preparação e a participação da UE na cimeira dos G20 foi um primeiro passo nesse sentido. Mas um passo insuficiente.

Para ter um papel determinante na nova ordem económica e social que vai emergir desta crise, não bastará à União Europeia ter uma voz activa na regulação. Essa voz será sempre insuficiente se a UE não conseguir fazer do seu modelo humanista de organização social e económica uma referência para outros territórios globais.

O confronto final entre a ditadura selvagem dos mercados e a sua regulação de acordo com critérios de equidade social e sustentabilidade ambiental ainda não foi travado. Sem aliados fortes a UE pode combater com entrega e vigor mas acabará derrotada pelo desequilíbrio das forças em presença. Temos por isso que ser capazes de seduzir outros territórios para uma causa comum. Seduzir é vital para a sobrevivência duma EU com identidade e valores fortes.
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