Pedro (Passos Coelho) e o Lobo

Aproxima-se a terça-feira de Carnaval. Pedro mandou que se trabalhasse em vez de permitir a tradicional tolerância de ponto. Alguns de nós, funcionários públicos, vamos trabalhar. A maioria vai desautorizar Pedro. A economia vai amargar pela quebra do negócio esperado nesta quadra. Quando Pedro gritar de novo, já ninguém vai acreditar que o Lobo mau está a chegar.

Portugal precisa de trabalhar mais e melhor. Isso não é uma questão de horas ou de normas. É uma questão de mobilização e de vontade. De métodos e de escolhas estratégicas. De mercados e de produtos.

Parece que o Primeiro – Ministro se preocupou com a imagem que poderemos dar em plena visita da Troika. Preferiu assim disfarçar. É um erro.

A Troika tem que construir connosco uma solução adequada às nossas características e identidade e não uma solução copiada de economias e realidades que nada têm a ver com a nossa.

A visão quantitativa associada à supressão de feriados e tolerâncias é uma falácia. Somos dos povos europeus que mais horas trabalham e dos que menos produzem. A solução não está assim na quantidade e no salário, mas nas qualificações e no valor acrescentado.

Devemos ser cidadãos cumpridores. Os que tiverem que trabalhar  (como eu) devem trabalhar o melhor que puderem nas circunstâncias em que o vão fazer e os outros devem aproveitar o Carnaval sem nenhum complexo de culpa.

Não é no Carnacval que se joga o futuro da nação. É já agora e em cada minuto da nossa vida. Temos que confiar na nossa matriz de povo cosmopolita, forte, capaz de vencer as adversidades quando se inscreve na solução e quando se decide a combater.

Pedro insiste em dar-nos razões para desistir. Apelo a que não lhe façamos a vontade. Somos capazes de fazer melhor, de criar novos conceitos, novos produtos e novas relações. Sobrevivemos a oito séculos de desafios e dificuldades. Muitos lobos foram trespassados pela espada do nosso querer.

Este Pedro, se continuar a ignorar a força e capacidade do seu povo não fará história, a não ser nos relatos do Carnaval ou nos compêndios sobre o declínio e o desastre.

Estamos sem “rei nem roque”. Não podemos deixar que façam de nós os bobos da corte.
Comentários
Ver artigos anteriores...