Crise Humanitária - Uma questão global

Entre hoje e 21 de Junho estou a participar em Malta na 33ª Assembleia Paritária ACP – UE (Africa, Caraíbas e Pacífico  União Europeia). Um dos pontos em apreciação é a eminência do continente africano viver a maior fome e crise humanitária dos últimos setenta anos. Segundo a ONU(Organização das Nações Unidas) vinte milhões de pessoas estão a morrer à fome, se considerarmos apenas o Sudão do Sul, a Somália e a Nigéria.


A sociedade global e e sociedade europeia em particular, têm vivido com grande sofrimento e sentido solidário o recrudescer do terrorismo no seu território. Centenas de cidadãos perderam a sua vida nos últimos anos pela ação concertada e cobarde dos que querem destruir o nosso modelo aberto e tolerante de vida em sociedade.


O terrorismo na Europa e no Ocidente mais desenvolvido deve mobilizar -nos a todos para uma resposta forte, mas não nos pode fazer esquecer a tragédia humanitária que está a acontecer noutras zonas do Globo. Trata-se em certa medida de um processo de “terrorismo em massa” a que é preciso pôr cobro?


Muitas são as causas que conduziram ao que está a suceder em África e noutros pontos de globo. As alterações climáticas, as guerras, a exploração desenfreada dos recursos e a corrupção das elites são algumas delas. 


Estas causas não apagam nem anulam no entanto outros dados chocantes. A ONU diz necessitar de 5 mil milhões de dólares para fazer face imediata à catástrofe. Contudo não dispõe dessa verba, que é metade daquilo que Donald Trump anunciou cortar na contribuição dos Estados Unidos da América para as políticas de cooperação. É também apenas 10% do que se diz ser o património de Bill Gates e 1% da riqueza acumulada pelas 8 pessoas mais ricas do mundo (que conforme foi divulgado há alguns meses em Davos, acumulam mais riqueza que a metade mais pobre da população mundial).


É cada vez mais evidente que é preciso inverter o processo de crescimento brutal das desigualdades. O aumento das desigualdades entre as pessoas, as comunidades ou os territórios é o “cancro” da sociedade do século XXI. Multiplica-se de forma exponencial e se não for travado criará uma crise humanitária não apenas em África mas em todo o globo.  Temos que o tratar a tempo. Apoiar de imediato quem precisa e reduzir as desigualdades para evitar recidivas. Não podemos continuar a hesitar nesta agenda de sobrevivência para o mundo em que vivemos. 


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