Sol, Vento, Água e Floresta

Com o avanço progressivo da concretização da União da Energia, que traduz a aposta da União Europeia na transição energética, nas energias renováveis, na eficiência energética, na diversificação de fontes de abastecimento e na mobilidade elétrica, para referir apenas alguns dos vetores chave do novo mercado europeu da energia, a aposta que Portugal tem vindo a fazer há mais de duas décadas nas energias limpasganha particular significado.
   
Após uma sementeira porfiada, que significou muitos benefícios para a indústria nacional, para a balança de pagamentos, para os centros de conhecimento e para o ambiente, mas também significativos custos refletidos na fatura das empresas e das famílias, chegou o tempo de Portugal colher os frutos do investimento feito.

Num mundo global e diversificado não é desejável paraPortugal ficar dependente de um único produto, com em tempos aconteceu com as especiarias da Índia ou o ouro do Brasil. As nossas novas especiarias são a água, o vento, o sol, a floresta e com eles podemos gerar riqueza de formas diversas, respeitando a natureza e melhorando a qualidade de vida. Se bem aproveitadas, de forma integrada, estas especiarias serão o ouro que impulsionará uma nova etapa de crescimento sustentável, cujos primeiros sinais já são perceptíveis.

Produzir energia renovável para substituir importações de combustíveis fósseis ou energia nuclear e exportar para Países com menos capacidade produtiva aproveitando as novas interconexões planeadas, é um dos caminhos que conhecemos bem e temos agora que percorrer com maiores níveis de incorporação e transação.

Uma outra linha de investimento de elevado potencial é a requalificação do património construído, incrementando a eficiência energética nos edifícios e nos espaços públicos e reforçando a incorporação de energia produzida com recursos endógenos, de forma centralizada ou distribuída.

Finalmente, nesta análise não exaustiva, a eletrificação do sector dos transportes é fundamental e constitui uma grande oportunidade. Portugal tem todas as condições para prosseguir a sua aposta em ser o laboratório vivo de uma mudança estrutural que acontecerá em todo o globo, mais cedo ou mais tarde.

País médio na dimensão e sem grandes riquezas minerais, Portugal procurou durante séculos em todo o globo os recursos que garantiram a sua independência. Hoje os  recursos chave são aqueles que sempre tivemos aproveitados com as novas tecnologias disponíveis. Sol, vento, água, floresta. Preservemos e aproveitemos a riqueza que temos.
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