Democracia - A Palavra de Todos os Anos

Entre muitas outras escolhas, no final de cada ano é também normal escolher-se a palavra do Ano. A escolha mais mediática costuma ser a do Dicionário Oxford que este ano optou por uma palavra composta (Youthquake) que conjuga juventude e mudança acelerada (a tradução à letra seria terramoto jovem, antecipando que as novas gerações vão abanar o mundo).

Sem deixar de dar relevância às escolhas de palavras do ano que se vão fazendo um pouco por todas as latitudes e em Portugal também, tendo em conta o debate e mobilização que a sua escolha sempre suscita, considero que há uma palavra maior, que tem que ser cada vez mais a palavra de todos os anos. Essa palavra é Democracia.

Num tempo de tanta incerteza, e em que a democracia tem sido posta à prova em circunstâncias em que a julgávamos forte e consolidada, como nos Estados Unidos da América e em alguns Estados -membros da União Europeia, designadamente em certas fases do processo catalão e em evoluções perigosas para o Estado de Direito na Hungria e na Polónia, é sempre bom lembrar que a democracia é o único modelo de regulação política das sociedades, que contêm em si mesma as soluções para resolver os problemas que são criados pelo seu mau uso.
    
A Catalunha é aliás um excelente exemplo do que antes referi. Existe hoje um profundo imbróglio democrático na Catalunha porque as regras do bom uso da democracia não foram cumpridas.

Não foram cumpridas em primeiro lugar pelo governo central que se esqueceu durante anos de escutar os anseios do povo catalão. A expressão minimalista da votação no Partido do Governo Central (PP) na Catalunha deu aliás uma resposta democrática clara a esse erro. Não foram cumpridas em segundo lugar por alguns políticos independentistas que convocaram um referendo sem antes cuidarem de conseguir a alteração do quadro constitucional que o impedia. Em consequência,  embora os independentistas tenham a maioria absoluta no novo parlamento catalão, não tiveram a maioria dos votos nas eleições de 21 de Dezembro, exigindo grande cautela na interpretação dos resultados.

O imbróglio catalão, como tantos outros, só pode ser resolvido com uma aplicação plena do bom senso de democrático, para que a vontade maioritária do povo seja respeitada.

É por estas e por outras que para mim, seja qual for a palavra do ano, a democracia é a palavra de todos os anos. É através da sua aplicação plena que se pode melhorar a vida das pessoas e criar mais justiça no mundo. Viva a democracia. Viva 2018.
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