O Homem do Mar (Uma singela homenagem a Mario Ruivo)





Vi o Professor Mário Ruivo pela última vez em Outubro do ano transato, na representação em Portugal do Parlamento Europeu situada no Centro Jean Monnet em Lisboa durante a cerimónia que assinalou a atribuição dos prémios de cidadão europeu do ano ao Professor Tiago Pitta e Cunha e ao Conselho Nacional da Juventude.



Mário Ruivo, que tinha sido distinguido com o mesmo galardão no ano anterior, estava jovial como sempre o conheci, cheio de projetos e novas ideias, pleno de otimismo e vontade de fazer acontecer, motivado talvez por em dois anos consecutivos, por propostas dos Eurodeputados portugueses aceites pelo júri europeu, dois “homens do mar” terem sido distinguidos como cidadãos europeus do ano.



Tiago Pitta e Cunha foi distinguido em 2016 pelo seu profundo Curriculum científico e diplomático na promoção e defesa dos oceanos à escala nacional, europeia e das Nações Unidas.



Mário Ruivo, distinguido em 2015, e que nos deixou no dia 24 de Janeiro com 89 anos foi uma personalidade impar. Nascido alentejano (em Campo Maior em 1927) vestiu desde sempre a pele de defensor do ambiente, em particular dos oceanos, e da democracia.



Doutorou-se na Universidade de Paris – Sorbonne em oceanografia biológica e gestão de recursos vivos, e desenvolveu um distinto percurso como investigador e como membro de múltiplas agências internacionais de defesa do mar. Entre muitas outras missões que lhe granjearam um elevado prestígio nacional e internacional coordenou a Comissão Mundial para os Oceanos, presidida por Mário Soares e foi conselheiro científico da EXPO 98.  Foi como Presidente da Comissão Nacional para o Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável (CNADS) cargo que desempenho desde a sua fundação em 1997 que o conheci melhor. Deu uma ajuda impar à minha missão de coordenar a elaboração da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (ENDS 2015).   



Como lutador antifascista foi forçado a exiliar-se em Roma a partir de 1961 e auxiliou muitos portugueses perseguidos pelo Estado Novo, mantendo sempre, em ditadura e em democracia, uma atividade cívica muito relevante em defesa da liberdade de expressão e das causas que perfilhou.



Nos últimos tempos tenho visto partir bons amigos e grandes mestres, que me marcaram na minha vida política e académica. Mário Ruivo foi um deles. Deixou-nos rumo aos “oceanos da eternidade”, mas a sua sabedoria, o seu entusiasmo, a sua alegria de viver e a sua força interior, aliadas a todo o conhecimento que dele adquiri, são marcas que jamais esquecerei. São marcas que Portugal, a Europa e o Mundo não podem esquecer.
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