Visto de Casa 19/03

Segundo os meus pais e primos que me viram crescer, o primeiro passo que dei foi para chutar uma bola. Sempre adorei jogar à bola e joguei muito, mais em quantidade do que em qualidade porque o talento nunca chegou aos calcanhares da vontade. Sou um seguidor atento de todo o fenómeno desportivo e em particular do Futebol, com uma paixão de adepto pelo Sporting. Agora não há futebol. Também não há comentários sobre futebol, arbitragens, treinadores, agentes. Tenho saudades de jogar à bola. Também tenho saudades de ver futebol. Já do circo que lhe montaram à volta, não. 

Mais um dia de agravamento generalizado do surto de coronavírus por toda a Europa e também em Portugal fez suceder o que previa. Estamos todos a acordar para um pesadelo a dobrar. A infeção sanitária provoca a infeção económica e uma não se combate sem combater a outra. Em última análise ambas desaguam na sociedade e atingem as pessoas, a sua sobrevivência e a sua dignidade. É nesta perspetiva que todas as medidas e ações públicas e privadas para combater a crise terão que ser desenhadas e concretizadas. O Banco Central Europeu parece ter acordado finalmente para esta realidade. Outras entidades acordarão ou serão forçadas a acordar.

Como era expectávelverificaram-se os primeiros dois casos de deteção de pessoas infetadas com coronavírus no Alentejo. No caso em concreto, pessoas infetadas fora da região e que a ela regressaram. As autoridades e os serviços de saúde regionais têm agora que isolar e tratar os infetados, coisa que acredito farão que grande eficiência e profissionalismo, mas também proceder ao controlo ainda possível das cadeias de transmissão.  Minimizar cadeias de transmissão que atinjam os mais idosos ou os fisicamente debilitados é um grande desafio das autoridades, dos serviços e de cada um de nós.

Com grande serenidade e articulação institucional, fundamentais neste momento, foram criadas as condições para a aprovação do Decreto Presidencial de declaração do Estado de Emergência e o Governo apresentou um pacote de medidas excecionais, enquadradas na aplicação do referido decreto.  

Com esta declaração foi criado um quadro legal mais aberto para que seja feito o que for necessário e quando for necessário para conter a pandemia, mas sem suspender a democracia nem a Constituição da República, nemquebrar as cadeias de abastecimento de bens e de oferta de serviços fundamentais ao funcionamento daeconomia e da sociedade.

Os portugueses têm demonstrado um elevado sentido cívico em toda esta crise. Um decreto, por mais excecional que seja não substitui a consciência e a ação de cada um de nós. Torna-a ainda mais decisiva. Até amanhã a todos. Com saúde.

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