Frente de Obra

As recentes decisões de aumento de investimento público na região, de que são exemplo os investimentos ferroviários como o novo troço entre Évora Norte e Elvas ou os investimentos em equipamentos de elevado calibre como o novo Hospital Central do Alentejo, associados às múltiplas obras lançadas pelos Municípios aproveitando os recursos dos fundos europeus, ao esforço de renovação das estruturas de educação, formação e alojamento para estudantes feitas pelas instituições públicas, pelas autarquias e pelo setor social e ao aumento do investimento privado no setor agropecuário, comercial, industrial e dos serviços, designadamente na área do turismo, vão gerar, se considerados em rede e de forma integrada, uma importante frente de obra no nosso território nos próximos anos. 

Não desconheço que continua a persistir no Alentejo, embora em decréscimo, algum desemprego estrutural. Contudo, os desempregados inscritos nos nossos centros de emprego não serão suficientes, mesmo que requalificados, para dar resposta ao enorme aumento de necessidades de mão-de-obra que todos estes investimentos vão exigir.

Só para o troço ferroviário Évora Norte –Elvas serão necessário cerca de 3000 trabalhadores, muitos deles vindos de fora da região. Segundo reportou o Presidente da Câmara Municipal do Alandroal, naquele Concelho raiano já se faz notar a pressão pela procura de alojamento e pelo licenciamento de novas construções ou de obras de recuperação e modernização das casas existentes. 

Numa atitude de grande lucidez e visão estratégica, o autarca do Alandroal apelou a uma resposta regional para garantir uma oferta de qualidade e sustentada às novas necessidades, que começam por ser de alojamento, mas serão também de todos os serviços associados a um aumento significativo da população residente.

Usando uma expressão antiga e já muito glosada, na frente de obra que se aproxima da nossa terra não podemos ficar a “ver passar os comboios” nem permitir que ela seja apenas uma onda passageira, desmontada no fim dos processos de construção. Trabalhando em conjunto, temos que criar condições para a fixação de gentes, empresas, recursos e competências por todo o território. 

Entre outros impactos negativos, a crise de empobrecimento gerada pelas politicas de austeridade entre 2011 e 2015, destruiu milhares de pequenas empresas de serviços que asseguravam respostas de proximidade na nossa região, designadamente no sector da construção e serviços técnicos. Temos agora a oportunidade de recuperar esse tecido tão importante para a saúde da nossa economia e das nossas comunidades. Aproveitemos a oportunidade.


Comentários
Ver artigos anteriores...