A Raiz da Comunicação

 Não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira impressão. Esta regra simples é talvez a mais poderosa para quem tem que comunicar nos diversos patamares da vida quotidiana, numa sociedade a que muitos chamam do conhecimento, mas é cada vez mais da comunicação, enquanto instrumento de formação e informação ou de deformação e desinformação.   

 

O meu doutoramento e o meu percurso académico focalizaram-se na área científica da Gestão da Informação aplicada ao domínio das empresas e das organizações. Embora esteja relacionado e englobe componentes de comunicação, não me atribui nenhuma sabedoria ou competência especial no tema. O que aprendi na vida sobre comunicação é o resultado da minha experiência como cidadão e como professor, autor de artigos, livros e outros documentos, representante político e comentador em múltiplas plataformasAbalanço-me a escrever neste pequeno texto sobre comunicação numa base estritamente empírica.

 

Quando tenho que comunicar o quer que seja procuro sempre ser integro e igual a mim mesmo (descobre-se mais depressa um mentiroso que um cocho) mesmo quando me dizem que já tenho um registo ou uso suportes fora de moda. Enquanto não sentir a necessidade de mudar, não adianta maquilhar a forma, porque o que sobressairá será o falsete.

 

Procuro também dar espaço desde o primeiro momento à empatia (o que nasce torto raramente se endireita) embora isso seja cada vez mais difícil nos tempos de distanciamento social forçado em que vivemos.   

 

Generalizando estes considerandos aos tempos complexos em que vivemos, é cada vez mais importante que os agentes políticos, económicos e sociais sejam consistentes nas mensagens que passam, assumindo que a mudança obriga a corrigir e a ajustar o que se diz, mas que se o processo não tiver sido bem enraizado na comunicação base,dificilmente resistirá incólume à ventania da contra-informação. 

 

O que acabei de escrever aplica-se como uma luva à comunicação das diversas entidades em tempos de pandemia. Sobem de tom as críticas à comunicação na generalidade os países e também em Portugal. O exemplo mais recente tem a ver com as prioridades no plano de vacinação contra a Covid-19. Sobre temas estruturantes e fundamentais para as pessoas a robustez da mensagem base é essencial. 

 

Se se facilita na raiz, a árvore por melhor que seja, vai sempre parecer tão sedenta, como as árvores do Alentejo que Florbela Espanca imortalizou nos seus poemas.    

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