Visto de Casa 04/04

Hoje é Sábado. E porque hoje é Sábado as nossas casas serão para a grande maioria de nós um lugar ainda mais especial.  não conseguem guardar os segredos que dantes guardavam, quando nós entrávamos e saíamos delas apressados sem reparar em muito daquilo que ao longo da vida lá fomos colocando.Segredos, bons uns e maus outros, porque o confronto com a realidade é sempre um exercício de risco.

A próxima quinzena, muitos já o disseram e nunca é demais repetir, será decisiva para que a linha do horizonte se comece a definir no que diz respeito ao combate à pandemia em Portugal e na Europa. 

O esforço brutal para que fomos convocados e a que na generalidade aderimos, para impedir a rotura da capacidade de resposta dos meios hospitalares e dos profissionais de saúde, segurança, proteção e socorro,tem permitido achatar a curva de progressão do número de infetados e de hospitalizados

Teremos, se tudo correr como previsto, um pico menos agreste, mas mais tardio. Se a quinzena correr de acordo com o previsto teremos ultrapassado o rubicão da crise. A morte e a ressurreição que marcam simbolicamente o tempo pascal nunca dependeramtanto de cada um de nós. Estaremos à altura.

Tenho-me abstido de fazer considerações sobre a gestão técnica e política da crise em Portugal. Os sinais à superfície são de grande consenso institucional e sentido de missão. Nem tudo tem corrido bem, nem isso era possível numa situação tão complexa, mas sente-se uma vontade comum de encontrar soluções em vez de desculpas, de resolver em vez de acusar. É uma bênção que nos tem ajudado.

Esta atitude, com ligeiras exceções, tem sido também partilhada pelas autoridades locais, em particular pelos autarcas e pelos parceiros sociais. Depois de tudo passar, teremos ainda lágrimas para verter, mas também muitas boas histórias para contar.

A manta é o que é, e não conseguirá nunca cobrir o brutal impacto sanitário, económico e social do momento que estamos a viver. O que não pode acontecer é que alguém puxe só para si deixando os outros desprotegidos, seja em cada casa, em cada comunidade, em cada região, em cada país, na Europa ou no mundo. 

Numa perspetiva global, o vírus cavalgou os vários fusos horários da política, das culturas e dos meios disponíveis e já quase se escapuliu ou foi enxotado de alguns lugares, enquanto se prepara para tomar outros de supetão.

Era aliás sobre a Europa e o mundo que eu tinha pensado escrever hoje, mas as palavras escorreram demais ao pensar na nossa terra. Não perde pela demora. Refletirei sobre esses temas em próximo diário. Até amanhã, com muita saúde para todos.


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