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Visto de França

 Sendo europeu, sinto-me português de corpo inteiro e particularmente solidário com os outros 26 países do continente que escolheram percorrer em comum um caminho de paz, liberdade e desenvolvimento. 

 

Muitos acontecimentos ocasionais da minha vida levaram-me a ganhar uma especial ligação a França. Foi o maio de 68 quando ainda era uma criança, mas acompanhava a excitação que ele provocou nos meus primos mais velhos, as músicas que ouviam, os pósteres que colavam nos quartos. Foi a escola em que nos primeiros ciclos estudei francês (sinal dos tempos, só na universidade tive pela primeira vez uma cadeira semestral de inglês). Foi a estadia de seis meses em Montpellier durante os meus trabalhos de Doutoramento, muito inspirados pela escola francesa da complexidade aplicada à gestão dos sistemas de informação. É a semana, nos últimos nove anos, passo todos os meses em Estrasburgo nas sessões plenárias de Estrasburgo do Parlamento Europeu.

 

Terá sido isso e muito mais que me faz prestar sempre uma atenção especial ao que se passa na França e a tentar perceber fenómenos como a revolta dos “coletes amarelos” espoletada por um aumento do preço do gasóleo, o levantamento generalizado contra uma harmonização da idade de reforma claramente em baixa quando comparada com os índices dos outros países europeus e dos principais competidores globais que têm um sistema de proteção social, ou a mais recente onda de protestos contra o assassinato de um jovem francês de 17 anos por um polícia em Nanterre.

 

As viagens regulares a Estrasburgo, permitiram olhar os fenómenos procurando dialogar com os franceses comuns, auscultar os seus sentimentos e perceber as suas motivações. A sociedade francesa não escapa à fragmentação que vai contaminando todo o mundo ocidental, mas nela essa fragmentação assume um perfil morfológico diferente. Os meus amigos e conhecidos franceses ficam sempre muito chocados quando lhes digo que estão a reproduzir a sociedade de castas que ainda impera na India, mas talvez por ser um fenómeno novo, o fazem ainda com mais vigor do que no sistema original. Coincidem na ideia de que são franceses, mas não coincidem em quase mais nada. Refugiam-se em guetos económicos, geográficos e culturais. Não se misturam, não dialogam, não se compreendem.

 

Foi neste caldo de cultura que a extrema direita francesa floresceu com mais viço que em qualquer outro sítio. Foi nele também que tem estado sumida a esquerda moderada e em que campeiam os designados insubmissos que abrem fendas perigosas para a democracia francesa. Visto de França, temos que evitar os erros que que a dilaceram. Temos muito a aprender com o hexágono. Até no que não devemos fazer como lá se faz.

 

 

 

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