Nós, Aqui e Agora



Os capitães de Abril que nos outorgaram a liberdade estão hoje a chegar à idade de Reforma.


Chegou o tempo da minha geração, dos adolescentes que vibraram e cresceram com a revolução, tomarem nas suas mãos o testemunho e não deixarem morrer a ambição de Democracia e o Desenvolvimento que iluminou a manhã histórica de Abril de 1974 e as décadas que se seguiram.

Somos nós, aqueles que hoje têm hoje entre 50 e 60 anos e usufruíram dum tempo extraordinário de mudança e modernização, que temos que assumir o desafio de não deixar aos nossos filhos e aos nossos netos um País desistente, decadente e amorfo.
Aquilo com que nos confrontamos, embora não dispense visão estratégica, já não é o de planear futuros, mas antes de mais o de fazer acontecer coisas agora e aqui. Deixemos aos que nos sucedem aquilo que nós também já fizemos - a reconstrução dos sonhos e o reavivar das ambições.

Para nós, os adolescentes de Abril, já não nos resta muito tempo nem muito espaço para não ficarmos na história como a geração que falhou a integração de Portugal na nova economia global do século XXI.

É aqui que temos que fazer valer o nosso posicionamento geoestratégico, e a nossa vocação de País global, País rede e País ponte entre civilizações e continentes. É aqui e agora que temos que recusar a menoridade da periferia e fazer escolhas que nos tornem um elo incontornável da nova ordem política e económica global, apostando nos portos, na ferrovia, no hub aeroportuário, nas energias verdes e nas inovações limpas.
É aqui e é agora. Somos nós. Basta de dizer que as elites se acomodaram porque se houver força, liderança e mobilização, os acomodados serão ignorados e muitos surpreenderão. Muitos já hoje classificados como elites e muitos que não o sendo assim chamados se mostrarão como tal.

Agosto é um mês de transição. O mundo e a Europa estão a mudar. Portugal está ora á bolina, ora à deriva, ora puxado pelos arrastões do centro da Europa. Onde está a nossa força de marinheiros? Não seremos capazes de tomar o leme e evitar o naufrágio? Democraticamente, institucionalmente, mas com coragem e determinação.
É a hora para a minha geração. Nós, aqui e agora por Portugal, pela Europa e pelo Mundo.























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